
O Comitê de Política Monetária (Copom) define, no fim da tarde desta quarta-feira (4/11), o novo patamar da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano. Desde o fim do período eleitoral, marcado pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a expectativa de manutenção da Selic ganhou força. Nos cenários atuais, essa é a possibilidade mais provável, com 72,5% de chance, segundo as opções de Copom da B3, ante 26% para um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.).
Além de definir a nova taxa, a reunião tem um peso diferente desta vez. Para o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, será mais um teste para indicar se a autoridade monetária manterá a autonomia para decidir os juros, com base nos critérios técnicos da autarquia, ou se cederá à pressão do próprio governo federal pela continuidade da trajetória de queda, observada desde março de 2026, quando a Selic deixou o patamar de 15% ao ano.
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Outro fator importante e que deve ser ainda mais observado pelos agentes de mercado, segundo analistas consultados pelo Correio, é a próxima comunicação do BC. Mesmo se o Copom decidir pela redução da taxa Selic nesta reunião, caso a ata divulgada pelo banco sinalize um tom mais duro e a interrupção da sequência de quedas no encontro seguinte, os investidores podem reagir positivamente, como avalia Victor Souza, sócio da Cash Wise Investimentos.
“A decisão pode ser de queda de 0,25 p.p., mas se for bem escrito e bem embasado, pode ser que o mercado ainda confie. Bem como, também, pode ser que o Banco Central mantenha a taxa de juros e venha com um discurso que vai derrubar nas próximas e o mercado não goste”, avalia Souza.
O especialista acredita que ainda há espaço para novas quedas da Selic, tendo em vista que o Brasil segue como o país com os maiores juros reais do mundo (quando se desconta a inflação). Mesmo assim, ele acredita que o comunicado do BC deve apostar no pragmatismo, como nos últimos anos, já com Galípolo na presidência da autarquia.
“Neste momento, o mercado está bem delicado por causa das eleições ainda, gerindo a incerteza da política econômica que vai ser seguida. Como ele não sabe se o governo vai ser, ou não, austero no fiscal, se o governo vai, ou não, buscar o centro da meta do arcabouço, ele acaba acreditando em rumores, acaba acreditando e precificando rumor, ou especulação. E isso deixa o cenário bem certo e bem duvidoso”, considera.
André Souza, analista da Miura Investimentos, também acredita em uma situação “indigesta” para Galípolo, que recentemente sofreu pressão, inclusive, da ala governista do Congresso Nacional nas redes sociais. “O importante é o governo se mexer e procurar diminuir o déficit das contas públicas e buscar credibilidade no mercado”, pontua o especialista.
Mercado reprecificou aposta nos juros
No relatório de Mercado Focus divulgado nesta terça-feira (3), a mediana das projeções para os juros em 2026 passou de 13,25% para 13,5%, o que indica que parte dos agentes ainda acredita em mais uma redução da Selic, se não nesta, na próxima reunião, em dezembro. Apesar disso, também crescem as apostas em uma interrupção abrupta dessa sequência.
A consultoria Tendências foi uma das casas que revisou a previsão para o Copom. O economista e sócio Silvio Campos Neto justificou que o cenário pós-eleições foi a principal influência para esse movimento.
“Esse momento é realmente propício para o Banco Central mostrar uma postura mais firme, por mais que a economia já esteja desacelerando e esse até é um fator que indica a perspectiva de retomada da queda dos juros mais à frente. Mas a gente tem que superar esse período de maior turbulência, de maior incerteza, de maior pressão cambial”, avalia.



