
O atacante Rodrygo sofreu uma ruptura de ligamento cruzado anterior (LCA) e uma ruptura do menisco externo do joelho direito, lesão que o tira do restante da temporada e da Copa do Mundo. A confirmação da lesão ocorreu na manhã desta terça-feira (3/3), após o jogador realizar exames médicos no Real Madrid. A previsão de retorno é de sete meses.
A lesão ocorreu na última segunda-feira (2/3) na partida entre Real Madrid e Getafe. O brasileiro entrou aos 10 minutos do segundo tempo, porém, poucos minutos depois, sentiu dores no joelho. Rodrygo se manteve na partida, mas alegou dores na região após o apito final. O jogador estava realizando seu primeiro jogo após uma tendinite, que o afastou dos gramados por um mês.
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De acordo com a fisioterapeuta esportiva Luanda Azevedo, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), as causas para lesões graves como a do LCA podem ser multifatoriais.
É importante destacar que um fator isolado não determina a lesão, mas sim a interação entre diversos fatores. O aumento do tempo de exposição em jogos, que têm intensidade maior que os treinos, o cansaço acumulado e até aspectos psicológicos podem interagir e resultar na ruptura do LCA, explica.
Recuperação dividida em fases
A especialista detalha que o processo de recuperação de uma ruptura de LCA é longo e criterioso.
Após o diagnóstico, inicia-se uma fase pré-operatória para controle dos sintomas e preservação muscular. Depois da cirurgia, o tratamento é dividido por fases, com progressão na amplitude de movimento, fortalecimento, corrida, atividades com bola, mudanças de direção e contato. O retorno costuma ocorrer entre nove meses e um ano, dependendo de vários fatores, pontua.
Além do tempo de afastamento, a lesão traz impactos físicos e psicológicos que influenciam o desempenho no retorno. Casos recentes no futebol europeu mostram atletas que, mesmo após a liberação médica, enfrentam dificuldades para retomar o ritmo competitivo e, em alguns casos, sofrem novas lesões.
Os impactos não dizem respeito apenas ao dano estrutural, mas também ao período longe dos treinos e jogos. O ritmo de jogo precisa ser retreinado junto ao grupo. O fator psicológico, como a insegurança nas ações, também deve ser considerado no processo de return to play. E a lesão prévia se torna um dos principais fatores de risco para novas ocorrências, destaca.
Lesões no LCA preocupam no futebol europeu
No futebol europeu, o crescente número de atletas com lesões no LCA também tem gerado preocupação nos últimos anos. Para reduzir esse tipo de ocorrência, Luanda defende uma abordagem multidisciplinar nos clubes.
É fundamental investir em estratégias de recuperação, respeitar o controle de carga individual e coletivo e realizar rodízio de jogadores. Parece óbvio, mas nem sempre acontece, argumenta.
Além disso, outro ponto sensível é o aumento das viagens internacionais, impulsionado pela ampliação de competições e compromissos fora do país. Para a especialista, o impacto vai além do desgaste físico.
O desempenho depende do bem-estar bio-psico-social. Deslocamentos longos e frequentes podem gerar estresse, prejuízo no sono e dificuldade de recuperação. Some-se a isso a distância da rede de apoio e o alto nível de cobrança. Quanto maior a soma desses fatores, maior o desgaste e o risco de lesões mais graves, conclui.
Por fim, com a lesão, Rodrygo deve voltar a atuar apenas no final do ano, ficando fora da disputa da Copa do Mundo de 2026 com a Seleção Brasileira.

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