Copa do Mundo

Oportunidade faraônica: contra Egito, Igor Thiago estreará como titular

À procura de um camisa 9 durante o ciclo inteiro, Brasil testa o brasiliense Igor Thiago na função, neste sábado (6/6), no último amistoso antes da Copa do Mundo

New Jersey — Dois de dezembro de 2022. O Brasil perde jogo de Copa do Mundo pela primeira vez para uma seleção africana. Camarões derrota os reservas de Tite por 1 x 0 no Estádio Lusail, em Doha, no Catar. A retomada da caça ao hexa será contra Marrocos no próximo sábado, às 19h, no MetLife Stadium. A sete dias do jogo à vera, o duelo com a melhor seleção do continente demanda um simulado à altura. O escolhido é o Egito, hoje (6/6), às 19h, no Huntington Bank Field, em Cleveland, no estado de Ohio.

O dano causado pelos Leões Indomáveis na fase de grupos de 2022 aumentou o respeito do Brasil aos africanos. Esse é o sexto duelo com seleções de lá no ciclo para a Copa de 2026. Houve duas partidas contra Senegal e encontros com Marrocos, Guiné e Tunísia. Na opinião da comissão técnica, as características dos Faraós, classificados para a Copa no Grupo G contra Bélgica, Irã e Nova Zelândia, assemelham-se ao estilo dos Leões do Atlas.

Em tese, o Brasil deveria iniciar o jogo contra o Egito usando a formação de gala do duelo contra Marrocos, mas o técnico Carlo Ancelotti preferiu testar alternativas para a Copa depois da preocupante exibição no primeiro tempo na goleada por 6 x 2 contra o Panamá no Maracanã. O capitão Marquinhos volta à zaga depois da conquista da Champions League. Marcado pelo pênalti perdido com a camisa do Arsenal na decisão, Gabriel Magalhães será poupado depois de uma série de 13 partidas seguidas — sem descanso — pelo time inglês. Léo Pereira é o escolhido pelo italiano para substituí-lo.

A primeira semana de treinos no Columbus Park, o Centro de Treinamentos do Red Bull New York, também deu a impressão a Ancelotti de que Douglas Santos merece oportunidade na disputa com Alex Sandro pela lateral esquerda. O jogador do Zenit assume a posição. Curiosamente, a linha defensiva é quase toda “italiana”. Alisson, Wesley, Marquinhos e Douglas Santos têm passagem pelo Calcio, uma referência na construção de defesas sólidas e na versatilidade para o cumprimento de diferentes funções. Do quinteto, apenas Leó Pereira não passou por um time do país de Carlo Ancelotti.

O quarteto do meio de campo deixa de ter dois pontas para contar com um meia e um ponta. Lucas Paquetá assume a posição de Luiz Henrique. Em vez de dar profundidade, o jogador do Flamengo preencherá o centro e oferecerá o corredor direito a Wesley. Sem a bola, o sistema tático é o 4-4-2. Com ela, varia para o 3-2-5. Douglas Santos se alinha com os zagueiros Marquinhos e Léo Pereira. Wesley avança como um ponta direita, juntando-se a Lucas Paquetá, Raphinha, Vinicius Junior e uma novidade made in Distrito Federal.

"Benzema"

Nascido no Gama e criado na Cidade Ocidental, e com formação final nas divisões de base do Cruzeiro antes de passar por Ludogorets na Bulgária e Brugge na Bélgica, Igor Thiago iniciará pela primeira vez uma partida da Seleção entre os titulares. O centroavante de 24 anos e 1,91m saiu do banco contra a França, a Croácia e o Panamá e fez dois gols de pênalti. Hoje, ele assumirá a função de Matheus Cunha no comando do ataque.

“Matheus é mais associativo com a equipe, tem muita qualidade no posicionamento e uma finalização muito forte. Thiago é um atacante totalmente diferente, muito potente, muito inteligente e muito forte na área”, comparou Carlo Ancelotti na entrevista coletiva de ontem no hotel The Ridge, em Basking Ridge, a concentração da Seleção em New Jersey.

Igor Thiago foi vice-artilheiro do Campeonato Inglês na temporada de 2025/2026. Fez 22 gols com a camisa do Brentford, cinco atrás do goleador máximo Erling Haaland do Manchester City. O brasiliense se candidata a ser o “Benzema” de Ancelotti. Afinal, o sistema tático do teste de hoje lembra muito o do Real Madrid campeão europeu em 2022.

Guardadas as devidas proporções, o meio de campo tinha Casemiro, Kroos e Modric. No ataque, Rodrygo ou Valverde e Vinicius Junior trabalhavam para servir Benzema. Em tese, Carlo Ancelotti pode estar aplicando no Brasil uma das formas vitoriosas dos merengues.

“Obviamente, você tem que levar em conta o adversário, mas isso não vai mudar nossa escalação, nosso sistema ou nossa estratégia de acordo com as características do adversário. Quero ver outra opção de equipe; a última possibilidade de fazê-lo, eu vou fazer. O que está claro é que o sistema não muda, é 4-4-2 e não vai mudar”, explicou Ancelotti.

O italiano explicou como a engrenagem deve funcionar com as mudanças. “O sistema só muda quando você não tem a bola. Você não pode olhar o sistema quando tem a bola porque nunca atacamos com quatro. Defensivo é 4-4-2, não muda. Depois mudam as características dos jogadores. Muda a posição de Paquetá com a bola quando ele está na função do Luiz Henrique. Sei perfeitamente que Paquetá não pode ser ponta. Depois de 40 anos de futebol, eu entendi isso”, ironizou Carlo Ancelotti, arrancando risos na entrevista.

Depois da partida de hoje, os jogadores terão folga pela primeira vez nos Estados Unidos. Quando se reapresentarem, o foco será definitivamente na estreia contra Marrocos. A delegação retornará a New Jersey para a última semana de ensaios até o dia 13.

Ficha Técnica

Brasil x Egito

Horário: 19h (de Brasília)
Brasil (4-3-3)
Alisson;
Wesley, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos;
Casemiro, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães;
Raphinha, Igor Thiago e Vinicius Junior
Técnico: Carlo Ancelotti

Egito (3-5-2)
Oufa Shobeir;
Ibrahim, Fathy e Abdelmonem;
Hany, Lasheen, Ateya, Fatouh e Ashour;
Mohamed Salah e Omar Marmoush
Técnico: Hossam Hassan

Estádio: Huntington Bank Field, em Cleveland (EUA)
Árbitro: Adonai Escobedo (MEX)
Auxiliares: Ibrahim Martinez (MEX) e Maximiliano Gomez (MEX)
VAR: Carlos Rivero (MEX)
Transmissão: Globo, SporTV e GE TV (YouTube)
Substituição: As seleções acordaram até 11 trocas

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