Candangão

Amor que não se mede: as paixões de família por Gama e Sobradinho

Em tempos de "modinha" por times europeus, conheça duas famílias do Distrito Federal que cultivam a paixão de berço por Gama e Sobradinho, protagonistas da final de hoje, às 16h, no Estádio Nacional Mané Garrincha

Quando os candangos de diversas regiões do país desembarcaram no Cerrado para construir a capital, trouxeram na bagagem as tradições populares. A diversidade cultural moldou a identidade do Distrito Federal e o futebol local sente os efeitos colaterais. Na região, encontram-se torcedores de diversos clubes do Brasil, mas há brasilienses fiéis aos times nativos.

Hoje, Gama e Sobradinho disputam a final do Candangão, às 16h, no Mané Garrincha. Da arquibancada, na qual foram disponibilizados 70 mil ingressos gratuitos, heranças como as do gamense Elielson Queiroz e a filha Ana Luísa; e das alvinegras Nayara Ohana e Lara são regadas diariamente e resistem até mesmo à "modinha" de devoção das crianças, adolescentes, jovens e até marmanjos a clubes europeus como Barcelona, PSG, Real Madrid, Manchester City...

Nascido e criado no Gama, Elielson começou a torcer para o alviverde aos oito anos, acompanhando o tio Antônio Augusto. Na época, os dois se aventuravam juntos em viagens e testemunharam os quatro anos na Série A do Brasileirão de 1999 a 2002. Pai de dois filhos — Ana Luísa, de 14 anos, e Miguel Augusto, 10 — o gamense os levava ao estádio desde pequenos e, principalmente, Ana seguiu os caminhos do pai na paixão pelo Periquito.

Aos 43 anos, o morador do Gama faz parte da equipe de apoio do clube. Quando o presidente Wendel Lopes assumiu o alviverde, convidou Elielson para integrar a governança. Havia parceria entre eles desde o tempo de torcedores. Com o exemplo, a primogênita deu continuidade à tradição da família Queiroz. Com o passar do tempo, a adolescente entendeu que era muito mais do que futebol. Para ela, virou um lugar onde se sente feliz de verdade.

"Às vezes, só de falar Gama já dá vontade de chorar", emociona-se a garota. O sentimento pelo clube vai além das quatro linhas. Está enraizado entre os familiares. "São tantas lembranças, tantos momentos vividos, que é impossível não se emocionar", afirma. Em 2016, nasceu o irmão Miguel. Assim como Ana, o caçula veio com o DNA alviverde. Quando pequeno, o menino entendia o que era torcer, comemorava gols e se entristecia com os resultados negativos.

Os irmãos Queiroz nunca se preocuparam em torcer para times de fora. Para eles, é mais importante ser Gama — o time da cidade onde nasceram. "O clube que representa a gente de verdade", orgulha-se. Com a final, os ânimos estão nas alturas. O coração acelera toda vez que a garota pensa na decisão e as expectativas são as melhores. "Independentemente de qualquer coisa, estaremos lá, apoiando, torcendo e vivendo tudo isso juntos, como sempre", avisa.

Rei Leão

Do outro lado, Nayara Ohana mantém vivo o legado do Sobradinho. A vida da funcionária pública moradora da cidade sempre teve ligação com o Leão da Serra. Apaixonada por futebol, a torcida pelo clube se tornou comum para quem mora na região administrativa. Há alguns anos, ela fez parte da antiga torcida organizada do alvinegro, a extinta Raça.

Mãe, a servidora tem uma filha de nove anos, Lara. Desde sempre, Nayara a levou para acompanhar o Sobradinho. "Ela se espelha muito em mim, na forma de se vestir, no jeito de falar, no gosto musical e também no futebol. Desde pequena, esteve nesse ambiente e acabou criando essa paixão naturalmente", conta. A pequena Lara se tornou parceira da mãe e gosta de se envolver em tudo ao lado de Nayara.

Para Lara, a sintonia é sinônimo de diversão. "É muito legal, eu sempre tenho uma história emocionante para contar na escola", brinca. A garota não tem reservas: curte figurar no meio da charanga, entrar em campo com os jogadores e faz vídeos para as redes sociais convidando a torcida para os jogos. Segundo a mãe, só falta ela começar a jogar bola. Nayara faz parte da diretoria do Sobradinho, atuando no Conselho Fiscal.

"Eu gosto de ir no ônibus com a torcida, gosto de tocar bateria, de entrar com os jogadores… No final de tudo, gosto da bagunça", revela Lara. Aos 39 anos, é motivo de orgulho para a alvinegra ver a paixão da filha pelo clube do coração e curtir o engajamento. "É muito bonito ver uma criança criar esse vínculo tão forte com o time da cidade", comemora.

Jogo

O Gama chega à final com o peso do favoritismo. No Candangão, o alviverde manteve a campanha invicta e terminou a primeira fase na liderança isolada. Além disso, deseja conquistar o bicampeonato candango, defendendo a coroa de maior campeão da capital. Entre os finalistas, o Sobradinho é a surpresa para a decisão. Após oito anos, o Leão da Serra retorna à briga pelo cobiçado tetra com uma trajetória de superação.

Setenta mil ingressos foram disponibilizados para a final. Os portões serão abertos a partir das 13h. O Governo do Distrito Federal disponibilizou transporte gratuito durante a tarde para os torcedores conseguirem se locomover até a arena.

*Estagiária sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

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Carlos Vieira/CB/D.A Press - Final do Candangão 2026. Sobradinho x Gama. Gama Elielson Queiroz - pai Ana Luísa Queiroz - filha Miguel Antônio Queiroz - filho Sobradinho Nayara Ohana - mãe Lara Ohana - filha
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