A morte do influencer fitness e fisiculturista Gabriel Ganley gerou comoção entre os atletas. O jovem de 22 anos foi encontrado morto por um amigo, na manhã de sábado (23/5), dentro de casa, em São Paulo. A polícia investiga a morte como suspeita (morte súbita), segundo informou ao Correio a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP). Não havia sinais de violência.
Nas redes sociais, circula um áudio, atribuído a um amigo de Gabriel, que relata que o rapaz teria usado uma dose elevada de insulina, o que pode ter derrubado a níveis perigosos a glicemia do atleta. Especialistas também compartilharam vídeos alertando sobre os riscos dessa prática, que tem se disseminado em treinos intensos, assim como o uso de anabolizantes.
Alguns atletas foram à internet para questionar protocolos e estratégias de Marcelo Cruz, treinador e preparador do ramo do fisiculturismo responsável pelos treinos de Ganley.
O DJ, cantor e atleta Davi Kneip contou, em um vídeo, que trabalhou com Cruz. Ele estreou no fisiculturismo há cerca de um ano. Além de ter afirmado que a morte de Ganley o fez refletir sobre os riscos do esporte, também expôs o cronograma hormonal passado pelo treinador, mas sem citá-lo.
"Eu trabalhei com o mesmo profissional que ele, e ontem vendo isso me deixou muito triste. Me deixou falando: 'Poderia ter sido você'. Eu também tenho 20 e poucos anos, não tenho nem um ano de esporte e isso mexeu muito comigo. Faço esse vídeo para alertar. Cuidem da saúde de vocês. Hoje, eu tenho um coach e um médico que eu confio, mas poderia ter sido eu", detalhou.
Gabriel Morais, conhecido como "Camisa Roxa", foi outro a falar. Também sem citar Cruz, desabafou sobre a forma de trabalho do profissional. Um exemplo usado por Morais foi um cronograma que previa o consumo de 75g de sal em apenas três dias, durante o processo final de preparação para competir.
A situação causou mal-estar. Além disso, precisou fazer oito refeições por dia numa dieta elaborada por Marcelo, o que atrapalhou as performances no palco. Na legenda, Morais escreveu "tomem cuidado". "Tem muita gente que não faz ideia do que está fazendo e, às vezes, pode te passar uma coisa que vai acabar com a tua saúde e com a tua própria vida", afirmou.
Apesar de não ter se posicionado, o também atleta de bodybuilding Victor Alexandre, filho de Xanddy Harmonia e Carla Perez, vencedor de sete medalhas de ouro no NPC — Natural Grand Prix, disputado nos Estados Unidos, foi outro a ter sido treinador por Marcelo Cruz.
Marcelo Cruz homenageou Ganley em postagem nas redes
Antes de morrer, Ganley se preparava para voltar aos palcos em poucas semanas. O retorno aconteceria dois anos após se afastar das competições de fisiculturismo. O treinador montava a dieta e os cronogramas de protocolos hormonais utilizados pelo jovem de 22 anos.
Nas redes sociais, Cruz prestou homenagens à jovem promessa. Além de lamentar a morte do atleta, apelidado como "bebezinho", afirmou que vivia "um dos piores dias" da própria vida. "Ganley pra mim era muito mais que um promissor atleta, ele foi uma pessoa que me mostrou o caminho da força de vontade, do querer vencer, da resiliência em sempre alcançar os objetivos que tinha em mente", escreveu.
O Correio entrou em contato com Marcelo Cruz para um posicionamento e aguarda resposta. Em caso de retorno, esta matéria será atualizada.
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