COPA DO MUNDO

Famiglia Ancelotti: goleiros são figurinhas repetidas no álbum da Seleção

Alisson e Ederson vão para a terceira caça ao hexa com o Brasil, enquanto Weverton pode se aproximar da lenda Dino Zoff na segunda participação na Copa do Mundo

Alisson caminha para se tornar titular em três Copas seguidas -  (crédito: Kleber Sales/CB/D.A. Press)
Alisson caminha para se tornar titular em três Copas seguidas - (crédito: Kleber Sales/CB/D.A. Press)

A banca examinadora chamada Seleção Brasileira lançou o edital do concurso para goleiro na Copa do Mundo com três vagas. Ao longo de três anos e meio, 10 candidatos diferentes foram observados de perto por quatro treinadores: Alisson (Liverpool), Ederson (Fenerbahçe), Weverton (Palmeiras), Bento (Al-Nassr), Hugo Souza (Corinthians), Mycael (Athletico-PR), Lucas Perri (Leeds United), Léo Jardim (Vasco), Rafael (São Paulo) e John (Nottingham Forest). Cinco avançaram para a prova prática e entraram em campo. Uns agarraram a oportunidade. Outros nem tanto. Embora não fosse pré-requisito, a experiência contou pontos preciosos na avaliação dos exigentes professores Carlo Ancelotti e Cláudio Taffarel. 

Ancelotti deu a canetada na nomeação em 18 de maio, mas as aprovações de Alisson, Ederson e Weverton foram de Taffarel. O paredão nas Copas de 1990, 1994 e 1994 já havia aprovado o trio no concurso de 2022, com o aval do professor Adenor Leonardo Bachi, o Tite. A recondução dos candidatos ao cargo produziu um efeito raro na Amarelinha. Pela primeira vez em 64 anos, o Brasil repetirá os mesmos goleiros de uma Copa do Mundo para a outra. A última vez havia sido nas campanhas dos títulos de 1958 e 1962, quando Gilmar e Castilho mantiveram o emprego sob as traves da equipe bicampeã mundial.

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Histórica e teoricamente, a posição não deveria preocupar a comissão técnica. Alisson se igualará ao preparador físico e chegará a três Copas seguidas como titular, repetindo Taffarel (1990, 1994 e 1998) e Gylmar (1958, 1962 e 1966). O recorde absoluto pertence a Castilho, presente nas edições de 1950 a 1962. Neste ciclo, o guardião formado nas categorias de base do Internacional arriscou perder o status de convocado devido às lesões em série e três cortes em convocações. Gaúcho de Novo Hamburgo, Alisson estreou pela Seleção Brasileira em 13 de outubro de 2015, sob o comando do conterrâneo Dunga.  De lá para cá, acumulou 77 partidas e está a 10 de se igualar a Julio Cesar e entrar no top 5 dos goleiros que mais protegeram a baliza da Amarelinha. A lista é puxada por Taffarel (113), Dida (91), Gylmar (87) e Emerson Leão (80).

Nem mesmo o currículo blindou Alisson das dúvidas. As lesões musculares acumuladas durante a passagem pelo Liverpool renderam três cortes em convocações ao longo do ciclo e abriram espaço para a observação de concorrentes. Bento aproveitou a brecha para ganhar protagonismo, enquanto Hugo Souza entrou na rota da Seleção, impulsionado pela retomada da carreira no Corinthians. A ameaça à titularidade, porém, nunca passou de hipótese. Sempre que esteve disponível, Alisson continuou a ser tratado como o dono da posição pelas diferentes comissões técnicas.

Mas Alisson precisará reencontrar o ritmo ideal. Antes da goleada por 6 x 2 sobre o Panamá, havia disputado apenas uma partida nos três meses anteriores. Para um goleiro, a falta de sequência cobra juros altos. Ainda mais sob o olhar de Carlo Ancelotti. Orgulhoso das raízes italianas e defensor de equipes equilibradas sem a bola, o treinador viu a Seleção sofrer gols em seis dos 11 compromissos da era iniciada neste ciclo e terminar vazada nos últimos quatro.

Aos 33 anos, Alisson pode se tornar o goleiro mais velho a ser campeão da Copa do Mundo pelo Brasil e desbancar Gylmar e Félix, que tinham 32, respectivamente, nas campanhas do bi em 1958 e do tri em 1970. Parece muito, mas não é. São garotos perto do recordista, o italiano Dino Zoff, vitorioso no tri da Itália em 1982, aos 40.

