COPA DO MUNDO

As lições de Ancelotti e a vez da camisa 9 de Matheus Cunha

Na noite em que Ancelotti retoma convicções, Matheus Cunha resgata a titularidade e, com dois gols e atuação precisa, reforça por que é a peça que não pode faltar à Seleção

Matheus Cunha fez dois gols na partida na Filadélfia -  (crédito: Angela Weiss/AFP)
Matheus Cunha fez dois gols na partida na Filadélfia - (crédito: Angela Weiss/AFP)

Filadélfia — Matheus Cunha pode, enfim, celebrar gols marcados pela Seleção Brasileira. Não que os dois contra o Haiti, ontem, na vitória por 3 x 0 pela segunda rodada da Copa do Mundo tenham sido os primeiros. O herdeiro da camisa 9 havia desencantado em 25 de março de 2025. O técnico ainda era Dorival Júnior e o jogo era nada menos do que o clássico contra a Argentina pelas Eliminatórias no Monumental de Núñez. A goleada sofrida por 4 x 1 para os atuais campeões mundiais não permitiu risadinha e comemoração. Pelo contrário, marcou ruptura, como a demissão do técnico Dorival Júnior. O resto é história. Carlo Ancelotti foi buscado na Europa e consagrou o paraibano de 27 anos a peça-chave.

Os gols marcados ontem por Cunha, aos 24 e aos 36 minutos do primeiro tempo, foram os primeiros com o técnico Carlo Ancelotti. Tornou-se o 15º jogador diferente a marcar sob o comando do italiano em 14 jogos. Ontem, mostrou por que é considerado pilar. Embora vista a camisa 9, não é centroavante nato. Oferece outras características, como a saída da área para buscar o jogo. Entretanto, no primeiro jogo como titular em uma Copa do Mundo, foi oportunista como um antecessor. Na estreia da campanha em 2022, Richarlison marcou dois contra a Sérvia.

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No primeiro, estava no lugar certo e na hora certa ao aproveitar rebote após chute de Vinicius Junior. No segundo, também mostrou boa leitura ao se posicionar bem para receber passe do camisa 7. A noite também teve comemoração do astro do Real Madrid, responsável por fechar a conta após belo lançamento de Lucas Paquetá.

Carlo Ancelotti é um excelente aluno. Está há pouco mais de um ano no Brasil e não perde as aulas de português com o professor Roberto Piantino por qualquer razão. Claro, há muito a evoluir no idioma, mas está tão afinado que não se acanha em soltar a voz para cantar o Hino Nacional. Também está se familiarizando com o glossário da bola. Ontem, entendeu durante a prova prática no processo seletivo chamado Copa do Mundo um ensinamento antigo: time que está ganhando não se muda.

A vitória marcou o resgate das convicções de Carlo Ancelotti. Depois de experimentar contra Marrocos um 4-3-3 considerado surpreendente, com Igor Thiago e Ibañez titulares, por exemplo, retornou ao 4-2-4. Matheus Cunha foi o homem do jogo no esquema que o coloca como protagonista. Não daqueles que dão show, mas que fazem o jogo girar, como na recomposição para tirar o fardo defensivo de Vinicius Junior.

Ancelotti retornou ao esquema 4-2-4 na prancheta, mas experimentou variações, como o 5-3-2 sem a bola. O volante Casemiro dava alguns passes para trás para fazer sutilmente o movimento de terceiro zagueiro. Lucas Paquetá, Bruno Guimarães e Matheus Cunha formavam o trio à frente da defesa para que Vinicius Junior e Raphinha não se desgastassem na recomposição. Ainda assim, o Brasil se expôs. Houve momentos de transição lenta e espaços nas costas dos laterais Danilo e Douglas Santos.

Felizmente, a Seleção se segurou e volta a sair ilesa de uma partida depois de sofrer gols em seis jogos consecutivos. O último jogo zerado havia sido no 2 x 0 sobre Senegal em 15 de novembro de 2025, com gols de Casemiro e Estêvão.

Festa à parte, o Brasil não fez mais do que a obrigação. Era necessário vencer bem após Marrocos bater a Escócia e abrir quatro pontos na tabela. Os três gols na Filadélfia podem ser fundamentais para a definição do Grupo C em 24 de junho, quando a Seleção enfrenta a Escócia em Miami, às 19h. Simultaneamente, os marroquinos medem forças com os haitianos.

Nenhum jogador foi tão pedido pelos torcedores durante a semana quanto o Endrick. O brasiliense teve o nome gritado nas arquibancadas do Lincoln Financial Field e foi chamado por Ancelotti para substituir Matheus Cunha. Ele e Rayan — que entrou no lugar de Raphinha na etapa inicial — são os primeiros jogadores de sub-20 a entrarem em campo pela Seleção em Copa do Mundo depois de Tostão, em 1966. Não foram titulares, mas baixaram a régua da média de idade.

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postado em 20/06/2026 14:26 / atualizado em 20/06/2026 14:27
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