Copa 2026

Copa do Mundo: jogos à noite atraem brasileiros aos bares e restaurantes

Setor espera faturar R$ 2,42 bilhões no período e, para isso, adota estratégias para atrair clientes

Com mais de 100 jogos desde a abertura, no último dia 11 de junho, até a grande final, no dia 19 de julho, a maior Copa do Mundo da história em termos de participantes e de investimento também promete atrair milhões de brasileiros aos bares e restaurantes, principalmente nos jogos da Seleção. Todas as três partidas do Brasil na fase de grupos ocorrem no período noturno, o que facilita a ida dos torcedores a esses estabelecimentos para acompanhar o futebol.

Uma estimativa publicada ontem (18/6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o segmento de bares e restaurantes deve faturar R$ 2,42 bilhões durante o torneio — o que representa um salto de 15,7% em relação ao Mundial do Catar, em 2022. Além do impacto direto dos jogos nos 90 minutos de bola rolando, o setor também aposta no chamado “prêmio Copa”, que movimenta os estabelecimentos no bimestre junho-julho mais do que o normal para a época.

O volume de receitas dos estabelecimentos em anos de Copa do Mundo cresce, em média, 5,4% a mais nessa época do que em períodos equivalentes sem o torneio. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, explica que esse fenômeno ocorre porque a competição atua como um catalisador de frequência e elevação do tíquete médio.

“Um eventual bom desempenho da Seleção Brasileira é um motor interessante para a economia local. À medida que o Brasil avança nas fases do Mundial, a tendência é de um aumento proporcional na movimentação de clientes, consolidando o setor de alimentação fora do domicílio como um dos grandes pilares de injeção de recursos no varejo durante o evento”, avalia.

Mesmo com um cenário econômico de juros mais restritivos, o que historicamente desestimula a compra de bens duráveis, como televisores, o setor de bares e restaurantes se mantém blindado à inflação, como explica o economista da CNC. Segundo Bentes, o faturamento bilionário no setor comprova que a Copa de 2026 será marcada pelo consumo de proximidade e pela valorização da gastronomia como espaço de torcida.

“O brasileiro, diante do crédito mais caro para o parcelamento de longo prazo, prioriza a experiência imediata de lazer, em vez da compra parcelada de uma televisão, item tradicional para a ocasião, por exemplo”, acrescenta.

Aposta na tradição

Arquivo Pessoal - O gerente Damião, na unidade Asa Sul, com os garçons Nascimento e Nelson.

Tradicional nas transmissões da Copa do Mundo no Distrito Federal desde o primeiro mundial no México, em 1970, o bar Beirute — presente na Asa Sul e na Asa Norte — conta com promoções exclusivas para os jogos do Brasil, como explica um dos proprietários, Francisco Emílio.

“A gente tem aqui o ‘Happy Beira’ nos dias dos jogos. O dia todo com chopp promocional e alguns petiscos, também, com desconto, sendo frango a passarinho, a kafta, a ‘palito’ e porção de mini kibe. E tem, também, o Beira Bolão, que o pessoal também faz as suas apostas e ganham um copo especial para a Copa, também dando direito a 3 chopps, um refri e um salgado”, conta o sócio do restaurante.

Divulgação - Assistir os jogos do mundial no Beirute Bar e Restaurante é tradição desde a edição de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato

Emílio lembra que o sucesso do Beirute na Copa do Mundo surgiu ainda no mundial de 70, quando os brasilienses foram comemorar o tricampeonato na 109 Sul, o que virou uma tradição para outras copas.

“Ainda tem isso do pessoal se encontrar no Beirute Norte, de acompanhar a seleção, de vibrar, de comemorar, e a gente quer estar junto, também, aproveitando esses momentos e a gente sabe que Copa do Mundo isso faz parte da cultura do brasileiro, dos brasilienses, e a gente fica feliz de compartilhar e celebrar todos esses momentos juntos”, acrescenta.

Experiência imersiva

Divulgação - Fundado em 2014, na época da Copa do Mundo no Brasil, o Pasquim Bar e Prosa da Vila Madalena, em São Paulo (SP), virou ponto de encontro de torcedores nos últimos mundiais.

Além de simplesmente televisionar as partidas, alguns restaurantes adotam estratégias para atrair os torcedores com experiências que vão além do dia de jogo. Localizado na Vila Madalena, bairro nobre e boêmio de São Paulo, o Pasquim Bar e Prosa, desde a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, aposta no mundial para conquistar novos clientes, inclusive em jogos de outras seleções, pelo fato de a capital paulista ser uma cidade cosmopolita e abrigar estrangeiros de diversos países.

Na unidade principal, o restaurante fez uma ambientação completa com faixas e bandeiras, displays e table tents. “Isso reforça nosso posicionamento como bar de todas as Copas e todos os dias, todos os jogos, mostrando que televisionaremos absolutamente todos os jogos da copa”, conta o sócio do Grupo 3T Brasil, Humberto Munhoz, que controla o bar paulistano.

Ainda com o objetivo de enriquecer a experiência, o bar lançou itens comemorativos exclusivos como o ‘Shot da Sorte’, Moscow Mule do Brasil com espumas verde e amarela, o Drink Canarinho com espuma amarela e o Sanduíche Porta de Estádio.

