Apostas on-line

Durigan diz que governo terá "tolerância zero ao jogo ilegal"

Governo Lula publicou decreto para asfixiar movimentação financeira de bets ilegais. Ação dos ministérios da Fazenda e da Justiça visa bloquear contas dessas empresas nas instituições financeiras que elas participam

De acordo com o Planalto, mecanismos para frear jogos ilegais serão semelhantes aos utilizados para asfixiar o crime organizado -  (crédito: Joédson Alves/Agência Brasil)
De acordo com o Planalto, mecanismos para frear jogos ilegais serão semelhantes aos utilizados para asfixiar o crime organizado - (crédito: Joédson Alves/Agência Brasil)

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou nesta sexta-feira (19/5) um decreto que restringe a movimentação financeira de empresas que operam sites e aplicativos com apostas ilegais. O objetivo do governo é asfixiar financeiramente essas bets, com o bloqueio de contas em instituições onde essas empresas movimentam valores obtidos irregularmente.

De acordo com o Planalto, os mecanismos são semelhantes aos utilizados para asfixiar o crime organizado e também fazem parte da Lei Antifacção, aprovada no Congresso Nacional no último mês de março. O novo decreto prevê que recursos confiscados das bets nessas instituições financeiras sejam transferidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública, que também atua no combate contra esses crimes.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

A medida foi divulgada em entrevista coletiva que contou com a participação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“Nós estamos tomando uma iniciativa muito importante, tivemos a oportunidade de estar com o presidente quando ele assinou o decreto. (...) Ele (Lula) expressou a convicção de que esse é um largo passo nesse combate às bets ilegais”, disse o ministro da Justiça.

Durante a coletiva, Wellington Silva citou dados sobre a atuação dos sites de apostas no país durante a apresentação. Segundo a pasta, as bets ilegais representam entre 41% e 51% das plataformas. Além disso, o governo já bloqueou mais de 40 mil sites de bets que atuavam de maneira irregular.

“Tudo isso evidencia o relevo da nossa iniciativa. Então, não é trivial esse esforço que o governo federal faz, antes pelo contrário, ele é muito robusto e complementar de tantas outras iniciativas que vêm sendo adotadas”, acrescentou o chefe da Segurança.

Notificação às instituições

Por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, o governo federal identificou quase 50 mil sites e aplicativos de bets ilegais, que já foram derrubados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo a pasta, no entanto, havia apenas cerca de 350 operadores por trás dessas plataformas.

A SPA também identificou que esses 50 mil sites possuem ou tinham contas em 27 instituições financeiras, que envolvem sobretudo fintechs ou instituições de pagamento com pouca ou baixa supervisão. Com o novo decreto, a secretaria poderá formalizar a irregularidade por meio de um auto de constatação, que registra e fundamenta a exploração ilegal.

“São sobre essas 27 instituições financeiras que hoje há um comunicado do Ministério da Fazenda para os órgãos competentes, seja a Polícia Federal, seja os ministérios públicos, seja o Coaf, seja o próprio Banco Central, seja a própria Secretaria da Receita Federal. E a partir dessas notificações e avisos é que essas operações vão começar a acontecer com mais frequência no país”, explicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Após a emissão dos autos, a Secretaria deve notificar as instituições financeiras e de pagamentos para que bloqueiem, em até 24 horas, os valores existentes e interrompam novas transações relacionadas à plataforma que opera irregularmente. A partir da notificação, essas instituições têm 48 horas para reportar o cumprimento da medida, que também será supervisionada pelo Banco Central.

Após a fase de autuação e notificação, que é conduzida pela Fazenda, a instauração e a condução dos processos administrativos ficam sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que notificará a parte envolvida para apresentar sua impugnação, de acordo com o decreto.

Durante esse processo, podem ser realizadas diligências e requisições de documentos e informações a instituições financeiras e entidades públicas. Também fica sob o guarda-chuva do MJSP a adoção das medidas necessárias à instrução do processo, inclusive a produção de provas para o esclarecimento dos fatos, observados o contraditório e a ampla defesa.

“Meu compromisso, o compromisso do ministro Wellington, do presidente Lula, é com tolerância zero ao jogo ilegal e um chamado cada vez mais rigososo para que as empresas regulares, as empresas que cumprem com a lei brasileira, nos ajudem a proteger as nossas famílias o quanto mais”, acrescentou Durigan.

  • Google Discover Icon
postado em 19/06/2026 12:08 / atualizado em 19/06/2026 12:10
x