O Brasil se consolidou como um dos principais polos da chamada economia dos criadores de conteúdo, impulsionando a produção de vídeos, entretenimento e informação para milhões de pessoas dentro e fora do país. O crescimento da audiência, no entanto, contrasta com dificuldades enfrentadas pelos profissionais para formalizar as atividades, acessar crédito e negociar em condições equilibradas com empresas.
Dados apresentados pelo YouTube, durante o Brasil Digital e Criativo 2026 — o epicentro da cultura e da economia, nesta terça-feira (4/8), em Brasília, mostram que mais de 18% do tempo de exibição dos canais brasileiros é consumido por espectadores de outros países. O resultado reforça a presença internacional dos produtores nacionais e amplia a exportação da cultura brasileira por meio das plataformas digitais.
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Segundo a diretora de políticas públicas do YouTube para a América Latina, Alexandra Veitch, esse alcance demonstra a relevância da produção nacional. "Os criadores brasileiros exportam suas perspectivas únicas ao redor do mundo."
Outra mudança destacada pelo levantamento é a transformação dos hábitos de consumo no Brasil. Em 2025, pela primeira vez, o tempo de exibição do YouTube em aparelhos de televisão ultrapassou o registrado em dispositivos móveis. Para a representante da plataforma, essa mudança amplia o caráter coletivo do consumo de conteúdo. "O que eu amo nisso é imaginar famílias assistindo ao YouTube juntas."
Falta de reconhecimento formal preocupa setor
Apesar do crescimento do mercado, representantes da economia dos criadores afirmam que a atividade ainda não tem um enquadramento adequado na estrutura burocrática brasileira. A principal dificuldade apontada é a inexistência de uma Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específica para a profissão. Sem esse registro, os profissionais encontram obstáculos para acessar crédito, linhas de financiamento e outros serviços voltados a empresas.
O debate sobre a regulamentação da atividade também envolve o governo federal. O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil, Paulo Pereira, reconheceu que o país precisa conciliar desafios históricos com novas demandas da economia digital. "Nós somos um país de renda média e nós temos uma agenda do século 16 e do século 20 ao mesmo tempo", afirmou.
Segundo ele, o governo precisa equilibrar investimentos em áreas essenciais, como saneamento básico, com políticas voltadas para setores inovadores, entre eles a produção de conteúdo digital. Entre as propostas em estudo estão a adaptação das regras fiscais para microempreendedores, a atualização das leis de incentivo ao audiovisual para atender novos formatos de produção e mudanças nas compras públicas relacionadas à comunicação.
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