
O Palácio do Planalto repudiou a aplicação de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros em um pronunciamento divulgado na madrugada desta quinta-feira (16/7). “O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e os EUA como um marco lastimável”, afirmou o governo brasileiro.
O Executivo também sustentou que o “lamentável desfecho” das investigações baseadas na Seção 301 faz “parte de um enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.
“São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições”, diz o comunicado.
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve nos Estados Unidos na semana passada e participou de uma audiência pública que integrou o processo da investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano. Antes da decisão, o parlamentar voltou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso as novas tarifas fossem implementadas.
“Hoje os EUA decidem se vão taxar o Brasil ou não. Enquanto o Lula atacou e provocou os Estados Unidos o tempo todo, eu fui lá negociar. Bati em todas as portas, conversei com quem tinha que conversar. Fiz isso nos EUA e vou fazer também em relação à tarifa chinesa. Os interesses do Brasil sempre vêm na frente”, escreveu Flávio na rede social X.
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Durante a audiência, o senador afirmou que aquele era o “pior momento” para a adoção das tarifas, em referência ao período eleitoral, e declarou que a alíquota de 25% “penaliza todo o povo brasileiro”. O pronunciamento do governo também deixa claro que a maioria das manifestações eram contrárias a aplicação de novas tarifas. "Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço."
Entenda
O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A decisão foi tomada após o presidente Donald Trump acatar a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), chefiado por Jamieson Greer, encerrando uma investigação comercial que durou cerca de um ano.
Na nota, o governo brasileiro afirma que não há justificativa para a adoção de tarifas unilaterais e argumenta que, segundo dados do próprio governo norte-americano, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
“O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, afirma o pronunciamento.
O Planalto também reiterou que atuou de forma ininterrupta junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para tentar encerrar as investigações baseadas na Seção 301. Entre os principais pontos contestados pelo governo brasileiro estão as alegações envolvendo o Pix, a regulação das plataformas digitais e o combate ao desmatamento. Segundo a nota, o governo apresentou evidências para rebater todas as acusações e afirmou que elas são “descabidas” ou “absurdas”.
"O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros", pontuou o Executivo.
Próximos passos
O governo brasileiro afirmou que vai continuar com as medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros. Uma das principais apostas é a ampliação de parcerias comerciais.
"Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional."
Além disso, o Brasil vai iniciar imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
"Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la."
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