
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve atingir cerca de US$ 11 bilhões em exportações, o equivalente a 26,2% das vendas do Brasil ao mercado norte-americano, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A medida, que entra em vigor em 22 de julho, incide sobre aproximadamente 4 mil produtos brasileiros, apesar da inclusão de 429 novos itens na lista de exceções pelo governo dos Estados Unidos.
Na avaliação da CNI, a ampliação das isenções reduziu parte dos impactos esperados para a indústria brasileira, mas não elimina os prejuízos para segmentos exportadores. Entre os setores mais afetados estão Madeira, com 83,1% das exportações aos Estados Unidos sujeitas à nova tarifa, Minerais não metálicos (56,3%), Químicos (51,8%), Alimentos (38,1%), Veículos automotores (30,3%), Celulose e papel (24%) e Máquinas e equipamentos (12,5%).
Segundo a entidade, a sobretaxa compromete a competitividade da indústria brasileira em um de seus principais mercados externos e atinge principalmente produtos manufaturados, como molduras de madeira, granito, álcool etílico, açúcar bruto, carne suína, pasta química de madeira e equipamentos industriais.
Exceções
Apesar do impacto, a decisão final do governo norte-americano ampliou a lista de produtos isentos de 1.698 para 2.126 códigos tarifários, incorporando 429 novos itens, entre eles ferro-gusa, hidróxido de alumínio, café instantâneo, mel orgânico, tilápia e lagosta.
De acordo com a CNI, as novas exceções reduziram em cerca de US$ 2,3 bilhões o volume de exportações inicialmente ameaçadas pela tarifa, resultado atribuído às articulações do setor produtivo brasileiro e norte-americano durante as consultas públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
"A ampliação da lista de produtos isentos representa um alívio para alguns setores da indústria brasileira e demonstra que o trabalho técnico e o diálogo conduzidos pelo setor produtivo produziram efeitos práticos. É um avanço importante, mas ainda distante do cenário ideal que buscamos”, destacou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Segundo ele, é preciso concentrar esforços nos demais segmentos que continuarão sujeitos à sobretaxa. “Não podemos esquecer que ainda existe outra investigação americana que pode incluir uma nova tarifa nos produtos brasileiros. O momento exige que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja intensificado para que possamos construir soluções que preservem uma relação comercial estratégica", afirmou.
Custo elevado
A entidade destaca ainda que 60,3% das exportações atingidas correspondem a bens intermediários utilizados pela indústria dos Estados Unidos, o que, na avaliação da confederação, também pode elevar custos para empresas americanas. Além disso, o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano em 10 dos 13 principais produtos alcançados pela medida.
A CNI também alerta para o risco de agravamento das restrições comerciais. Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos conduzem uma segunda investigação comercial que poderá resultar na aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5%, elevando a tributação total sobre alguns produtos brasileiros para 37,5%. Diante desse cenário, a entidade defende a intensificação das negociações entre os governos e entre os setores produtivos dos dois países para evitar novas barreiras comerciais e preservar a relação bilateral.

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