
A rivalidade entre Brasil e França ganhou novo capítulo em Doha. Desde a virada por 3 x 2 em 2019, nas semifinais da Copa do Mundo Sub-17, a Seleção carregava a memória de um raro triunfo sobre os franceses. O reencontro na manhã desta terça-feira (1811), agora em mais um Mundial de base, trouxe outra reviravolta digna da história do confronto. Após sair em desvantagem no primeiro tempo, o Brasil virou no fim da segunda etapa e levou a disputa para os pênaltis. João Pedro, herói da classificação anterior, assumiu novamente o protagonismo ao defender duas cobranças e colocar a Amarelinha nas quartas de final.
No tempo regulamentar, o próprio João Pedro havia cometido o pênalti que originou o primeiro gol da partida. Ele defendeu a cobrança, mas Himbert aproveitou o rebote, sem marcação, e abriu o placar para Les Bleus. O Brasil empilhou chances e chegou até a desperdiçar até um pênalti, com Ruan Pablo. A recompensa veio apenas aos 88 minutos, quando Pietro empatou o confronto. Nas penalidades, o Brasil venceu por 4 a 3, com duas defesas de João Pedro, que já havia pegado outras três cobranças diante do Paraguai na fase anterior.
O roteiro relembra o de 2019, no Mundial Sub-17 disputado no Bezerrão, no Gama. Na ocasião, a França abriu 2 a 0, mas levou a virada por 3 a 2 aos 89 minutos. Naquele ano, a campanha terminou com o título brasileiro. Agora, com a vaga nas quartas assegurada, a Seleção aguarda o vencedor de Mali e Marrocos, duelo marcado para hoje, às 12h45.
O jogo
Natural pela pouca idade, os atletas dos dois lados demonstraram nervosismo. Os primeiros minutos foram marcados por cautela. O Brasil se mostrou mais incisivo no ataque, mas observava como a França se comportaria: bem diferente do Paraguai, último adversário. Enquanto os paraguaios davam espaço, os franceses valorizavam a posse e circulavam a bola com paciência. A estratégia brasileira foi adiantar as linhas e pressionar a saída dos Les Bleus.
Logo aos dois minutos, Dudu Patetuci pediu desafio do VAR por possível pênalti em Lucas Ramon. A arbitragem manteve a decisão de campo e considerou o lance normal. O Brasil voltou a chegar aos 10’ e acumulava as melhores ações ofensivas até então. Após boa triangulação na entrada da área, a jogada parou na marcação. Aos 22’, mais uma boa chegada: Ruan Pablo cobrou falta com perigo. A bola quicou na pequena área e exigiu defesa em dois tempos do goleiro francês.
Dali em diante, a França cresceu. A pressão sobre o meio-campo brasileiro aumentou e a equipe de Patetuci passou a ficar encurralada. O sinal mais claro da exposição veio aos 30’, quando o zagueiro Lomet atravessou o campo com liberdade até acionar Batola. Ele tocou para Camara infiltrar cara a cara com João Pedro. O goleiro resvalou na perna do atacante, e o árbitro assinalou pênalti. A comissão brasileira pediu mais um desafio e foi novamente recusado: penalidade máxima para os franceses.
Herói contra o Paraguai, com três defesas em disputa de pênaltis, João Pedro precisava repetir o desempenho para manter o Brasil vivo. Batola bateu no canto esquerdo e o goleiro acertou o lado e defendeu, mas Himbert apareceu livre no rebote e completou para o gol: 1 x 0 para a França. O Brasil reagiu após o golpe, voltou a produzir e buscou o empate, mas desceu para o intervalo em desvantagem.
Segundo tempo
A etapa final começou com o mesmo ímpeto apresentado no fim do primeiro tempo. Nos primeiros segundos, Zé Lucas achou Tiago nas costas da marcação. O meia tentou acionar Dell na área, mas a defesa afastou. Logo depois, o Brasil ganhou falta na meia-lua. Ruan Pablo cobrou e carimbou a trave. Lucas Eduardo tentou o rebote, sem sucesso.
A postura brasileira mexeu com a França. A possibilidade de virada lembrava a semifinal do Mundial Sub-17 de 2019, quando o Brasil reverteu um 2 x 0 para 3 x 2. Exposta no ataque em busca do empate, o Brasil quase tomou o segundo. Munongo recebeu nas costas da zaga e saiu frente a frente com João Pedro. O goleiro cresceu no lance e salvou a pele amarelinha.Patetuci buscou renovar o fôlego ofensivo e colocou o camisa dez, Gabriel Mec. Na primeira participação, criou grande oportunidade: balançou pela esquerda, deixou o marcador para trás e cruzou em direção a Dell, que não conseguiu concluir.
As chances desperdiçadas trouxeram ansiedade, e a equipe perdeu precisão nas finalizações. No apagar das luzes, aos 80’, o Brasil teve pênalti a favor. A França pediu revisão no VAR, mas o árbitro confirmou a marcação. Ruan Pablo cobrou e acertou a trave esquerda de Ilan Jourdren. A insistência, porém, se manteve. Aos 88’, Pietro, recém-entrado, aproveitou sobra após escanteio e finalizou de primeira no ângulo, empatando o duelo e levando a decisão para os pênaltis.
Pênaltis
As esperanças brasileiras voltaram a se concentrar em João Pedro. Logo na primeira cobrança francesa, Camara parou nas mãos do goleiro santista. Dell abriu a série do Brasil e contou com a sorte: após defesa parcial do arqueiro francês, a bola entrou lentamente. Mounguengue converteu a segunda dos Les Bleus, assim como Luís Pacheco, para o Brasil, que acertou o ângulo sem chance de defesa. Os terceiros cobradores também marcaram: Nassoko para a França e Gabriel Mec para a Seleção. Na quarta série, Ameline manteve os europeus à frente, mas Pietro, herói no tempo normal, desperdiçou e deixou tudo igual: 3 a 3.
Nas quintas cobranças, heróis foram formados. Na batida francesa, João Pedro brilhou outra vez e defendeu o chute de Leccese – o terceiro do goleiro nesta manhã. A responsabilidade final ficou com Ruan Pablo. Depois de acertar a trave no tempo regulamentar, o camisa sete tinha a chance de se redimir e confirmar a vaga. Com tranquilidade, deslocou o goleiro e bateu no canto esquerdo, sem força, mas com precisão para garantir a classificação do Brasil às quartas de final do Mundial Sub-17: 4 a 3 e festa da Amarelinha em Doha.
Ficha técnica
Mundial Sub-17 – Oitavas de Final
Brasil 1 (4) x (3) 1 França
Local: Aspire Zone Stadium, em Doha, no Catar.
Arbitragem: Rustam Luftullin
Brasil
João Pedro; Arthur Ryan, Luccas Ramon, Luís Eduardo e Ângelo (Luís Pacheco); Zé Lucas, Felipe Morais (Pietro) e Tiago (Vinicius Rocha); Kayke (Gabriel Mec), Ruan Pablo e Dell. Técnico: Dudu Patetuci
Gol: Pietro
Cartão amarelo: Dudu Patetuci
França
Ilan Jourdren; Ounissi, Ruben Lomet, Abdoulaye Nassoko e Lucas Batbedat; Lesueur (Ameline), Abdoulaye Camara e Believe Munongo (Leccese); Christ Batola, Antoine Valero (Diarrassouba) e Remi Himbert. Técnico: Luiz Guilherme
Gol: Himbert
Cartões amarelos: Não houve
*Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

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