
Em 2025, a quantidade de usuários da internet no país ultrapassou, pela primeira vez, os 90% da população de 10 anos ou mais, estimada em 186,4 milhões de pessoas, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua-Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad-TIC), divulgada, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E nesse estudo, o Distrito Federal registrou os melhores indicadores de conectividade do Brasil, segundo dados da pesquisa. Os resultados mostram ampla presença de internet, celulares, computadores e serviços digitais nos lares da capital federal, além de níveis elevados de uso da internet entre a população. A pesquisa aponta que 98,2% dos domicílios do DF utilizavam internet em 2025, o maior percentual entre todas as unidades da Federação. O índice permanece estável desde 2021, indicando que o acesso à rede virtual já alcançou praticamente a totalidade dos lares do DF.
Em 2025, a população estimada do quadradinho foi de 2,6 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade, e destas, 2,5 milhões (96,8%) utilizaram a internet no período de referência dos últimos 3 meses. Em 2024, 95,9% da população de 10 anos ou mais de idade tinha utilizado a internet no período de referência, passando para 96,8% em 2025, maior percentual da série histórica iniciada em 2016.
O total de brasileiros conectados vem crescendo desde 2016, ano inicial da série da Pnad. Naquela época, 66,0% da população de 10 anos ou mais havia utilizado a internet no período de referência; passando de 79,4%, em 2019; e para 90,5%, em 2025.
Em nota divulgada pelo Ministério das Comunicações, o ministro Frederico de Siqueira Filho comemorou o percentual recorde de brasileiros acessando a internet. Segundo a pasta, os números da pesquisa refletem os investimentos realizados pelo governo do Brasil tanto na expansão da infraestrutura quanto em iniciativas que promovem a inclusão digital da população. "Chegar a mais de 90% da população conectada é um resultado histórico para o Brasil. Esse avanço demonstra que estamos ampliando o acesso às oportunidades que a internet proporciona, mas também investindo para que as pessoas possam utilizar a tecnologia de forma cada vez mais qualificada. Inclusão digital significa inclusão social, geração de oportunidades e mais cidadania para os brasileiros", disse o ministro.
Embora ainda permaneça o menor no grupo de pessoas que usam a internet, a faixa de 60 anos ou mais registrou a maior expansão de pontos percentuais no crescimento de usuários. Em 2024, a proporção era de 70,1%, e cresceu para 74,5%, em 2025. Por outro lado, a população mais jovem, de 10 a 13 anos, apresentou uma queda de 0,5 ponto percentual, sendo a única faixa etária que diminuiu entre 2024 e 2025. O uso da internet por essa parcela da população caiu de 84,9% para 84,4%. Entre os que não acessaram a rede, os principais motivos foram a falta de necessidade (33,8%) e a preocupação com privacidade ou segurança (30,3%).
Principais usos
O primeiro motivo para o uso da internet, segundo o levantamento, foi conversar por chamadas de voz ou vídeo, alcançando 95,3% dos entrevistados. A segunda finalidade mais relatada foi enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos de e-mail (90,2%). Na sequência, destacam-se: assistir aos vídeos, inclusive, programas, séries e filmes (89,3%); usar redes sociais (84,9%); ouvir músicas, rádio ou podcast (83,7%); acessar bancos ou outras instituições financeiras (74,2%); e ler jornais, notícias, livros ou revistas.
Pela primeira vez, mais da metade dos usuários relataram realizar compras ou encomendar bens ou serviços pela internet (52,7%). Segundo o estudo, o meio de acesso indicado pelo maior número de pessoas de 10 anos ou mais de idade que utilizou a internet foi, destacadamente, o telefone móvel celular (98,7%), seguido, em menor medida, pela televisão (57,8%), pelo microcomputador (33,4%) e pelo tablet (9,2%).
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De acordo com a pesquisa, estima-se que, em 2025, 167,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade tinham telefone celular para uso pessoal, o que correspondia a 89,8% da população do país dessa faixa etária. Em 2016, 77,4% da população de 10 anos ou mais de idade tinha posse, crescendo para para 81,3%, em 2019, até atingir 89,8%, em 2025, o maior valor da série. O uso do celular teve um comportamento similar ao uso da internet: crianças de 10 a 13 anos apresentaram uma queda percentual de usuários — de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025 —, enquanto os idosos são a faixa etária com o maior crescimento passando de 78,3% para 80,3% neste mesmo período.
A preocupação com privacidade ou segurança foi o principal motivo da diminuição no número de crianças com um celular pessoal. Segundo a psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato, a maior preocupação das famílias reside nos crimes virtuais, os quais demandam um monitoramento constante e assíduo.
*Estagiário sob a supervisão de Rosana Hessel
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