New Jersey — O segundo treino do Brasil no Columbia Park, o Centro de Treinamento do Red Bull New York, como a multinacional austríaca da bebida energética deseja que o time bancado por ela seja chamado, mostrou uma rara inquietação nas pré-temporadas da Seleção na Copa do Mundo. O normal é desembarcar com a escalação definida e alterá-la durante a competição. Carlos Alberto Parreira virou refém do quadrado mágico. Dunga não tinha alternativas a Elano, Kaká, Robinho e Luis Fabiano. Luiz Felipe Scolari iniciou a edição de 2014 agarrado com os titulares da conquista da Copa das Confederações em 2013. Tite não renunciou às convicções em 2018 e em 2022. Carlo Ancelotti começa a se abrir.
O primeiro tempo da goleada por 6 x 2 contra o Panamá no último domingo, no Maracanã, expôs os problemas de recomposição no sistema com quatro atacantes — Luiz Henrique, Raphinha, Vinicius Junior e Matheus Cunha. Casemiro e Bruno Guimarães ficaram sobrecarregados. É preciso ter um plano B e o amistoso deste sábado contra o Egito, em Cleveland, estado de Ohio, é o prazo de validade para a última experimentação.
No treino aberto desta quarta-feira, aberto à comunidade de Morristown para atender aos compromissos da Fifa de aproximação das seleções com as sedes, Carlo Ancelotti ensaiou mudanças. Algumas óbvias. Marquinhos e Gabriel Magalhães voltam a formar a dupla de zaga nos lugares de Bremer e Léo Pereira. Douglas Santos pode iniciar o duelo com os Faraós na lateral esquerda na vaga de Alex Sandro. Luiz Henrique pode ser trocado por Lucas Paquetá. Matheus Cunha deve descansar para a observação do brasiliense Igor Thiago na função de nove. O esboço foi testemunhado em um raro dia de exposição.
Em tese, o time pode iniciar a partida contra o Egito assim: Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Raphinha, Igor Thiago e Vinicius Junior. Guardadas as devidas proporções, o modelo lembra aquele do Real Madrid campeão da Champions League com Rodrygo, Benzema e Vini.
A midiática convocação em 18 de maio no Museu do Amanhã foi o último “oba-oba”. Havia uma recepção organizada pelo Movimento Verde Amarelo (MVA) no desembarque da última segunda-feira. O Correio apurou que a CBF preferiu a discrição e desmobilizou a festa. A dificuldade para chegar ao hotel, em Basking Ridge, ajudou a dispersar a ação.
Como mostrou a matéria do Correio na terça-feira, Carlo Ancelotti segue a cartilha do mestre Arrigo Sacchi. Em 1994, a Itália também se concentrou em New Jersey e evitou ao máximo a imensa colônia na cidade ao se fechar em Warren na campanha do vice.
As atividades serão retomadas nesta quinta-feira com duas sessões de treinos no Columbia Park, uma delas secretas na matinê e uma aberta por 15 minutos à tarde. O lateral-direito Wesley, cada vez mais candidato a titular, e o volante reserva Fabinho participarão da conferência de imprensa na concentração verde-amarela.
Pela manhã, na entrevista coletiva, Marquinhos falou sobre a privacidade da Seleção em New Jersey. “É uma linha, é um limite difícil de saber até que ponto. Eu acho que foi uma aposta da comissão, do staff, é uma aposta boa. Vocês estão sendo testemunhas do quanto a gente está muito bem amparado aqui quanto a hotel e preparações de campo. Por outro lado, tendo tudo isso a gente acaba ficando distante. Tem que se colocar algumas coisas na balança, e a gente tenta fazer o melhor que pode”, ponderou o capitão.
“Nós precisamos estar conectados com o povo, com os torcedores, que vão estar aqui, mas também ter tranquilidade para trabalhar taticamente. Mas com certeza vamos ter momentos de conexão com o público. Acho que o que reconecta realmente torcedor, jogador, time, staff e o momento que o time vem vivendo é o campo. É o que a gente entregar no campo, é nossa vontade, são os resultados vindo”, disse o zagueiro.
Saiba Mais
-
Esportes Brasília embala e Seleção Feminina bate a Holanda na estreia da VNL
-
Esportes Recebida como campeã, Itália espera pressão brasileira na VNL
-
Esportes Marquinhos alerta Brasil para inferno dos gols relâmpagos no calor extremo
-
Esportes De Lúcio e Kaká a Endrick e Igor Thiago: DF "bagunça" coletiva na Copa
-
Esportes Conheça Diana Shnaider, promessa do tênis vinda do circuito universitário
-
Esportes Quanto ganham tenistas de ponta em Grand Slams, mesmo sem vencer?
