FUTEBOL

Maradona tinha "transtorno narcisista", diz psicólogo em julgamento

Esta é a primeira vez que um diagnóstico referente aos transtornos de saúde mental do campeão da Copa do Mundo de 1986 é tornado público de maneira tão explícita

As audiências começaram há duas semanas e estão sendo realizadas às terças e quintas-feiras -  (crédito:  AFP via Getty Images)
As audiências começaram há duas semanas e estão sendo realizadas às terças e quintas-feiras - (crédito: AFP via Getty Images)

Diego Maradona era bipolar e sofria de "transtorno de personalidade narcisista", testemunhou seu psicólogo nesta quinta-feira (30), durante uma audiência no julgamento que ocorre na Argentina contra sete profissionais de saúde em relação à morte do astro do futebol, aos 60 anos de idade.

"O que temos aqui é um quadro clínico: uma dependência, transtorno bipolar e um transtorno de personalidade. São três condições crônicas, condições para a vida toda", afirmou o psicólogo acusado, Carlos Díaz, que informou ao tribunal ter tratado de 'El Diez' por 29 dias antes de sua morte, em 25 de novembro de 2020.

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Pessoas próximas a Maradona "me disseram que o uso de substâncias por parte dele estava intimamente ligado aos seus feitos esportivos e que, sempre que enfrentava uma frustração, não sabia como lidar com ela", continuou o profissional.

Esta é a primeira vez que um diagnóstico referente aos transtornos de saúde mental do campeão da Copa do Mundo de 1986 é tornado público de maneira tão explícita.

Suas dependências, particularmente de cocaína e álcool, já eram amplamente conhecidas.

O julgamento em San Isidro, 30 km ao norte de Buenos Aires, busca determinar a responsabilidade da equipe médica na morte de Maradona enquanto ele se recuperava de uma neurocirurgia sem complicações em uma casa alugada para esse fim. 

As audiências começaram há duas semanas e estão sendo realizadas às terças e quintas-feiras. 

Díaz declarou que conheceu o ex-jogador em 26 de outubro de 2020. "Me lembro de Maradona sentado em uma poltrona, bebendo vinho. A primeira imagem que vi me impactou profundamente porque me lembrou do meu pai, também alcoólatra, que havia falecido poucos meses antes", contou. 

"Percebi que ele tinha um desejo genuíno de mudança. Ele estava comprometido", continuou. O psicólogo então explicou a ele, segundo Díaz, que "o que funcionava era um modelo baseado na abstinência".

Sete profissionais — um médico, um psiquiatra, um psicólogo e enfermeiros — são acusados de homicídio doloso, ou seja, tinham consciência de que suas ações poderiam resultar em morte. 

Os réus alegam inocência, enquanto a acusação busca provar que nem as condições de internação nem o tratamento médico prestado foram adequados.

Maradona morreu de uma parada cardiorrespiratória.


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AF
postado em 01/05/2026 00:07 / atualizado em 01/05/2026 00:09
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