
O combate ao crime organizado no setor de combustíveis depende de integração entre órgãos públicos, troca de informações e trabalho de inteligência. A avaliação é do diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pietro Adamo Sampaio Mendes, que participou nesta terça-feira (15/9) do CB Talks Segurança para o desenvolvimento do Brasil: uma agenda contra o crime organizado, evento promovido pelo Correio.
Ao comentar operações realizadas nos últimos anos contra a atuação criminosa no mercado de combustíveis, Mendes apontou a cooperação entre diferentes instituições como um dos principais pilares para desmantelar quadrilhas.
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“O primeiro deles é cooperação. Não é possível você fazer operações que efetivamente desmantelam quadrilhas e, aí eu estou falando, pegando um pouco aí da fala, andar de cima, se você não tiver cooperação”, afirmou.
Segundo o diretor, a troca de informações entre instituições tem sido ampliada. Ele citou como exemplo um acordo recém-assinado entre a ANP e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que permitirá à agência ter acesso a informações da corporação. O segundo pilar, de acordo com Mendes, é a inteligência. Nesse trabalho, ele destacou a atuação da Receita Federal e das Secretarias de Fazenda em conjunto com a ANP.
Mendes afirmou que o avanço das articulações criminosas no setor de combustíveis fez com que as fraudes ultrapassassem os limites econômicos e alcançassem a saúde pública. Ele citou a Operação Carbono Oculto, que, segundo o diretor, ajudou a desmantelar uma quadrilha envolvida com metanol. O produto, utilizado para adulterar bebidas, é tóxico e pode provocar cegueira e outros efeitos graves à saúde. “As articulações são tão grandes no setor de combustíveis que as fraudes chegaram a ponto da saúde pública”, afirmou.
Segundo Mendes, quadrilhas especializadas em adulterar bebidas adquiriam etanol em postos de combustíveis sem saber, inicialmente, que o produto também continha metanol. A substância era posteriormente utilizada na fraude de bebidas. De acordo com o diretor da ANP, o esquema provocou mais de 20 mortes até que fosse identificada a origem do produto.
A ANP, segundo ele, conseguiu identificar uma rota de importação pelo Porto de Paranaguá, por onde o metanol era distribuído. A partir dessas informações, foi realizada uma operação conjunta com a Polícia Federal e o Ministério Público.
Mendes também ressaltou a participação do setor privado no combate às fraudes. Segundo ele, a ANP não dispunha inicialmente de equipamentos capazes de identificar imediatamente a presença de metanol nos postos.
O procedimento exigia a coleta de uma amostra, o envio para análise em laboratório e o retorno da equipe ao estabelecimento. Nesse intervalo, o produto adulterado poderia já ter sido comercializado. “A detecção imediata em campo” foi possível, segundo Mendes, a partir de equipamentos doados à agência por meio de articulações com o Ministério Público e entidades do setor.


