Campinas (SP) — O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, contestou a interpretação sobre cortes no departamento de esportes olímpicos do clube e condenou possíveis efeitos de mudanças fiscais sobre o cenário de investimento esportivo nacional. Em entrevista concecida no CBC & Clubes Expo, em Campinas, nesta quinta-feira (23/4), do qual participou de painel, o dirigente rubro-negro se apoiou em números internos e detalhou o modelo atual de financiamento do clube nas modalidades.
A fala de Bap é uma resposta ao entendimento de uma ação tomada pelo clube em janeiro. Na ocasião, uma "avaliação estratégica alinhada às premissas do esporte olímpico do Flamengo" culminou no fim do projeto de canoagem. O movimento encerrou, por exemplo, o vínculo do campeão olímpico Isaquias Queiroz, além de outros três atletas da modalidade, com a equipe do Rio de Janeiro. Na visão do dirigente, no entanto, a ação não corresponde a um corte de investimentos.
"O Flamengo não retirou dinheiro. O Flamengo é um dos clubes esportivos que mais investe em esporte olímpico. Nós colocamos R$ 80 milhões no ano passado. Tivemos R$ 44 milhões de déficit nisso, cobertos pelo futebol do Flamengo", rebateu, ao ser questionado sobre o impacto das movimentações em relação à canoagem no futuro dos esportes olímpicos rubro-negro. O clube atua, ainda, modalidades como ginástica artística, vôlei e basquete.
Membro do painel "Reforma Tributária: Impacto para os Clubes Sociais Esportivos" no CBC & Clubes Expo, Bap criticou o atual modelo tributário aplicado no país e definiu a movimentação como um "tiro na cabeça" do esporte nacional. "O Brasil tem 25 anos com problema fiscal. Um ano sim, outro também, e a saída sempre é aumentar imposto. A gente não resolveu o problema e, agora, vamos matar o esporte. Do jeito que está, vamos quebrar recorde de arrecadação e não teremos mais esporte competitivo no Brasil", ponderou.
Desde fevereiro, o Flamengo lidera, com atuação política em Brasília, uma mobilização contra a Reforma Tributária. A iniciativa tem o objetivo de sensibilizar o Congresso Nacional para a derrubada do Veto nº 8/2026. O item mantém os clubes associativos submetidos a uma carga tributária mais elevada em comparação à aplicada às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). "O mecanismo da SAF é válido e importante para o futebol no Brasil, mas precisa ter limites e obrigações", pontuou.
No vôlei feminino, o Flamengo disputa a Superliga A atua em parceria com o Sesc para gerir o antigo Rio de Janeiro. Diante do sucesso do projeto, o mandatário rubro-negro se posicionou de maneira favorável para estender o modelo a outras modalidades. "Parcerias podem fortalecer o esporte. Tivemos uma parceria de sucesso com o Sesc. Se surgirem outras oportunidades, o Flamengo pode considerar, desde que faça sentido", prospectou.
*O repórter viajou a convite do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC)
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