Ederson

Ederson saiu da zona de conforto. Após oito temporadas sob o comando de Pep Guardiola no Manchester City, o goleiro de 32 anos optou por uma mudança radical ao se transferir para o Fenerbahçe. A justificativa foi simples: não encontrava o mesmo prazer em defender o clube inglês. O desgaste emocional acabou refletido em campo. Além das lesões, o brasileiro demorou a reencontrar a melhor forma física e técnica. "Estou respirando futebol novamente", resumiu recentemente. A temporada, porém, esteve longe do ideal. Entre falhas, atuações irregulares e problemas disciplinares, como a expulsão no clássico contra o Galatasaray após cometer um pênalti, Ederson virou alvo de críticas da torcida.

Apesar do momento turbulento, continua sendo um reserva de luxo para a Seleção. Acostumado a grandes decisões, oferece segurança, experiência e uma qualidade rara com os pés. Não à toa, transformou cobranças de tiro de meta em assistências ao longo da carreira. Caso seja acionado por Carlo Ancelotti durante a Copa do Mundo, o Brasil terá à disposição um goleiro capaz de influenciar o jogo muito além das defesas.

Sob o comando de Ancelotti, Ederson disputou três partidas. Manteve a meta intacta na vitória por 2 x 0 sobre Senegal, mas foi vazado na derrota por 2 x 1 para a França e no triunfo por 6 x 2 diante do Panamá. Mesmo sem números exuberantes no recorte recente, é o principal reserva de Alisson.

Ederson foi reserva em 2018 e 2022 com Tite e está pronto para servir Ancelotti em 2026
Ederson foi reserva em 2018 e 2022 com Tite e está pronto para servir Ancelotti em 2026 (foto: Kleber Sales/CB/D.A. Press)

Weverton

A história mostra que segundo e terceiro goleiros costumam ser artigos de luxo em Copas do Mundo. Em 1966, Manga foi utilizado na Inglaterra contra Portugal, embora o titular fosse Gilmar. Quatro décadas depois, na primeira tentativa de conquistar o hexacampeonato, Carlos Alberto Parreira deu a Rogério Ceni a oportunidade de substituir Dida diante do Japão, em um gesto de reconhecimento. Em 2022, Tite repetiu o movimento ao escalar Ederson na derrota para Camarões.

Weverton, aos 38 anos, sonha em participar da campanha dentro das quatro linhas. Até hoje, soma apenas uma partida em Copas do Mundo. Em 2022, entrou aos 35 minutos do segundo tempo da vitória por 4 x 1 sobre a Coreia do Sul nas oitavas de final. Naquele momento, era o único dos 26 convocados por Tite que ainda não havia sido utilizado. Também pode encostar no italiano Dino Zoff, o mais velho jogador campeão, aos 40.

Currículo não lhe falta. A última grande conquista da Seleção tem as digitais do acreano. Nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, foi um dos protagonistas do ouro inédito contra a Alemanha no Maracanã.

Assim como Ederson, Weverton também deixou a zona de conforto. Após se tornar ídolo do Palmeiras, aceitou o desafio de defender um Grêmio pressionado por resultados. A experiência tem sido positiva. Além das atuações seguras, voltou a se destacar como especialista em pênaltis, virtude que pode se transformar em trunfo para Ancelotti no mata-mata.

Weverton, o elo do Brasil com a última grande conquista: o ouro olímpico no Rio-2016
Weverton, o elo do Brasil com a última grande conquista: o ouro olímpico no Rio-2016 (foto: Kleber Sales/CB/D.A. Press)

  • Ederson foi reserva em 2018 e 2022 com Tite e está pronto para servir Ancelotti em 2026
    Ederson foi reserva em 2018 e 2022 com Tite e está pronto para servir Ancelotti em 2026 Foto: Kleber Sales/CB/D.A. Press
  • Weverton, o elo do Brasil com a última grande conquista: o ouro olímpico no Rio-2016
    Weverton, o elo do Brasil com a última grande conquista: o ouro olímpico no Rio-2016 Foto: Kleber Sales/CB/D.A. Press
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postado em 03/06/2026 06:00
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