Eleições 2026

Flávio contraria o tesouraço e anuncia novas bondades

Promessas feitas pelo candidato à Presidência, como a volta do Perse e o "vira-Pix" indicam aumento de gastos, e não corte, como propõe a campanha

 Flavio Bolsonaro em encontro com cantores sertanejos -  (crédito: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro)
Flavio Bolsonaro em encontro com cantores sertanejos - (crédito: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro)

Quanto mais próximo do segundo turno, mais o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anuncia medidas que contrariam a promessa de "tesouraço" nas contas públicas. Ontem, em suas redes sociais, o candidato prometeu retomar um programa de benefícios fiscais que custou perto de R$ 50 bilhões, e que foi alvo de investigações da Receita por irregularidades. Já a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, anunciou proposta para devolver aos cidadãos parte dos gastos com boletos. Essas e outras promessas seguem sem estimativa de custos, fontes de financiamento e mesmo detalhes sobre como serão implementadas.

"Você  sabia que o  maior  programa de incentivo aos artistas e eventos foi criado em 2021? E você sabe quem fez? Ele mesmo, o Jair (Bolsonaro). Eu vou restabelecer o Perse para todos os setores de eventos culturais, shows e turismo, que hoje estão sufocados e endividados pela crise que esse governo colocou o país inteiro" anunciou o senador.

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O anúncio ocorreu logo antes de um encontro de Flávio com cantores e empresários da música sertaneja, diretamente beneficiados pela isenção, em Goiás. Cantores como Gusttavo Lima, Eduardo Costa, Rodolffo e César Menotti comemoraram a promessa de retorno do Perse.

O programa foi criado em 2021 como forma de recuperar o impacto da pandemia no setor de eventos, um dos mais afetados pelas medidas de isolamento social. Empresas como casas de shows, salas de cinema, hotéis e dezenas de outras ligadas a eventos e atividades culturais receberam isenção de impostos federais. O programa foi extinto em abril de 2025.

A Receita estima um impacto total de R$ 50 bilhões no orçamento público entre 2021 e 2025, com o Perse. Flávio, em seu programa de governo, promete um "tesouraço" de R$ 250 bilhões nas contas do governo caso eleito, mas também defende medidas que aumentam o gasto, como a volta do Perse e o congelamento de dívidas. Além do impacto fiscal, o Perse também foi alvo de investigações por irregularidades. Em 2024, a Receita notificou mais de 2 mil empresas beneficiárias que receberam a isenção indevidamente. Em outra frente, no mesmo ano, uma operação da Polícia Federal (PF) sobre lavagem de dinheiro teve como alvo uma empresa que usou o Perse pra lavar dinheiro do PCC.

Outra promessa que chamou a atenção ontem foi a do "Vira Pix", anunciada pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, coordenadora do plano econômico de Flávio. A ideia é que o governo devolva parte dos gastos de todos os brasileiros com contas e prestações, via Pix, como uma espécie de cashback. "Conta de luz, prestação, taxa, tudo o que você pagar, uma parte volta para o seu bolso. Vai virar Pix para você", diz a postagem. A menção à proposta ocorre a cinco dias do segundo turno das eleições. Apesar da promessa, a campanha do presidenciável não detalhou como será calculado o valor devolvido, nem apresentou estimativa de custo aos cofres públicos  e fontes de financiamento. A proposta também não está no programa de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Durante o debate da TV Band, no domingo, Flávio prometeu comprar as dívidas dos brasileiros e congelá-las por seis meses, para pessoas físicas, e por um ano, para empresas.  Flávio também descarta, repetidamente, mexer em medidas como o Bolsa Família e a vinculação de benefícios ao salário mínimo.

Esquerda bate

Vendo uma fraqueza na campanha adversária, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a explorá-la nas redes. Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, publicou um vídeo questionando a viabilidade do congelamento de dívidas. "É algo impossível de ser implementado e que prejudicaria diretamente você, empresário, cidadã, que precisa de crédito para comprar um móvel, uma geladeira, ou até a casa própria", disse Durigan. "Nenhum governo tem o poder de implementar um calote geral na economia que, na prática, travaria todos os sistemas de crédito. Se isso acontecer, no dia seguinte, você, que precisa de um crédito para antecipar uma fatura do seu negócio, ou que for financiar a compra de um bem em qualquer loja, ou o produtor rural, que precisa do crédito para viabilizar a sua safra, tudo isso estaria inviabilizado", acrescentou.

Já o perfil oficial de Lula publicou um vídeo no qual o vice-presidente Geraldo Alckmin, preparando um café, também critica a falta de explicações sobre o plano econômico do adversário, especialmente o corte de R$ 250 bilhões. "Flávio jura, de pé junto, que não vai cortar benefícios sociais. É por isso que a conta não fecha de jeito nenhum", disse Alckmin. "Ou ele está mentindo para você, eleitor, e não vai fazer corte nenhum, ou ele está escondendo quem vai perder com esse corte", emendou. Apesar das contradições da campanha de Flávio, o senador segue como a principal aposta do mercado financeiro para promover um corte de gastos do governo. Resta saber quais das promessas serão cumpridas caso o candidato vença o segundo turno: o ajuste ou as benesses econômicas?

 


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postado em 20/10/2026 23:32
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