
Começou nesta segunda-feira (27/7) o programa Move Brasil Entregadores e Motoapp, do governo federal, iniciativa que busca ampliar o acesso ao crédito para entregadores e mototaxistas por meio do financiamento de motos e bicicletas. A meta é viabilizar a aquisição de 100 mil veículos de duas rodas em todo o país.
A operação será realizada pela Caixa Econômica Federal, com recursos subsidiados pelo Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) e garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Além da compra dos veículos, o programa também prevê apoio financeiro para a expansão de estruturas voltadas à recarga e troca de baterias de modelos elétricos.
Poderão participar trabalhadores vinculados a plataformas digitais de transporte e entrega que possuam cadastro ativo há, pelo menos, seis meses e que tenham realizado, no mínimo, 100 corridas ou entregas.
O programa também contempla ciclistas, motofretistas e mototaxistas contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), desde que estejam há, pelo menos, seis meses na mesma empresa.
Os veículos financiados deverão ser novos e fabricados no Brasil ou contar com investimentos ativos para produção nacional. No caso das motocicletas movidas a combustão, serão aceitos apenas modelos com motores de até 160 cilindradas equipados com tecnologia flex. Veículos exclusivamente a gasolina ou híbridos não poderão participar da iniciativa.
Sem entrada
Para os modelos elétricos, o programa estabelece limite de potência de 7.500 watts para motocicletas e de 1.000 watts para bicicletas.
Uma das principais características da linha de crédito é a possibilidade de financiar até 100% do valor do veículo, sem necessidade de entrada. As taxas anuais de juros serão de 11,5% para mulheres e 12,5% para homens, patamar inferior à média de mercado registrada em abril de 2026, que era de 26,6%.
Na avaliação de Ricardo Humberto Rocha, coordenador dos programas de pós-graduação em Finanças do Insper, o Move Brasil pode gerar impacto positivo na renda dos trabalhadores ao facilitar o acesso a veículos mais novos e eficientes."Se um entregador que trabalha com uma moto muito velha passar a utilizar uma moto nova, ele terá condições de trabalhar mais horas ou poderá, eventualmente, trocar a moto por um pequeno carro popular para realizar entregas de produtos maiores. Uma linha de crédito, se for bem utilizada e acompanhada de planejamento, pode gerar um impacto bastante positivo", afirma.
"O maior desafio para o entregador é apresentar a documentação necessária, comprovar que não está negativado e realizar um planejamento que demonstre que possui geração de caixa suficiente para pagar as parcelas do financiamento", explica.
Para o economista e sócio da Valor Investimentos, Davi Lelis, o programa representa uma política de crédito voltada à aquisição de um ativo produtivo, diferentemente de linhas destinadas ao consumo. "Quando falamos dessas motos e bicicletas, não estamos tratando necessariamente de consumo, pois elas representam as ferramentas de trabalho dessas pessoas, ou seja, constituem um capital gerador de renda", afirma.
Segundo ele, as taxas reduzidas previstas pelo programa diminuem significativamente o custo do financiamento em comparação às condições normalmente oferecidas pelo mercado. "O Move Brasil oferece uma taxa de financiamento de 11,5% para mulheres e 12,5% para homens. Esse patamar corresponde, praticamente, à metade da taxa média praticada na linha convencional, que estava em torno de 26,6% em abril, reduzindo o custo do crédito para investimento na atividade profissional", explica.
*Estagiário sob a supervisão de Victor Correia
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