Vôlei

Em solo brasiliense, Júlia Kudiess estreia com a Seleção Brasileira na VNL

Prestes a ir para a Itália, central se despedirá do país diante de família e amigos. Contra a Holanda, a Amarelinha faz o primeiro jogo da etapa inicial da Liga das Nações de Vôlei, às 20h, no Ginásio Nilson Nelson

 Treino da Seleção Brasileira Feminina de Volei, no Ginasio Nilson Nelson. -  (crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Treino da Seleção Brasileira Feminina de Volei, no Ginasio Nilson Nelson. - (crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Após quatro anos, a Liga das Nações está de volta a Brasília. O reencontro da elite do vôlei mundial com o Nilson Nelson, entre quarta-feira (3/6) e domingo (7/6), no entanto, terá gosto de despedida para uma atleta em especial. Natural do Distrito Federal e com malas prontas para jogar na Itália, a central Julia Kudiess ganhou a oportunidade de se despedir do país onde tudo começou. As quatro partidas na capital com a camisa da Seleção Brasileira serão as últimas da jogadora de 23 anos em território nacional antes de atuar no Novara. Às 20h, a equipe estreia diante da Holanda.

Reencontrar as raízes servirá como último fôlego antes de desbravar o vôlei italiano. Apesar de ter nascido em Brasília, Julia jogou pouco por aqui. O destaque veio com a camisa do Minas Tênis Clube, casa da central por 10 anos. Da quadra do Nilson Nelson, Kudiess verá diversos rostos conhecidos nas arquibancadas. “Minha família é toda daqui. Eu nasci aqui, então para mim é muito especial estar jogando em casa. Junto com a minha família, meus amigos, meu namorado”, destacou a central, em entrevista concedida ao Correio durante o treino de ontem no palco das quatro partidas na cidade. Além da Holanda, a Seleção encara República Dominicana, Bulgária e Itália.

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A oportunidade de dar adeus ao país em casa surge como prêmio após um período de resiliência e perseverança. Em 2024, durante uma partida da Liga das Nações no Maracanãzinho, Julia sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior e uma microfratura no joelho direito. A lesão impossibilitou a disputa dos Jogos Olímpicos de Paris-2024. Na época com 21 anos, precisou buscar forças na paixão pelo vôlei para manter viva a esperança e a paciência durante a recuperação.

O retorno veio em 2025, quando voltou a atuar pelo Minas e pôde vestir novamente a camisa da Seleção. Todo o processo trouxe para a brasiliense o amadurecimento que, talvez, a antiga Julia jamais teria adquirido. A jogadora passou cerca de nove meses longe das quadras durante o período de recuperação. “Passei por momentos de dificuldade. Faz dois anos já. E foi o que me fortaleceu muito como jogadora. Hoje, eu venho uma atleta mais madura, mais consciente, com muito mais vontade e muito mais foco”, afirmou.

Agora, a central entra em cena como um dos destaques do time do técnico José Roberto Guimarães. “Eu espero que em 2028 ela esteja no auge”, desejou o treinador. Sem conter adjetivos de elogio, o comandante da Amarelinha avaliou positivamente a trajetória e o momento vivido pela atleta. Para ele, tudo faz parte do aprendizado e da evolução da jogadora. “Ela evoluiu em todos os sentidos. A Julia passou por momentos muito difíceis. Ela estava muito bem quando teve a contusão. A maturidade também veio com o tempo”, explicou.

Na VNL de 2025, Júlia encerrou a competição como a melhor bloqueadora do torneio, com 63 pontos no fundamento. A central também figurou na quinta posição entre as maiores jogadoras de vôlei do mundo. Neste ano, pela Superliga Feminina vestindo a camisa do Minas, Júlia terminou a competição com 113 pontos de bloqueio, novamente liderando a ação. “Eu fico muito feliz em bloquear. Talvez, seja o fundamento que eu mais gosto de fazer. Gosto também de atacar. Quero contribuir sempre com o individual para que o coletivo funcione”, declarou. “Vou estar sempre dando o meu melhor dentro de quadra. Que seja uma temporada maravilhosa”, projetou.

*Estagiária sob a supervisão de Danilo Queiroz

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postado em 03/06/2026 05:00
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