CBC & Clubes Expo

Scheidt pede paciência com João Fonseca antes de estreia em Madrid

Velejador multimedalhista olímpico analisa evolução do jovem tenista brasileiro e destaca importância do tempo de maturação no esporte de alto rendimento

A expectativa do torcedor brasileiro encontra um contraponto de experiência vindo de outro gigante do esporte nacional. Durante participação no CBC & Clubes Expo 2026, em Campinas, na quinta-feira (23/4), o velejador Robert Scheidt fez uma análise ponderada sobre o momento vivido pelo jovem tenista João Fonseca. Em ascensão, o brasileiro estreia nesta sexta-feira (24/4) no Masters 1000 de Madrid diante do experiente Marin Cili, número 51 do mundo, a partir de 15h10, no Arantxa Sanchez Stadium.

Fã declarado do esporte, Scheidt utilizou a própria vivência no alto rendimento para contextualizar o processo de evolução de jovens atletas. “Eu sou fã dele. Eu gosto de tênis, joguei tênis durante a adolescência e a juventude. Assisto aos torneios, torço muito pelo João. Ele está amadurecendo. A gente tem que dar tempo para ele. Ele tem só 19 anos”, lembrou o atleta cinco vezes medalhista olímpico, ao destacar a necessidade de paciência diante da pressão por resultados imediatos.

Guilherme Gongra/Fotop/CBC - Robert Scheidt aborda a experiência pessoal no tênis na palestra "Se perder o leme, nunca perder o rumo"


A fala do velejador ganha relevância em um momento de crescimento acelerado do brasileiro no circuito profissional. Pela primeira vez como cabeça de chave em um Masters 1000, Fonseca chega a Madrid cercado de expectativas, impulsionadas pelo desempenho recente e a rápida ascensão no ranking mundial. Para Scheidt, no entanto, o salto competitivo exige um nível de evolução. “A maturidade esportiva dele vai vir com 22, 23, 24, 25 anos… O brasileiro quer o resultado ontem, quer que vença toda semana, mas é um esporte muito duro, compete muitas semanas no ano”, explicou, ao traçar um paralelo com a vela.

O velejador detalhou as dificuldades inerentes à progressão dentro da elite mundial. “Para ele melhorar um pouquinho, no nível em que ele está agora, ele precisa de muito treinamento. Porque agora começa a chegar ao número 20 do mundo. Para se dar um salto para 15 do mundo, precisa de muita coisa”, pontuou, evidenciando o grau de exigência do circuito. Scheidt elogiou o perfil pessoal e o ambiente ao redor de Fonseca. “Ele está no caminho certo. Tem uma família excepcional, uma personalidade guerreira, é um cara humilde. Tem um perfil motivacional ideal. Eu acho que ele vai chegar, mas tem que dar tempo”, completou.

A comparação com a trajetória pessoal reforça o argumento. “Eu, com 19 anos, queria ganhar o Campeonato Mundial, mas não tinha maturidade. Foi acontecer ali com 22 anos. Acho que ele está neste processo”, disse. Fã da modalidade, Scheidt mantém a proximidade com a prática nas quadras, embora o coração bata mais forte pelas águas. "Hoje em dia, eu guardo meu físico pra dar minhas velejada. Jogo muito pouco tênis. Mas eu sinto muita falta, bater uma bolinha é uma delícia", ressaltou.

*O repórter viajou a convite do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC)

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