O duelo entre Portugal e Croácia, hoje, a partir de 20h, no Estádio BMO Field, em Toronto, no Canadá, marcará a despedida de um ídolo veterano em Copas do Mundo. Em busca da vaga para as oitavas de final, o embate entre as seleções colocará frente a frente Cristiano Ronaldo e Luka Modric, ex-companheiros de Real Madrid, onde durante seis anos conquistaram todos os títulos possíveis pelo clube, somando 14 troféus, inclusive quatro Liga dos Campeões.
O jogo servirá como prova viva de uma longevidade atlética excepcional, expondo, pela primeira vez em uma Copa do Mundo, dois jogadores de linha com mais de 40 anos. Pilares incontestáveis das respectivas seleções por décadas, os dois ícones geram questionamentos na América do Norte, onde muitos se perguntam se eles não teriam se tornado um peso para as esperanças das equipes de avançar no torneio.
Antes desta edição, apenas o camaronês Roger Milla havia disputado uma Copa do Mundo como jogador de linha após completar 40 anos, feito realizado na Copa de 1994, nos Estados Unidos. Atuar além dessa idade era, tradicionalmente, um território exclusivo dos goleiros.
Aos 40 anos, Modric sentiu o peso da idade na estreia da Croácia neste Mundial, partida que terminou com derrota por 4 x 2 para a Inglaterra, em Dallas. O camisa 10 esticou demais a perna e cometeu pênalti ao derrubar Noni Madueke, permitindo ao rival abrir o placar. Modric acabou substituído por Zlatko Dalic antes de completar uma hora de jogo.
A Croácia reagiu e comemorou a 200ª partida internacional de 'Lukita' com vitória por 1 x 0 sobre o Panamá. O capitão se tornou o quarto jogador a atingir a marca de 200 jogos por uma seleção, juntando-se a um grupo seleto que já contava com o próprio Cristiano Ronaldo. O meia do Milan deu, então, a assistência para o gol de Nikola Vlasic na vitória por 2 x 1 sobre Gana.
Finalista na Copa da Rússia em 2018, a Croácia também chegou às semifinais em 2022. Modric foi a força motriz por trás dessas campanhas incríveis de um país com menos de 4 milhões de habitantes. "Luka é um ídolo para mim. Não só por ter jogado tanto tempo no máximo nível, mas também pela forma como se comportou ao longo da carreira. É uma grande inspiração e fico feliz por ver que ainda joga a este nível com esta idade. Tive a sorte de jogar contra ele muitas vezes. Até pedi a ele, uma vez, a camisa em um Manchester City x Real Madrid — é uma das mais especiais que tenho em casa. Quero ganhar dele, mas é uma grande inspiração", revelou em entrevista coletiva o português Bernardo Silva.
CR7 voltou?
Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo lançou um grito desafiador de "eu voltei!" após marcar dois gols contra o Uzbequistão (5 x 0) e se tornar o primeiro jogador a balançar as redes em seis Copas do Mundo. No entanto, Portugal não conseguiu vencer a República Democrática do Congo (1 x 1) nem a Colômbia (0 x 0) e acabou caindo em uma parte mais difícil da chave devido ao desempenho irregular.
"Sou profissional há 23 anos e, sempre que as coisas não vão bem, dizem: 'Cristiano está acabado, ele está velho'", disse o capitão português no início do torneio. O atacante jogou todos os minutos da fase de grupos, e o técnico, o espanhol Roberto Martínez, não demonstra qualquer intenção de tomar a decisão ousada de deixar o cinco vezes vencedor da Bola de Ouro no banco de reservas.
"Não há problemas físicos nem mentais que impeçam Cristiano de jogar 90 minutos", afirmou Martínez, depois que o craque tocou na bola apenas duas vezes dentro da área contra a Colômbia. Os gols de CR7 contra o Uzbequistão são os únicos que ele marcou em jogadas trabalhadas nos últimos 14 jogos em grandes torneios.
Bernardo Silva destacou pontos importantes sobre o confronto entre os europeus. Na análise do meia, as seleções possuem um estilo de jogo semelhante e destacou a determinação dos adversários. "Controlar os jogos e com bola, principalmente, que foi algo que nos faltou. Temos jogadores que gostam de ter a bola e sem ela ficam frustrados com o tempo. É fundamental sermos agressivos ofensivamente. Não fomos tão agressivos com a RD Congo e não podemos perder o equilíbrio emocional. Contra a Colômbia, perdemos um bocadinho mais esse controle", analisou. Em 2022, Portugal se despediu da Copa do Mundo nas quartas de final, eliminado pelo Marrocos por 1 x 0. (Com AFP)
Estagiários sob a supervisão de Fernando Brito
Michael Reaves/AFP - Luka Modric #10 of Croatia looks on during a training session one day ahead of the FIFA World Cup 2026 Group L match between Panama and Croatia at Toronto Stadium on June 22, 2026 in Toronto, Ontario.
