
Nova Jersey — O relógio marcará 18h, hoje, quando França e Paraguai entrarem no gramado do Lincoln Financial Field em busca de uma vaga às quartas de final da Copa do Mundo. O vencedor enfrentará Canadá ou Marrocos. O segundo duelo nas oitavas na história do duelo depois do triunfo gaulês por 1 x 0 na campanha do título de 1998 oferece mais do que um lugar entre os oito melhores. Coloca à prova a seleção mais convincente da competição diante do time responsável pela maior surpresa da eliminatória.
Durante anos, a França acostumou o futebol a vencer pela qualidade dos protagonistas. Mbappé decidia, Griezmann organizava, a defesa sustentava a vantagem e Didier Deschamps administrava a partida com a serenidade de quem sempre privilegiou o resultado. Os títulos e as campanhas confirmavam a eficiência. O espetáculo, nem sempre.
A Copa de 2026 apresenta outro cenário. Talvez, a versão mais madura da equipe desde a chegada de Deschamps ao comando da seleção, em 2012. Mbappé continua a principal referência técnica e entrega um dos melhores Mundiais da carreira. A diferença aparece ao redor dele. Michael Olise assumiu o papel de articulador. Dembélé atravessa um momento de rara lucidez. Os três se movimentam sem posições rígidas, alternam corredores, confundem a marcação e aceleram a circulação da bola. Cada ataque nasce de uma combinação diferente.
O impacto aparece no campo. A França deixou de depender da inspiração individual para construir um futebol coletivo, fluido e difícil de neutralizar. Ataca pelos lados, infiltra pelo centro, pressiona após perder a posse e controla longos períodos das partidas sem perder a agressividade.
É a versão mais completa da França sob a batuta de Deschamps. Durante mais de uma década, o treinador consolidou uma equipe competitiva, sólida e acostumada aos grandes jogos. Agora, alia consistência defensiva e criatividade ofensiva, uma combinação rara em torneios curtos.
O dono da prancheta afastou qualquer sensação de favoritismo excessivo. Ao recordar o histórico entre as duas seleções, lembrou a dificuldade encontrada pela França em Copas anteriores e ressaltou o respeito pelo adversário. Para Deschamps, o Paraguai reúne personalidade, organização e competitividade suficientes para transformar o confronto em uma das armadilhas das oitavas.
A lembrança faz sentido. Em 1998, capitão da seleção campeã mundial, Deschamps esteve em campo na dramática vitória por 1 x 0 sobre os paraguaios, decidida apenas na prorrogação, com o gol de ouro de Laurent Blanc. Vinte e oito anos depois, reencontra o mesmo adversário.
Os sul-americanos desembarcam na Filadélfia embalados pela eliminação da Alemanha, construída com disciplina tática, intensidade física e capacidade de resistência. Poucas equipes convivem tão bem com o sofrimento quanto o Paraguai. Defender também faz parte da identidade.
Gustavo Alfaro alimenta essa convicção. Depois da classificação nos 16 avos, ele afirmou que os jogadores "já são lendas" e garantiu uma equipe pronta para competir novamente contra uma das favoritas ao título.
O contraste torna o duelo ainda mais atraente. De um lado, uma seleção repleta de recursos técnicos, capaz de encontrar soluções por diferentes caminhos. Do outro, um adversário programado para reduzir espaços, alongar o jogo e transformar cada disputa em um exercício de paciência.
A França entra em campo cercada pelo favoritismo. O Paraguai, pela confiança conquistada diante da Alemanha. Em Copas, basta um detalhe para alterar o roteiro. Se confirmar o que mostrou até aqui, a França não apenas seguirá viva na Copa. Vai reforçar a sensação de que, desta vez, talento e funcionamento coletivo caminham na mesma direção.

Copa 2026
Copa 2026
Copa 2026