
Em 1994, Carlo Ancelotti, então assistente técnico de Arrigo Sacchi na seleção da Itália na primeira Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, desfrutava de um senhor goleiro sob as traves da Squadra Azzurra: Gialuca Pagliuca! Do outro lado na decisão por pênaltis, Taffarel era adversário. O protagonista da conquista do tetra do Brasil virou aliado do comandante de 66 anos no gabinete do treinador na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele é um dos responsáveis por ajudar Carletto a escolher os três candidatos a número 1 na América do Norte, a partir de 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em New Jersey.
Os escolhidos serão divulgados no próximo dia 18, em um eventos de gala no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Em tese, essa posição não deveria dar dor de cabeça na comissão técnica e no torcedor. Alisson está prestes a igualar o preparador físico Taffarel e disputar três edições consecutivas como titular. Taffarel foi o dono das luvas em 1990, 1994 e 1998. O pupilo dele no Liverpool vestiu a camisa 1 em 2018 e em 2022, mas neste ciclo viu crescer a quantidade de concorrentes e perdeu o status de intocável. Motivo: lesões em série e três cortes em convocações.
Os técnicos Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti usaram cinco goleiros diferentes. Alisson, Ederson, Bento, Hugo Souza e Weverton tiveram oportunidades. Dificilmente a escolha dos três sairá de um deles. Reserva imediato de Alisson, Ederson também acumula contusões e aumenta o sinal de alerta. O ex-homem de confiança de Pep Guaridola no Manchester City se transferiu para o Fenerbahçe da Turquia e também tira o sono da comissão técnica canarinha.
Se Alisson e/ou Ederson deixarem a Seleção na mão, o Brasil terá de apostar em um estreante. O histórico joga a favor. Três "marinheiros de primeira viagem", ou seja inexperientes em Copas, conquistaram o título na estreia: Gilmar (1958), Félix (1970) e Marcos (2002). A questão é a falta de confiança nos aspirantes. Hugo Souza e Bento não são seguro de vida. O titular do Corinthians não se dá bem com a bola nos pés, um dos pré-requisitos nos tempos de futebol moderno. Pesam a favor dele a qualidade como pegador de pênalti e um outro atributo elogiado pelo técnico Carlo Ancelotti.
"Prefiro que os goleiros joguem bem com as mãos antes dos pés. Acho que Taffarel concorda comigo. Há goleiros que dão assistências com os pés, algumas para os adversários. Então, melhor que joguem bem com as mãos", disse, em uma das coletivas, ressaltando a velocidade de Hugo Souza na reposição rápida justamente com as mãos.
Bento deixou a torcida em pânico na partida mais traumática do ciclo para a Copa do Mundo de 2026. Sob o comando de Dorival Júnior, assumiu as traves no Monumental de Núñez no clássico contra a Argentina no segundo turno das Eliminatórias para a Copa. A Seleção foi goleada por 4 x 1 em Buenos Aires. Parte da conta recaiu sobre ele. Em contrapartida, foi segundo em duelos na Europa na vitória por 1 x 0 contra a Inglaterra, em Londres, e no empate por 3 x 3 com a Espanha, no Santiago Bernabéu.
Em condições normais de temperatura e pressão, a disputa pela titularidade é entre Alisson e Ederson. A concorrência mais acirrada passa a ser pela terceira vaga. O ciclo foi tirando surpreendentemente Weverton de cena. Nem mesmo a pilha de títulos e a coleção de milagres com a camisa do Palmeiras, e agora no Grêmio, colocaram o milagreiro no radar de Carlo Ancelotti. Taffarel gosta do promissor Bento. O italiano prefere Hugo Souza, provavelmente devido a uma memória afetiva.
Dida foi um dos maiores goleiros com quem Carlos Ancelotti trabalhou. O protagonista da primeira das cinco edições de Champions League conquistadas pelo recordista de orelhudas na história da competição. Detalhe: a primeira chegou devido a uma atuação encantada de Dida na decisão de 2003 contra a Juventus, em Old Trafford, o Teatro dos Sonhos, em Manchester. Ele pegou as cobranças de Trézeguet, Zalayeta e Pablo Montero.
"O Hugo é um goleiro que gosta de pênaltis. Ele tem personalidade. Nós estamos pensando nisso. Preparar um goleiro para os pênaltis. No mata-mata, muitas equipes avançam nas penalidades. Muitos dos jogos de quartas de final de Copa, de oitavas, são decididos nos pênaltis", pondera o treinador.
Carlo Ancelotti pode se inspirar em Louis van Gaal. Na Copa de 2014, o holandês sacou o titular Cillessen para a entrada de Krul aos 15 minutos da prorrogação contra a Costa Rica e triunfou.
Segundo e terceiro goleiro são praticamente artigos de luxo na delegação. Em 1966, Manga foi utilizado na Inglaterra na partida contra Portugal. O titular era Gilmar. Na Copa de 2006, Carlos Alberto Parreira deu chance ao suplente Rogério Ceni na vaga de Dida para homenageá-lo contra o Japão. Em 2022, Tite deu oportunidade a Ederson ao escalar os reservas na derrota para Camarões.
Quem jogou no ciclo
Goleiros: Alisson Becker, Bento, Ederson, Hugo Souza e Weverton

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