Enquanto o mundo vê uma luz cada vez mais clara no fim do túnel em relação ao encerramento da guerra entre Estados Unidos e Irã, as principais cotações do petróleo no mercado internacional fecharam o dia em queda nesta terça-feira (16/6). O movimento já era esperado em razão da sinalização de acordo entre o regime xiita e o presidente Donald Trump, que pode ser assinado até o fim desta semana.
O barril do tipo Brent com vencimento em agosto, utilizado como referência para a maioria dos países, terminou a sessão em baixa de 5,06%, a US$ 78,96; já os contratos de julho do West Texas Intermediate (WTI) — principal cotação para os EUA — desvalorizaram 5,82%, a US$ 76,05. É a primeira vez desde março que ambos os índices fecham o dia abaixo do patamar de US$ 80.
A forte queda no preço do barril de petróleo é explicada pelo alívio nas tensões geopolíticas globais, após o anúncio de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir integralmente o Estreito de Ormuz. Um possível acordo entre os dois países pode permitir que o governo de Teerã volte a comercializar o combustível após mais de três meses de restrições.
Na avaliação do economista-chefe da Bluemetrix Asset, Renan Silva, esse movimento removeu de forma abrupta o “prêmio de risco” que sustentava a commodity em patamares elevados, levando o barril do Brent para a faixa abaixo de US$ 80, seu menor nível em três meses. Além disso, a Opep reduziu suas previsões de crescimento de demanda global para 2026, aumentando a pressão vendedora.
“O lado positivo reside no custo do transporte. O petróleo mais barato no exterior reduz a pressão por reajustes nos preços do diesel e da gasolina nas refinarias brasileiras. No médio prazo, isso reduz os custos de frete e atua como uma força deflacionária na cadeia de alimentos e no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) global”, avalia o economista.
Ações da Petrobras em queda
Como as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) possuem uma correlação direta com a cotação internacional do óleo, o recuo do Brent gera uma desvalorização imediata nos papéis da estatal. No fechamento do pregão, os papeis ordinários (ON) da companhia registraram queda de 1,1%; os preferenciais, por sua vez, recuaram 1,5%.
Apesar do susto e do pregão no vermelho, analistas de mercado apontam que, mesmo que o Brent se acomode em patamares menores (próximos a US$ 80), a Petrobras continua apresentando uma forte geração de caixa e capacidade de manter um forte rendimento de dividendos.
Na próxima segunda-feira (22), a companhia paga a segunda parcela de remuneração aos acionistas pelo resultado do quarto trimestre de 2025, que corresponde a cerca de R$ 0,62 por ação ordinária e preferencial em circulação, para quem tinha posição na companhia no último dia 22 de abril.
O economista da Bluemetrix avalia que a derrocada do petróleo gera um efeito cascata em múltiplos setores da economia nacional. “Quanto às ações da companhia, por representarem maior peso no principal índice da Bolsa brasileira, a forte queda da Petrobras puxa o Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo) para o terreno negativo, mesmo em dias de otimismo em Wall Street”, comenta.
A queda das ações da Petrobras contribuíram para a derrocada do Ibovespa no dia de hoje. No fechamento da sessão, o principal índice da B3 encerrou o dia com queda de 0,45%, aos 169.648 pontos. Nos Estados Unidos, os índices de Nova York fecharam o pregão de forma mista, com o Dow Jones subindo 0,92%, enquanto que Nasdaq e S&P 500 registraram baixas de 1,15% e 0,57%, respectivamente. Em relação ao câmbio, o dólar comercial fechou o dia com alta de 0,39%, cotado a R$ 5,08.
Combustível mais barato
A principal vantagem da desvalorização do preço do petróleo é a queda no preço dos combustíveis e, consequentemente, do frete no mundo inteiro, como ressaltam especialistas ao Correio. Embora o alívio inflacionário seja bem-vindo, o economista Renan Silva destaca que as revisões do Boletim Focus mantêm o mercado local vigilante quanto à trajetória fiscal e à taxa Selic.
“A queda nas commodities de exportação reduz o fluxo comercial de dólares para o país, o que tende a manter o câmbio pressionado em patamares mais altos, limitando uma queda mais expressiva da moeda americana”, destaca o especialista. No último relatório publicado na segunda-feira (15) pelo Banco Central, os agentes do mercado financeiro elevaram de 5,11% para 5,3% a estimativa para o IPCA em 2026.
Já para o analista da Ouro Preto Investimentos Bruno Komura, a retomada do fluxo de navios escoando o petróleo do Oriente Médio deve tirar a pressão na commodity, apesar de levar um tempo até que tudo se normalize. “Com o petróleo caindo, as empresas como Petrobras e Prio acabam caindo. Ambas empresas exportam petróleo e por isso são afetadas pelo preço da commodity”, avalia.
