FINANÇAS

Como Leicester e Sheffield Wednesday servem de exemplo para brasileiros

Dedução de pontos e rebaixamentos na Championship antecipam cenário que a CBF tenta implementar até 2030

As recentes punições a clubes ingleses acenderam um alerta que ultrapassa fronteiras e chega ao futebol brasileiro. Casos como os de Leicester City e Sheffield Wednesday evidenciam os riscos do descumprimento das regras de Fair Play Financeiro — realidade que o Brasil começa a enfrentar com a implementação do modelo da CBF.

Na Championship, segunda divisão da Inglaterra, o Sheffield Wednesday confirmou o rebaixamento de forma precoce após perder pontos por irregularidades financeiras. O Leicester também foi penalizado com a dedução de pontos e passou a figurar na zona de rebaixamento. Em ambos os casos, as sanções tiveram impacto direto no desempenho esportivo.

O cenário não é isolado. Na Europa, punições por descumprimento das regras financeiras têm sido recorrentes. O Everton perdeu pontos na Premier League, enquanto a Juventus sofreu sanções esportivas e financeiras após irregularidades, incluindo exclusão de competições continentais.

O contexto internacional dialoga diretamente com o momento do futebol brasileiro. Em janeiro de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol passou a adotar seu próprio modelo de Fair Play Financeiro, ainda em fase de transição até 2030. Levantamentos recentes indicam que poucos clubes da elite nacional atenderiam integralmente aos critérios atuais.

Para especialistas, os exemplos europeus servem como aviso. “Os casos mostram que o descumprimento das regras pode resultar em punições severas, independentemente do desempenho em campo. A adoção de gestão responsável será fundamental para evitar sanções semelhantes no Brasil”, afirma Moises Assayag, especialista em finanças no futebol.

O modelo brasileiro prevê controle sobre dívidas, equilíbrio financeiro, limite de gastos com elenco e monitoramento de obrigações de curto prazo. Em caso de descumprimento, as punições podem incluir desde multas e retenção de receitas até perda de pontos, transfer ban e até rebaixamento.

A avaliação é de que a nova regulamentação tende a mudar a lógica de funcionamento do futebol nacional. “A aplicação efetiva do Fair Play Financeiro pode evitar uma crise financeira generalizada. Hoje, muitos clubes operam com receitas limitadas e custos elevados, especialmente com folha salarial”, destaca Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá.

A experiência europeia mostra que o impacto das regras vai além da administração e chega diretamente ao campo. No Brasil, o novo cenário indica que resultados esportivos, cada vez mais, dependerão também do equilíbrio fora dele.

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