O bobsled brasileiro está pronto para a estreia na prova do quatro homens (4-man), etapa que encerra, hoje, a partir das 6h, a participação do país nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina. Após dias de treinamentos e ajustes finais, a equipe entra na pista confiante no trabalho realizado ao longo da temporada.
O bobsled é disputado em uma pista de gelo, na qual equipes descem em alta velocidade dentro de um trenó guiado por um piloto. As provas podem ser individuais, em duplas ou em equipes de quatro atletas, que empurram o trenó na largada e depois entram para a descida, com o tempo final definido pela soma das descidas. Cada equipe terá, ao todo, quatro descidas, divididas entre hoje e amanhã. Ao término da terceira, apenas os 20 melhores trenós farão a volta decisiva. A pista em Cortina possui 1445m de extensão, 16 curvas e 107m de diferença de altitude entre a largada e a chegada.
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O quarteto, formado por Edson Bindilatti, Davidson de Souza, Rafael Souza e Luís Bacca, concluiu as últimas sessões de treino focado na adaptação ao traçado e na definição do material que será utilizado durante a prova. A escolha das lâminas, considerada determinante no desempenho do trenó, foi feita após testes técnicos conduzidos em conjunto com a comissão técnica.
"O trabalho nesses dias finais foi intenso. Testamos diferentes configurações e agora é o momento de confiar no que foi preparado. A equipe está bem física e mentalmente pronta para competir", afirmou Davidson de Souza, o Boka, um dos pushers da equipe brasileira, responsável pela largada do trenó.
A prova do 4-man exige alto nível de sincronização entre os atletas, desde a largada até a condução do trenó ao longo do percurso. Além da força e explosão na saída, o conjunto depende de precisão técnica e leitura de pista, fatores que vêm sendo priorizados pela equipe brasileira nos últimos ciclos de preparação.
A participação brasileira no bobsled masculino faz parte de um projeto contínuo de desenvolvimento da modalidade no país, que tem buscado ampliar presença e competitividade em eventos internacionais. O Brasil tem se mantido como uma das referências entre as nações sem tradição histórica nos esportes de inverno, apostando em planejamento, intercâmbio técnico e continuidade de atletas.
Recompensa
Responsável por brindar o Brasil e a América Latina com a primeira medalha em Jogos Olímpicos de Inverno, e logo um ouro no esqui alpino, na prova slalom gigante, Lucas Pinheiro recebeu uma recompensa de R$ 350 mil do Comitê Olímpico do Brasil (COB) pelo feito.
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas quer ajudar no desenvolvimento de novos talentos dos esportes de inverno do Brasil. "O que me deixa realmente feliz é que eu estou em uma posição de trazer bem para o povo agora. Tenho a atenção do povo brasileiro em casa, a oportunidade de trazer o bem, trazer uma mudança. Estou muito animado", afirmou.
Segundo o presidente do COB, Marco Antonio La Porta, Lucas Pinheiro assegurou a participação no ciclo rumo aos Jogos de 2030, que serão disputados nos Alpes Franceses. "Logo após a prova da segunda-feira (slalom), a gente sentou com o Lucas para conversar um pouquinho e ele já nos garantiu esse próximo ciclo olímpico. Isso é muito importante, porque ele traz junto toda a liderança técnica de resultados, o que vai atrair mais atletas", analisou.
