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Alemanha tenta a trinca de vitórias em jogo contra o Equador

Tetracampeões não fecham classificatória com aproveitamento perfeito desde 2006. Primeira vez foi em 1970 e, para repetir a façanha, precisam superar o Equador nesta quinta-feira (25/6)

Nova Jersey — Eles têm fama de frios e calculistas, mas a perfeição nunca foi, exatamente, uma virtude dos alemães em Copas do Mundo. Nem nos tempos de Franz Beckenbauer, Lothar Matthäus, Oliver Kahn ou Thomas Müller. A Mannschaft se acostumou a finais, conquistou quatro títulos e se tornou a seleção mais goleadora da história do torneio, com 241 bolas na rede. Ainda assim, fechou a fase de grupos com três vitórias em três jogos apenas duas vezes. Curiosamente, uma dessas campanhas terminou diante do Equador. Nesta quinta-feira (25/6), às 17h, no MetLife Stadium, os sul-americanos entram em campo para sobreviver, enquanto os tetracampeões buscam uma raridade para inflar o ego no mata-mata.

A Alemanha era a anfitriã da Copa de 2006 e sonhava em encerrar jejum de 16 anos sem títulos mundiais. Também carregava a missão de desafiar uma escrita que persiste até hoje. A última seleção a conquistar a Copa em casa foi a França, em 1998. A caminhada começou em ritmo acelerado: 4 x 2 na Costa Rica, superou a vizinha Polônia por 1 x 0 e chegou à última rodada já classificada. Do outro lado estava justamente o Equador. No Estádio Olímpico de Berlim, os alemães venceram por 3 x 0 e concluíram uma das raras campanhas perfeitas da fase de grupos.

A primeira vez que a Alemanha atravessou a fase de grupos sem desperdiçar pontos aconteceu em 1970. Curiosamente, também na América do Norte. No México, os alemães venceram Bulgária, Marrocos e Peru antes de iniciarem uma campanha que terminaria com o terceiro lugar.

O Equador também guarda lembranças especiais da Alemanha. A Copa de 2006 segue como a melhor campanha da história da seleção sul-americana em Mundiais, com presença nas oitavas de final. Vendeu caro a derrota por 1 x 0 para a Inglaterra. Coube a David Beckham decidir com gol de falta.

Nesta edição, o caminho é bem mais estreito. Derrotado pela Costa do Marfim e travado por Curaçao, o Equador chega à rodada final sem depender apenas de si. Para avançar à fase de 16 avos sem precisar recorrer a uma das oito vagas dos melhores terceiros colocados, precisa derrotar a Alemanha e torcer para que os marfinenses não vençam Curaçao, no duelo simultâneo da Filadélfia.

O problema é que o Equador precisa encontrar justamente aquilo que mais lhe faltou até aqui: o gol. A ironia é que as oportunidades aparecem. Nenhuma seleção da Copa finaliza mais do que La Tri, exceção feita à própria Alemanha. Os sul-americanos, porém, transformaram a falta de pontaria em inimiga. Acumulam chances desperdiçadas, acertaram a trave quatro vezes e seguem zerados no torneio.

Ao lado de Haiti, Turquia e Panamá, estão entre as poucas equipes que ainda não encontraram o caminho das redes. O símbolo da dificuldade atende por Enner Valencia. Maior artilheiro da história da seleção equatoriana (49), o atacante desperdiçou quatro oportunidades claras nos dois primeiros jogos. Nem parece a mesma equipe que encerrou as Eliminatórias Sul-Americanas com a segunda melhor campanha, atrás apenas da campeã mundial Argentina.

A Alemanha vive realidade oposta. Dona do melhor ataque da Copa, impulsionado pelos sete gols marcados contra Curaçao, a Mannschaft também mostrou capacidade de reação ao virar sobre a Costa do Marfim depois de sair atrás no placar. Por trás da engrenagem está Joshua Kimmich. É dele o compasso do jogo alemão. Com precisão de 92% nos passes, o volante organiza a circulação da bola, acelera quando necessário e lidera a equipe em chances criadas. Se Undav aparece para decidir, Kimmich costuma ser quem escreve o roteiro.

 


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