OITAVAS DE FINAL

França e Paraguai revivem duelo de 1998 por vaga nas quartas de final

Jogador na vitória com gol de ouro contra o Paraguai nas oitavas de final do título em casa, Deschamps sabe o tamanho do respeito que deve ter pelo carrasco da Alemanha

 France's forward #10 Kylian Mbappe attends a training session at Philadelphia Eagles training centre on the eve of the 2026 World Cup football tournament round of 16 match against Paraguay, in Philadelphia on July 3, 2026. (Photo by FRANCK FIFE / AFP)
       -  (crédito: Franck Fife/AFP)
France's forward #10 Kylian Mbappe attends a training session at Philadelphia Eagles training centre on the eve of the 2026 World Cup football tournament round of 16 match against Paraguay, in Philadelphia on July 3, 2026. (Photo by FRANCK FIFE / AFP) - (crédito: Franck Fife/AFP)

Nova Jersey — O relógio marcará 18h, hoje, quando França e Paraguai entrarem no gramado do Lincoln Financial Field em busca de uma vaga às quartas de final da Copa do Mundo. O vencedor enfrentará Canadá ou Marrocos. O segundo duelo nas oitavas na história do duelo depois do triunfo gaulês por 1 x 0 na campanha do título de 1998 oferece mais do que um lugar entre os oito melhores. Coloca à prova a seleção mais convincente da competição diante do time responsável pela maior surpresa da eliminatória.

Durante anos, a França acostumou o futebol a vencer pela qualidade dos protagonistas. Mbappé decidia, Griezmann organizava, a defesa sustentava a vantagem e Didier Deschamps administrava a partida com a serenidade de quem sempre privilegiou o resultado. Os títulos e as campanhas confirmavam a eficiência. O espetáculo, nem sempre.

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A Copa de 2026 apresenta outro cenário. Talvez, a versão mais madura da equipe desde a chegada de Deschamps ao comando da seleção, em 2012. Mbappé continua a principal referência técnica e entrega um dos melhores Mundiais da carreira. A diferença aparece ao redor dele. Michael Olise assumiu o papel de articulador. Dembélé atravessa um momento de rara lucidez. Os três se movimentam sem posições rígidas, alternam corredores, confundem a marcação e aceleram a circulação da bola. Cada ataque nasce de uma combinação diferente.

O impacto aparece no campo. A França deixou de depender da inspiração individual para construir um futebol coletivo, fluido e difícil de neutralizar. Ataca pelos lados, infiltra pelo centro, pressiona após perder a posse e controla longos períodos das partidas sem perder a agressividade.

É a versão mais completa da França sob a batuta de Deschamps. Durante mais de uma década, o treinador consolidou uma equipe competitiva, sólida e acostumada aos grandes jogos. Agora, alia consistência defensiva e criatividade ofensiva, uma combinação rara em torneios curtos.

O dono da prancheta afastou qualquer sensação de favoritismo excessivo. Ao recordar o histórico entre as duas seleções, lembrou a dificuldade encontrada pela França em Copas anteriores e ressaltou o respeito pelo adversário. Para Deschamps, o Paraguai reúne personalidade, organização e competitividade suficientes para transformar o confronto em uma das armadilhas das oitavas.

A lembrança faz sentido. Em 1998, capitão da seleção campeã mundial, Deschamps esteve em campo na dramática vitória por 1 x 0 sobre os paraguaios, decidida apenas na prorrogação, com o gol de ouro de Laurent Blanc. Vinte e oito anos depois, reencontra o mesmo adversário.

Os sul-americanos desembarcam na Filadélfia embalados pela eliminação da Alemanha, construída com disciplina tática, intensidade física e capacidade de resistência. Poucas equipes convivem tão bem com o sofrimento quanto o Paraguai. Defender também faz parte da identidade.

Gustavo Alfaro alimenta essa convicção. Depois da classificação nos 16 avos, ele afirmou que os jogadores "já são lendas" e garantiu uma equipe pronta para competir novamente contra uma das favoritas ao título.

O contraste torna o duelo ainda mais atraente. De um lado, uma seleção repleta de recursos técnicos, capaz de encontrar soluções por diferentes caminhos. Do outro, um adversário programado para reduzir espaços, alongar o jogo e transformar cada disputa em um exercício de paciência.

A França entra em campo cercada pelo favoritismo. O Paraguai, pela confiança conquistada diante da Alemanha. Em Copas, basta um detalhe para alterar o roteiro. Se confirmar o que mostrou até aqui, a França não apenas seguirá viva na Copa. Vai reforçar a sensação de que, desta vez, talento e funcionamento coletivo caminham na mesma direção.

 


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MP
postado em 04/07/2026 06:03
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