CONTAS PÚBLICAS

Alckmin defende esforço fiscal para melhorar a relação dívida-PIB

Em evento de banco privado em São Paulo, vice-presidente admite que governo precisa controlar despesas para conter aumento da dívida e ajudar a acelerar corte de juros, "mas sem comprometer a atividade"

Vice-presidente Geraldo Alckmin -  (crédito: Divulgação/PSB)
Vice-presidente Geraldo Alckmin - (crédito: Divulgação/PSB)

Em evento voltado para o mercado financeiro, em São Paulo, o vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), reconheceu que o governo precisa controlar as despesas para melhorar a trajetória de crescimento da dívida pública, e, assim, conseguir uma redução mais rápida da taxa básica da economia (Selic), atualmente em 14% ao ano. Segundo ele, é preciso um esforço fiscal para melhorar a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB), "mas sem comprometer a atividade econômica".

"Há que se fazer um esforço para melhorar a relação dívida sobre PIB, eu acho que essa é a questão central, não adianta eu corto, corto, corto e o PIB desaba, vou ter desemprego, recessão e não vou resolver o problema. A questão é aumentar o PIB segurando a despesa para melhorar a relação dívida PIB", disse Alckmin, em evento do BTG Pactual.  

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A fala de Alckmin foi direcionada para a Faria Lima, famosa avenida paulistana que reúne os principais operadores do mercado financeiro. Vale lembrar que o mercado anda bastante crítico ao forte aumento de gastos do governo em pleno ano eleitoral.

A maioria dos agentes financeiros, inclusive, aposta que será difícil para o atual governo, se vencer as eleições, fazer o ajuste necessário para evitar a explosão do endividamento pública, porque não é o que a prática vem mostrando. Ciente dessa falta de credibilidade do mercado financeiro no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve se reunir com empresários na noite de hoje.

Nesta segunda-feira, o Banco Central divulgou novo aumento na dívida pública bruta para 82,5% do PIB, maior patamar desde abril de 2021.

Alckmin também citou os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2003 e 2010, como exemplo de período em que afirma ter havido melhora desse indicador. O vice-presidente reconheceu que o cenário internacional é mais desafiador do que em ciclos anteriores de crescimento, em razão de conflitos geopolíticos, desaceleração econômica global e pressões inflacionárias. Ainda assim, avaliou que o Brasil possui condições de avançar simultaneamente no controle dos gastos e na expansão da atividade econômica.

Segundo o vice-presidente, o país reúne vantagens competitivas em áreas como segurança alimentar, energia limpa e minerais críticos, o que pode atrair investimentos e sustentar o crescimento nos próximos anos. "Tem espaço para se segurar a despesa e fazer o PIB crescer, nós temos espaço para isso ", afirmou.

Ao comentar as metas fiscais, Alckmin defendeu a estratégia do governo de perseguir resultados primários positivos. "Vejo muitos discursos, mas vamos ver a prática", disse.

Sobre política monetária, Alckmin afirmou que os juros elevados representam um obstáculo para a economia e indicou que o Banco Central poderia acelerar o ritmo de flexibilização monetária. Questionado se a autoridade monetária pesou a mão na condução da Selic, respondeu: "É claro que entendo que o BC deveria descer mais rápido os juros.", afirmou.

Na avaliação de Alckmin, nem todas as pressões inflacionárias podem ser combatidas por meio da política monetária e que "tem coisas que não se resolvem com juros". Alckmin citou oscilações nos preços dos alimentos decorrentes de eventos climáticos e aumentos do petróleo provocados por tensões geopolíticas. Segundo ele, elevar a taxa de juros não resolve problemas ligados à oferta agrícola nem altera o comportamento do mercado internacional de energia.

Fim da jornada 6x1

No evento do BTG, Alckmin ainda demonstrou otimismo na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a escala de trabalho 6x1. Segundo ele, o texto pode avançar tanto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto no plenário do Congresso. Ele também disse esperar a apreciação de outros projetos considerados prioritários pelo governo, como o Redata, a retirada da chamada taxa das blusinhas, a proposta sobre minerais críticos e a PEC da Segurança Pública.

"Há uma tendência natural no mundo de redução de jornada, porque a tecnologia permite você fazer mais com menos gente ... acredito que devo votar provavelmente na semana . É possível que seja na CCJ e no plenário, mas o Congresso é sempre imprevisível", afirmou o vice-presidente.

De acordo com Alckmin, os avanços tecnológicos e a automação têm elevado a produtividade em diversos setores da economia, criando condições para jornadas menores de trabalho. Ele também destacou que o Congresso deve analisar a retirada da taxa das blusinhas, que incide sobre compras internacionais de pequeno valor. "Acho que essa semana vota a taxa das blusinhas, a retirada", disse. 

Outra votação prevista para esta semana, no Congresso, é a do Redata, programa voltado à atração de investimentos em data centers. Segundo ele, o projeto desperta interesse de empresas americanas e tem potencial para mobilizar grandes aportes no país.

"Deve votar o Redata, que vai estimular a data center, o Brasil precisa de investimento. Os Estados Unidos têm interesse no Redata, que pode trazer perto de R$ 1 trilhão em investimentos para o Brasil", afirmou.

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O vice-presidente também citou a proposta voltada à exploração de minerais críticos como uma das matérias que devem avançar nesta semana. Segundo ele, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras e ainda explora apenas uma parcela reduzida de seu potencial geológico. “Deve votar também minerais críticos, nós somos a segunda reserva do mundo em terras raras e só exploramos 30% do ponto de vista geológico, nós vamos ter muito boa notícia para frente."

Na área de segurança pública, Alckmin afirmou que a PEC da Segurança também deve ser apreciada pelo Congresso nos próximos dias. Ele defendeu maior participação dos municípios dentro do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), argumentando que a atuação local pode reforçar a prevenção e o combate à criminalidade. (Com informações da Agência Estado)

 

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postado em 31/08/2026 16:27 / atualizado em 31/08/2026 16:27
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