
O setor público consolidado registrou deficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho, resultado acima da expectativa do mercado e o maior para o mês desde 2021, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31/7) pelo Banco Central (BC).
Ao mesmo tempo, a dívida bruta avançou para 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando o maior patamar em mais de quatro anos.
O deficit primário — que considera a diferença entre receitas e despesas, sem incluir o pagamento de juros da dívida — ficou acima da mediana das projeções do mercado, que apontava saldo negativo de R$ 49,3 bilhões.
Embora tenha apresentado leve melhora em relação ao deficit de R$ 56,131 bilhões registrado em maio, o resultado foi o pior para um mês de junho desde 2021, quando o rombo alcançou R$ 65,508 bilhões. No acumulado de 12 meses até junho, o setor público registrou resultado negativo de R$ 1,32 trilhão.
Pela metodologia do Banco Central, o governo central — composto por Tesouro Nacional, Banco Central e INSS — respondeu pela maior parte do resultado negativo, com deficit de R$ 47,236 bilhões. Estados e municípios registraram saldo negativo conjunto de R$ 6,609 bilhões, enquanto as empresas estatais encerraram o mês com deficit de R$ 1,468 bilhão.
Considerando apenas os governos regionais, os Estados tiveram deficit de R$ 8,189 bilhões, parcialmente compensado pelo superavit de R$ 1,581 bilhão dos municípios.
Dívida bruta
Em paralelo, a dívida bruta do setor público consolidado subiu de R$ 10,622 trilhões para R$ 10,809 trilhões entre maio e junho, passando de 81% para 81,9% do PIB. O indicador atingiu o maior nível desde abril de 2021, quando correspondia a 82,6% do PIB.
O recorde histórico continua sendo o de dezembro de 2020, no auge das medidas fiscais adotadas durante a pandemia de covid-19, quando a dívida alcançou 87,6% do PIB.
Esse é um dos principais indicadores utilizados por investidores e agências de classificação de risco para medir a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade de pagamento do país. Quanto maior o endividamento, maior tende a ser a percepção de risco fiscal.
Já a dívida líquida do setor público, que desconta ativos como as reservas internacionais, também avançou no período. O indicador passou de 67,9% para 68,5% do PIB, totalizando R$ 9,034 trilhões em junho.

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