
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou nesta terça-feira (21/7) que o setor segue preocupado com a possibilidade de ampliação das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, mas defendeu que a resposta do Brasil continue sendo conduzida pela via diplomática, descartando apoio à aplicação imediata da Lei de Reciprocidade.
Segundo Velloso, embora uma eventual tarifa de 37,5% sobre máquinas e equipamentos represente um problema menor do que uma taxação linear de 25% aplicada exclusivamente ao Brasil, o cenário continua sendo considerado grave para a indústria nacional.
Diante das incertezas, o dirigente destacou a necessidade de diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Ele ressaltou que o setor de máquinas e equipamentos tem demonstrado capacidade de reação, registrando crescimento de 12% nas exportações nos últimos 12 meses, mesmo diante da perda de participação em seu principal mercado externo.
Ao comentar a possibilidade de adoção de medidas retaliatórias pelo governo brasileiro, Velloso afirmou que a Abimaq não é favorável à reciprocidade neste momento. Para ele, ainda há margem para o avanço das negociações diplomáticas e empresariais.
O presidente da entidade destacou o apoio recebido de empresas e associações norte-americanas durante audiência pública realizada em Washington pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo ele, houve pouca ou nenhuma manifestação de empresas dos EUA favoráveis à taxação de máquinas e equipamentos brasileiros. "Fizemos um trabalho de diplomacia empresarial que deu certo", afirmou.
Na avaliação de Velloso, a motivação das tarifas adotadas pelos Estados Unidos possui forte componente político, já que, sob a ótica econômica e comercial, não haveria justificativa para o distanciamento entre os dois países.
Lei de Reciprocidade
O dirigente também ponderou que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica não é um processo simples e exige etapas formais, incluindo a realização de consulta pública no Brasil.
Segundo ele, caso essa consulta ocorra, a tendência é que grande parte dos setores produtivos se posicione contra a adoção de medidas retaliatórias, incluindo a indústria de máquinas e equipamentos.
Velloso argumentou que o histórico da relação bilateral reforça a necessidade de manutenção do diálogo. Ele lembrou que o Brasil registra deficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, além de os norte-americanos serem os maiores investidores estrangeiros diretos no país. Da mesma forma, os Estados Unidos também concentram parcela significativa dos investimentos privados brasileiros no exterior.
Para o presidente da Abimaq, esses fatores demonstram que não há fundamentos econômicos ou comerciais que justifiquem a imposição de tarifas ao Brasil.
Mesmo com o apoio do setor privado norte-americano às posições brasileiras, os Estados Unidos decidiram avançar com as medidas tarifárias, o que, na visão da entidade, reforça o caráter político da decisão.
"Não entendemos que reciprocidade ou retaliação vai resolver um problema político", afirmou Velloso, defendendo que a solução passe pela atuação conjunta da diplomacia de Estado e da diplomacia empresarial junto ao empresariado norte-americano.

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