
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos avalia que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos devem reduzir a competitividade dos produtos nacionais, mas mantém expectativas positivas para a ampliação das exportações a outros mercados. A avaliação foi feita nesta terça-feira (21/7) pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, após reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Segundo Velloso, o encontro marcou o início das discussões entre o governo federal e o setor produtivo sobre a nova fase do chamado tarifaço, após a decisão norte-americana de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
“Foi a primeira reunião que nós tivemos com o governo, aqui na vice-Presidência, tratando do novo tarifaço. O governo nos convidou para essa conversa, mostrando bastante sensibilidade e preocupação com as nossas exportações”, afirmou.
O dirigente ressaltou que o setor já enfrentou uma situação semelhante anteriormente e que as experiências passadas servem de parâmetro para as medidas que serão discutidas com o Executivo. “Nós estamos trabalhando com o governo, apresentando propostas para melhorar a competitividade do setor de máquinas e equipamentos”, disse Velloso.
Exportações recordes
Apesar da redução das vendas para os Estados Unidos, o presidente da Abimaq afirmou que a indústria segue registrando desempenho histórico nas exportações. “Nós estamos batendo recorde de exportações. Se a gente pegar um acumulado nos últimos 12 meses, estamos com um crescimento de 12% nas exportações, apesar de uma grande queda para os Estados Unidos”, destacou.
Segundo ele, a perda de espaço no mercado norte-americano foi compensada pela abertura de novos destinos para os produtos brasileiros. “Tivemos uma queda de exportação nos EUA, mas fomos buscar novos mercados e logramos. Então, a expectativa é muito boa, é um setor que responde muito ao estímulo das exportações”, enfatizou.
Ainda de acordo com o presidente da entidade, a participação dos Estados Unidos nas exportações do setor caiu ao longo dos últimos anos. Antes do primeiro ciclo de tarifas, o país representava cerca de 31% das vendas externas do segmento. Esse percentual caiu para 26% durante o primeiro tarifaço e, atualmente, está em 22%. “Mesmo caindo os Estados Unidos, nós crescemos.”
Propostas ao governo
Durante a reunião de hoje, a Abimaq apresentou sugestões divididas em duas frentes. A primeira envolve medidas voltadas ao aumento da competitividade da indústria, incluindo aperfeiçoamentos em linhas de crédito à exportação, seguros e mecanismos de drawback. “São medidas setoriais para melhorar a competitividade do nosso produto e diminuir o Custo Brasil”, explicou Velloso.
A segunda frente trata de ajustes no programa Brasil Soberano. Segundo o dirigente, a entidade defende a ampliação dos critérios de elegibilidade para facilitar o acesso de empresas ao programa. “É um programa bom, que já mostrou resultado. Se conseguirmos ampliar a elegibilidade, vamos conseguir melhorar o resultado ainda mais”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de acúmulo de tarifas, elevando a carga para até 37,5% em alguns casos, Velloso afirmou que a sobretaxa de 25% é a que mais preocupa o setor. “A tarifa de 25% é pior porque é uma tarifa para o Brasil. Ela tira a competitividade do nosso produto em relação ao produto asiático, europeu ou de outras origens”, disse.
De acordo com ele, embora a tarifa adicional de 12,5% também representa um custo extra, ela atinge igualmente outros concorrentes internacionais.
O presidente da Abimaq ressaltou também que a situação é particularmente sensível para a indústria de máquinas porque os Estados Unidos possuem produção própria.
“Nós temos um problema adicional em relação à indústria brasileira: os Estados Unidos têm uma indústria de máquinas. Os Estados Unidos são nossos concorrentes nossos”, concluiu.

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