
Quem ama mora no Gama. Um ditado afetivo dos moradores da cidade capaz de dimensionar o carinho pela região administrativa. Entretanto, no caso da psicóloga Giuly Costa, de 24 anos, o lema ganha uma variação mais intensa: quem ama torce para o Gama. Fanática pelo clube, a jovem carrega a tradição familiar e, à espera do primeiro filho, constrói a própria história com raízes alviverdes. Embalado na temporada, o Periquito entra em campo neste sábado (2/5), às 19h30, contra o Luverdense, pela quinta rodada da Série D do Campeonato Brasileiro, no Bezerrão, palco de tantas memórias da torcedora.
A relação de Giuly com o Gama nasce em casa e cresce com a vida. Inserida em uma família de torcedores do clube, a psicóloga desenvolveu a conexão com o alviverde cedo. A presença no Bezerrão passou a fazer parte da rotina na adolescência, ao lado do primo Rafael Rodrigues. Com o passar do tempo, o espaço deixou de representar apenas o local dos jogos e assumiu um papel amplo, transformando-se em cenário de capítulos importantes da trajetória pessoal.
Antes de viver momentos marcantes no estádio, a vontade de acompanhar o Gama movia atitudes fora dele. Antes da pandemia de covid-19, Giuly vendia bolos no pote para conseguir dinheiro e garantir presença nas arquibancadas, além de adquirir produtos do clube. O esforço traduz o nível de envolvimento com o alviverde, construído a partir de dedicação diária e identificação com a história do time da cidade.
O engajamento ultrapassou as arquibancadas e ganhou espaço em diferentes frentes. A torcedora participou de campanhas em períodos delicados do Gama, marcou presença em projetos voltados à torcida e integrou iniciativas de comunicação, como participações em podcasts relacionados ao time. A vivência constante fortaleceu a identidade construída ao longo dos anos. "É indescritível. Porque é o time que a gente ama. E só das pessoas se lembrarem de mim quando pensam no Gama, já é algo muito importante", afirmou.
No campo afetivo, o Gama teve papel decisivo. Giuly conheceu o companheiro, Guilherme Ventura, por meio de amigos ligados à torcida. Torcedor do Palmeiras, o parceiro passou a acompanhar a rotina do Gama desde o início do relacionamento. "Ele vai comigo desde que começamos a namorar, já até assistiu sozinho", contou, em tom bem-humorado, ao relembrar a presença constante nos jogos.
O momento mais simbólico da relação ocorreu em janeiro de 2024, quando Giuly foi pedida em casamento no gramado do Bezerrão. O cenário escolhido foi o intervalo da partida entre Gama e Samambaia, pelo Campeonato Candango. A surpresa aconteceu após um dia intenso de trabalho nos bastidores do evento, sem qualquer indício do que estava por vir. "Sempre foi um sonho. Mas nunca tinha imaginado que seria daquele jeito. Naquele jogo, eu trabalhei horrores, fiquei ajudando a organizar as crianças para a entrada. Nem passou pela minha cabeça que aquilo ia acontecer e foi muito melhor do que eu imaginei um dia", relembrou.
A coincidência com o desempenho do alviverde também marcou a memória daquele dia. Após sair atrás no placar ainda no primeiro tempo, o Gama reagiu e venceu por 2 x 1. Meses depois, na data do casamento de Giuly e Guilherme, um novo encontro com o destino: novamente diante do Samambaia, o alviverde venceu por 1 x 0. O resultado no dia do matrimônio reforçou a conexão simbólica entre a história pessoal do casal e os caminhos do clube.
O capítulo mais recente da trajetória também teve o Bezerrão como cenário. Neste ano, Giuly escolheu o estádio para anunciar a gravidez do primeiro filho, em mais um momento compartilhado com o Gama. A escolha reforça o papel do clube como elemento central na vida da torcedora. "Quando eu descobri, não pensei em nenhum outro jeito de anunciar se não tivesse relacionado ao Gama, que sempre foi algo importante para mim e para o meu relacionamento. E o dia da estreia na temporada foi perfeito para o momento", garantiu.
Agora, às vésperas de mais um compromisso do Gama no Bezerrão, a história de Giuly se mistura novamente com o momento do clube. Invicto em 2026 e embalado na Série D, o alviverde encara o Luverdense com o apoio de uma torcida que não apenas acompanha, mas vive cada capítulo ao lado da equipe. Entre resultados, memórias e novas fases da vida, o estádio segue como ponto de encontro entre o futebol e histórias além das quatro linhas.
*Estagiária sob a supervisão de Danilo Queiroz

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