“Somos um dos apenas dois bares no Brasil selecionados como Embaixada da Copa Smirnoff (Seleçoff), o que nos permitiu ambientar todo o espaço em parceria com a marca, criar um menu especial de caipirinhas das seleções e ativar uma promoção interativa: na compra de uma régua com duas caipirinhas, o cliente ganha uma raspadinha premiada, com a possibilidade de conquistar diversos prêmios, incluindo a camisa oficial da Seleção Brasileira”, afirma Munhoz.

Divulgação - Fundado em 2014, na época da Copa do Mundo no Brasil, o Pasquim Bar e Prosa da Vila Madalena, em São Paulo (SP), virou ponto de encontro de torcedores nos últimos mundiais.

Para conseguir abrigar mais torcedores, o Pasquim decidiu reorganizar o layout do bar, removendo 80% das mesas e cadeiras durante o dia, para, segundo eles, deixar “um espaço mais fluido e dinâmico”. No lugar, os proprietários incluíram mais mesas bistrô para aumentar a circulação e a capacidade geral do bar, permitindo que mais torcedores possam desfrutar da experiência simultaneamente.

“Essa mudança não apenas amplia nosso potencial de público, mas também cria um ambiente mais vibrante e acessível, onde as pessoas podem se mover livremente, interagir umas com as outras e viver intensamente cada momento da Copa”, completa.

Open bar como estratégia

Divulgação - O Bebedouro Bar e Fogo possui duas unidades em Belo Horizonte (MG) e aposta na localização privilegiada da Pampulha, um dos bairros nobres da cidade, para atrair torcedores durante a Copa do Mundo.

Às margens da Lagoa da Pampulha, um dos pontos turísticos mais inconfundíveis de Belo Horizonte, o Bebedouro Bar & Fogo oferece um visual diferenciado para os mineiros e turistas que querem acompanhar a Copa do Mundo bebendo cerveja e comendo petiscos como frango a passarinho e linguiça acebolada. Além da opção do à la carte, o bar abriu a possibilidade dos torcedores desfrutarem de um “open bar”, como explica Diogo Manfredini, um dos sócios do local.

“Na época da Copa, a gente tem os pontos de atendimento, faz vários bares, várias estações de churrasco, e a pessoa pode ir nesses pontos e se servir, comprar a carne, ou pegar bebida do open, ou se está na outra área do bar e comprar bebida que quiser, enfim, fica uma dinâmica para conseguir colocar um pouco mais de gente na casa e fazer aquela pressão de torcida que precisa em jogo de futebol e isso transmite emoção, também”, explica Manfredini.

Ao contrário dos outros estabelecimentos já mencionados, o Bebedouro é estreante na Copa do Mundo. Fundado em 2023, é a primeira vez que eles transmitem o maior evento futebolístico do planeta. Apesar de não ser um dos bares mais tradicionais de BH, os clientes esgotaram as mesas no primeiro jogo do Brasil, contra Marrocos. Por conta disso, o proprietário do restaurante disse que a expectativa é manter a casa cheia, torcendo para que a Seleção avance para as próximas fases.

“A expectativa é de muito movimento para os próximos jogos e, também, de evoluir o evento conforme os jogos forem passando, porque a gente tem essa cultura dentro dos nossos bares de escutar muito os nossos clientes, os verdadeiros clientes da casa, e pegar muito feedback do que eles passam”, diz.

Horário favorável

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, compara essa edição com a última Copa, realizada no Catar, em 2022, que ocorreu no fim daquele ano. Com o mundial de volta ao período de inverno no Brasil, ele acredita que, além da recuperação da renda em comparação ao pós-pandemia e do mercado de trabalho aquecido, o calendário desta edição joga a favor do comércio.

“Os três primeiros jogos da Seleção Brasileira ocorrem fora do horário comercial, o que torna cada noite uma oportunidade para quem estiver disposto a receber a empolgação do torcedor em seu estabelecimento. Do mesmo modo que o Natal para o comércio e o carnaval para o turismo, a Copa do Mundo dá a chance, a cada quatro anos, de o empresário se planejar e aproveitar a movimentação extra”, avalia Tadros.

Mais Lidas

Divulgação - Fundado em 2014, na época da Copa do Mundo no Brasil, o Pasquim Bar e Prosa da Vila Madalena, em São Paulo (SP), virou ponto de encontro de torcedores nos últimos mundiais.
Arquivo Pessoal - O gerente Damião, na unidade Asa Sul, com os garçons Nascimento e Nelson.
Divulgação - Assistir os jogos do mundial no Beirute Bar e Restaurante é tradição desde a edição de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato
Divulgação - Fundado em 2014, na época da Copa do Mundo no Brasil, o Pasquim Bar e Prosa da Vila Madalena, em São Paulo (SP), virou ponto de encontro de torcedores nos últimos mundiais.
Divulgação - O Bebedouro Bar e Fogo possui duas unidades em Belo Horizonte (MG) e aposta na localização privilegiada da Pampulha, um dos bairros nobres da cidade, para atrair torcedores durante a Copa do Mundo.