CANDANGÃO

Nova geração de jogadores reinventa Campeonato Candango

Levantamento do Correio atesta rejuvenescimento constante dos jogadores do torneio local. Equipe com mais atletas nascidos nos anos 2000 entre os candidatos ao título, Real Brasília puxa a fila da renovação na elite do DF

No fim de semana, o atacante Erick estreou pelo Real Brasília aos 17 anos: símbolo da evolução da juventude na elite do Distrito Federal -  (crédito: Júlio César Silva/Real Brasília)
No fim de semana, o atacante Erick estreou pelo Real Brasília aos 17 anos: símbolo da evolução da juventude na elite do Distrito Federal - (crédito: Júlio César Silva/Real Brasília)

Na visão de muitos torcedores, o Campeonato Candango ainda carrega a fama de servir como torneio de refúgio para jogadores rodados, experientes e, muitas vezes, com passagens por grandes clubes do futebol nacional. No entanto, a cada nova temporada, a elite do Distrito Federal busca se reinventar, a ponto de se transformar, cada vez mais, em um abre-alas à nova geração. Passadas duas rodadas e com a terceira marcada para esta quarta-feira no formato de "superquarta", com cinco partidas ao longo do dia, a competição local chama atenção pelo alto índice de atletas nascidos no século atual.

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Levantamento realizado pelo Correio a partir das escalações das duas primeiras rodadas apontao panorama: 40,41% dos jogadores utilizados no Candangão026 nasceram após o ano 2000. O número representa 78 atletas dentro de um universo de 193 jogadores utilizados pelos 10 clubes concorrentes ao título, dado expressivo para um regional historicamente associado à experiência. O índice coloca o torneio do Distrito Federal acima de competições tradicionais, como o Campeonato Paulista. A elite de São Paulo apresenta 37,5% (126 de 336) de atletas pós-anos 2000.

O DF surge ligeiramente abaixo do Campeonato Carioca. O torneio tem 50,43% (117 de 232). O dado do estadual do Rio de Janeiro, porém, carrega uma observação importante. O regulamento permite escalações alternativas até a terceira rodada, marcada para este meio de semana, prática adotada por clubes de maior investimento para minimizar os efeitos do longo calendário. O Flamengo, por exemplo, iniciou a competição utilizando elenco formado integralmente por atletas do sub-20. Com a entrada gradual das formações principais dos grandes clubes, a tendência natural aponta queda considerável no percentual de jovens ao longo da competição. No Candangão, por outro lado, a juventude surge como estratégia estrutural, não como exceção circunstancial.

Entre os clubes do Distrito Federal, o Real Brasília aparece como símbolo máximo desse processo de rejuvenescimento. O Leão do Planalto escalou 16 atletas nascidos após 2000 entre 17 utilizados, atingindo índice impressionante de 94,12%. O número evidencia política clara de aposta em formação, intensidade física e projeção de ativos, mesmo diante de um campeonato competitivo e de curto prazo. No jogo anterior diante do Brasiliense, por exemplo, o atacante Erick estreou pelos profissionais aos 17 anos. Em 2023, inclusive, o Leão do Planalto foi campeão local com a estratégia de usar um elenco impulsionado por pratas da casa.

"Neste ano, o elenco foi montado de acordo com o DNA e o histórico do clube. Um grupo bem jovem, bem competitivo. O Real Brasília aposta muito nas categorias de base e, em 2026, não vai é diferente. Fizemos algumas contratações pontuais, alguns atletas que já estão rodando a nível profissional estão retornando para a equipe e contratamos mais outros atletas para incorporar o nosso plantel", destacou o técnico Raphael Miranda.

Outro destaque relevante aparece na Aruc, tradicionalmente associada à mescla de juventude e experiência. O time do samba utilizou 15 jogadores jovens nascidos após os anos 2000, alcançando 75% do elenco escalado nas duas primeiras rodadas. O Brasília segue caminho semelhante, com 13 atletas deste século entre 20 utilizados nas primeiras rodadas, equivalente a 65%, reforçando mudança de perfil em clubes historicamente mais conservadores nas escolhas. O Paranoá e o Samambaia ocupam faixa intermediária dentro do recorte. A Cobra Sucuri utilizou nove jovens em um total de 21 jogadores, chegando a 42,86%, enquanto o Cachorro Salsicha apresentou oito atletas nascidos após 2000 entre 19, com 42,11%.

No outro extremo da tabela aparecem equipes com menor participação da nova geração. O Brasiliense, dono de um dos elencos mais experientes do torneio e conhecido no país por apostar em atletas de renome, utilizou apenas seis atletas pós-2000 entre 23, índice de 26,09%. O dado, apesar de tímido, reforça a atenção do Jacaré com as categorias de base, retomadas na temporada 2023. O Capital e o Ceilândia repetem cenário semelhante, ambos com quatro jovens entre 19 jogadores, o equivalente a 21,05% em cada elenco, apostando em nomes mais rodados para sustentar campanhas de curto prazo.

O dado mais extremo surge no Gama e no Sobradinho. O Periquito escalou apenas dois atletas nascidos após 2000 entre 18 utilizados, registrando 11,11%. Vice-campeão candango sub-20 em 2025 e um dos quatro representantes do Distrito Federal na Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Leão da Serra apresentou o menor índice do campeonato: um jogador jovem entre 17, representando apenas 5,88%. O cenário reforça aposta clara em experiência, leitura de jogo e maturidade emocional como pilares competitivos.

O panorama indica mudança silenciosa, porém consistente, no perfil do Campeonato Candango. O torneio passa a funcionar como espaço real de formação e vitrine, aproximando-se de modelos adotados em centros com tradição exportadora. A presença elevada de atletas jovens também dialoga com exigências físicas atuais, ritmo intenso, maior volume de jogos e necessidade de elencos mais leves. Com a terceira rodada programada para hoje, todos os olhares se voltam para possíveis ajustes nas escalações. A tendência aponta manutenção do cenário, especialmente em clubes com planejamento baseado em médio prazo. Caso os números se sustentem, a elite local pode, definitivamente, romper com rótulos históricos e se firmar como um dos regionais mais jovens do país em 2026.

 

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DQ
postado em 21/01/2026 04:45
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