
Leonardo Pereira — Martín Anselmi, de fato, saiu em baixa do Porto. Em janeiro de 2025, pegou o bonde andando e não resistiu à má campanha no Mundial de Clubes da Fifa, em junho. Seis meses de trabalho e sem uma pré-temporada para conhecer bem os jogadores, montar o plantel em comunhão com o departamento de futebol e imprimir as suas digitais na equipe portuguesa. Ele pagou, assim, o preço pelo mau planejamento dos Dragões. No entanto, o treinador rosarino não tombou e, como colocaria o antropólogo Capitão Nascimento, "caiu para cima". Em dezembro do ano passado, o Botafogo o escolheu para ocupar o cargo de técnico da equipe mais importante do futebol brasileiro. Anselmi iniciou, neste domingo (4), no Espaço Lonier, um salto importante na carreira.
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Aos 40 anos, Anselmi só não pode repetir o cenário que marcou a passagem de Davide Ancelotti. Com o antecessor do argentino, não houve uma via de mão dupla. Ou seja, de julho a dezembro de 2025, o Botafogo, de certa forma, "impulsionou" a trajetória do jovem treinador italiano e não obteve o retorno na mesma proporção – duas eliminações nas Copas e uma vaga protocolar na fase eliminatória da Libertadores. O clube proporcionou a Ancelottinho a chance de equivocar-se, aprender com os próprios erros e crescer, metodologia típica de um iniciante (palavra utilizada aqui sem nenhuma conotação pejorativa, cabe ressaltar). A SAF do Alvinegro segurou as pontas nos piores momentos do filho da Seleção Brasileira. Entretanto, na primeira desavença, o europeu resolveu optar pela ruptura.
Saiba Mais
Davide, por fim, deixou o Botafogo com dez jogos de invencibilidade e uma boa imagem para o mercado, se quiser, claro, continuar a carreira no comando de times ou ligas com alguma relevância no planeta. Martín Anselmi também ganha uma oportunidade valiosa de mostrar valor e encerrar (ou minimizar) alguns questionamentos da passagem pelo Estádio do Dragão. Apesar da pouca idade, o novo treinador alvinegro, contudo, não é um novato e já obteve resultados expressivos. O argentino já passou por Unión La Calera (CHL), Independiente Dell Valle (ECU), Cruz Azul (MEX) e Porto. No clube equatoriano, por exemplo, ganhou uma Copa Sul-Americana e uma Recopa, títulos que catapultaram o seu nome. Na América do Norte, também saiu com fervorosos defensores após um vice-campeonato nacional.
Novas diretrizes táticas no Botafogo
Para o trabalho não acabar prematuramente no sexto mês, a torcida da Estrela Solitária terá papel preponderante. Não pode pedir a cabeça do comandante no quarto embate, galera! A paciência será fundamental, pois Anselmi deve implementar novos conceitos durante a era SAF. É a primeira vez que o Glorioso terá, assim, um profissional assumidamente com inspiração em Marcelo Bielsa, vanguardista argentino que estabeleceu novos parâmetros no futebol e valorizou demais o desempenho na forma com a qual busca as vitórias nas partidas. Se o treinador colocar em prática suas convicções logo de cara, o Botafogo precisará se acostumar a atuar com três zagueiros, uma linha de dois alas e dois meias por trás de um centroavante, desenho tático inédito desde 2022, quando o empresário John Textor concretizou a compra do Fogão. Tempo, portanto, é uma palavra-chave.
Aprovado nas redes sociais e com expectativa positiva do botafoguismo, Anselmi, agora, conta com uma pré-temporada inteira para moldar a equipe de acordo com a sua filosofia. E o clube, enfim, contratou um treinador que tem o pensamento orientado para o "DNA ofensivo". Em Condições Normais de Temperatura e Pressão (a famosíssima CNTP) e com uma boa preparação física, o Botafogo pode ser um time competitivo novamente. Mas precisará de alguns ensaios.
*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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