Política monetária

Galípolo diz que juros devem seguir restritivos por mais tempo

Presidente do Banco Central cita resiliência da economia, choques externos e expectativas de inflação desancoradas como fatores para manter cautela na política monetária

"É uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros num patamar restritivo por um período mais longo", destacou o presidente do BC - (crédito: Raphael Ribeiro/BC)

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24/7) que o cenário atual exige a manutenção dos juros em patamar restritivo por mais tempo. Segundo ele, a resiliência da economia brasileira, os choques externos, como os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o petróleo, e as expectativas de inflação ainda desancoradas são fatores que justificam a cautela na condução da política monetária.

“Isso obviamente é uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros num patamar restritivo por um período mais longo”, afirmou Galípolo durante participação na Expert XP, em São Paulo.

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Segundo o chefe do BC, o Comitê de Política Monetária (Copom) trabalha com diferentes “planos de voo” para definir os próximos passos da política monetária, avaliando quais trajetórias têm maior capacidade de levar a inflação de volta à meta de 3% com menor custo em termos de volatilidade. “Trabalhamos com trajetórias que contemplam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e de retomada no ciclo”, disse.

Galípolo afirmou que o atual momento exige observação dos efeitos da política monetária sobre as expectativas de inflação. Segundo ele, uma eventual pausa no ciclo de juros faz parte das possibilidades analisadas pelo BC para o segundo semestre.

“A sensação que tenho é a de que, em alguns momentos dessa pausa, estamos tentando esperar para ver como isso vai influenciar as expectativas. Essa pausa para observar pode ser algo a se considerar para o segundo semestre, esse plano de voo do Banco Central, e como devemos ler esse movimento.”

O presidente do BC também comentou os impactos do fenômeno El Niño sobre a inflação. Segundo ele, não há um padrão definido para cada ocorrência do fenômeno, o que dificulta a identificação de uma tendência clara para os próximos meses. “Quando a gente olha para uma série histórica, a gente tem casos de El Niño mais forte que impactaram a inflação negativamente e que impactaram positivamente a produtividade. Não é fácil você extrair uma tendência clara”, disse.

IA 

Ainda na avaliação de Galípolo, as incertezas relacionadas aos efeitos da inteligência artificial sobre a inflação são uma preocupação relevante para os formuladores de política monetária. Ele afirmou que há diferentes interpretações sobre o impacto da tecnologia na economia, especialmente em relação à produtividade, investimentos e demanda. “Existem aqueles que entendem que inicialmente a IA é inflacionária porque pressiona o investimento, que é um componente da demanda”, afirmou.

O presidente do BC explicou que parte dos analistas avalia que a inteligência artificial pode gerar pressões inflacionárias persistentes por causa do aumento da demanda energética para sustentar a tecnologia. Outra corrente, segundo ele, considera que os efeitos sobre a inflação dependerão do aumento da produtividade e da remuneração dos trabalhadores.

Galípolo também destacou que o Brasil tem apresentado uma posição mais favorável diante da valorização do petróleo, por ser exportador da commodity e manter diferencial de juros em relação a outras economias. “Esses fatores têm sido as linhas de defesa para o Brasil”, avaliou.

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postado em 24/07/2026 14:49 / atualizado em 24/07/2026 14:50
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