
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) derreteu 1,73% nesta sexta-feira (7/8) e consolidou o pior resultado do principal índice da B3 desde o último mês de maio. No acumulado dos cinco dias, a bolsa brasileira desabou 3,08% e chegou aos 172.513 pontos, próximo à mínima do dia. Somente nos dois últimos pregões da semana, o Ibovespa recuou 2,96%.
O destaque do dia foram as ações da Petrobras (PETR3;PETR4), que recuaram 3,42% e 2,99%, respectivamente, no fechamento do pregão. O resultado negativo ocorre um dia após a companhia registrar o terceiro maior lucro líquido da história, em termos nominais. Os papeis da empresa, inclusive, chegaram a valorizar acima de 2% no começo do dia, mas viraram para queda ainda pela manhã.
O que desagradou o mercado, segundo especialistas consultados pelo Correio, foi uma declaração do diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, que afirmou que a companhia não deve distribuir dividendos extraordinários após o balanço recorde. A decisão, segundo ele, se ampara na expectativa de que a cotação do petróleo retorne aos níveis previstos no planejamento estratégico da empresa. “Vejo pouca probabilidade de extraordinários porque não acho que o Brent fica nesse patamar”, disse.
Para a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, por ter um peso relevante na composição do índice, a reação do mercado à petroleira ditou o ritmo da bolsa ao longo de todo o pregão. “Em paralelo, os investidores locais ainda calibram seus portfólios após o tom firme adotado pelo Banco Central brasileiro no meio da semana, que ao sinalizar a manutenção de juros em patamares restritivos por mais tempo, cria um ambiente mais desafiador para as ações de empresas ligadas ao consumo interno”, avalia a especialista.
Além da Petrobras, outras petroleiras também desabaram na sessão, como foi o caso da Petrorio (PRIO3), que recuou 1,98% ao final do dia, e da Vibra (VBBR3), que caiu 2,34%. Também não foi o dia das mineradoras – a Vale (VALE3) recuou 0,56% no final do dia, enquanto que a CSN Mineração (CMIN3) registrou uma das maiores quedas do pregão, com menos 5,22% no final.
Impacto do Copom
O especialista e portfólio manager do Banco Sofisa, Rafael Pastorello, avalia que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado após o fim da reunião da última quarta-feira (5/8) – que reduziu para 14% ao ano (a.a) os juros nominais – contribuiu para impactar negativamente o resultado da bolsa brasileira nas duas últimas sessões da semana.
“O mercado reagiu negativamente ao comunicado do Copom, que não sinalizou novos cortes e destacou a persistência das pressões inflacionárias sobre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)”, comentou o especialista.
No mesmo dia, o real manteve o movimento de valorização ante o dólar. Nesta sexta-feira, o câmbio da moeda norte-americana recuou 0,47%, cotado a R$ 5,08. Na análise de Pastorello, a divisa brasileira aproveitou o momento de enfraquecimento global do dólar, após a divulgação de dados mais fracos de emprego nos EUA.
“Com a menor perspectiva de aperto monetário adicional pelo Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA), o diferencial de juros segue favorecendo operações de carry trade e contribuindo para o suporte da moeda brasileira”, avalia o especialista.

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