Michael Reaves/AFP - Luka Modric: uma assistência e um pênalti cometido no torneio
Mark Blinch/AFP - Cristiano Ronaldo #7 of Portugal trains during a Portugal Training Session on July 01, 2026 in Toronto, Ontario
Espanha testa favoritismo contra Áustria
Enquanto algumas seleções conseguiram atestar o favoritismo nesta primeira etapa eliminatória da Copa do Mundo, outras ficaram pelo caminho, mesmo consideradas mais fortes. Após uma fase de grupos desanimadora, a Espanha busca mostrar que ainda pode chegar ao segundo título mundial. Para isso, precisa superar a Áustria, hoje, a partir das 16h, em Los Angeles.
A seleção espanhola vinha em um excelente ciclo pré-Copa. Campeão da Eurocopa (2024) e da Nations League (2023), o time de Luís De La Fuente conta com um plantel de peso, mas que precisa demonstrar serviço. Com Lamine Yamal voltando de lesão, a Fúria iniciou o Mundial na América do Norte com empate sem gols contra a surpreendente Cabo Verde. Na sequência, goleou a Arábia Saudita e mostrou a força da campeã mundial de 2010. Na última rodada da fase de grupos, no entanto, venceu o Uruguai por 1 x 0 em uma partida monótona.
Em uma Copa marcada por zebras, a Espanha não pode subestimar a seleção austríaca, que passou de fase apenas na última rodada, com gol salvador de Kalajdzic nos acréscimos da segunda etapa, empatando o jogo com a Argélia e assegurando o segundo lugar do grupo para o time europeu.
Com dúvidas no meio campo, Luís De La Fuente ainda não tem a equipe titular definida. Entretanto, aposta na qualidade de Yamal, Pedri e Rodri para buscar a vaga nas oitavas de final. Do outro lado, a Áustria, de Ralf Rangnick, precisa traçar estratégias para conseguir deter a forte avalanche espanhola.
"Temos que nos aplicar para que a bola corra muito na velocidade à qual estamos acostumados, para gerar situações de desequilíbrio em diferentes áreas do campo", comentou De La Fuente. A 'Roja' chega ao mata-mata do Mundial com mais dois desfalques: Yéremy Pino e Nico Williams. Os dois pontas se juntaram no departamento médico a Víctor Muñoz, que ainda não estreou devido a uma lesão.
A última vez que a Espanha venceu um confronto eliminatório em uma Copa do Mundo foi quando se sagrou campeã na África do Sul em 2010. Desde então, a seleção foi eliminada na fase de grupos, em 2014, e nas oitavas de final, em 2018 e 2022, derrotada nos pênaltis por Rússia e Marrocos.
"Vai ser uma partida difícil, a Áustria (23ª no ranking da Fifa e em trajetória ascendente nos últimos anos) é uma boa seleção. Vimos que qualquer seleção pode ganhar de outra", destacou o meio-campista Fabián Ruiz, em referência à eliminação da Alemanha pelo Paraguai.
A Espanha pode, ao menos, se orgulhar da solidez defensiva. É a única seleção, com o México, que não sofreu gols no torneio. Prova de que De La Fuente está satisfeito com a defesa é que o treinador praticamente não fez mudanças nos três jogos, com Aymeric Laporte e Pau Cubarsí, na zaga, e Marc Cucurella, na esquerda, jogando todos os minutos, enquanto, na direita, Marcos Llorente atuou em duas partidas e Pedro Porro, em uma. (Com AFP)
Argélia tem trunfo contra o time suíço
A Argélia enfrenta a Suíça, na madrugada de hoje para amanhã, à meia-noite, na fase de 16-avos da Copa do Mundo de 2026 com um trunfo importante no banco de reservas: o técnico Vladimir Petkovic, que conhece a seleção suíça a fundo por tê-la comandado entre 2014 e 2021.
"Embora haja algumas caras novas, vários jogadores já trabalharam comigo. Conheço bem este elenco", observou Petkovic logo após a classificação da Argélia na fase de grupos, garantida após empate eletrizante de 3 x 3 contra a Áustria.
"A Suíça é uma equipe muito boa, um time experiente que disputa regularmente grandes torneios europeus e mundiais. Conheço perfeitamente a filosofia de jogo deles", acrescentou o treinador nascido em Sarajevo.
Sob o comando desse técnico bósnio-suíço, 'La Nati' chegou às oitavas de final da Euro 2016 e da Copa do Mundo de 2018, antes de alcançar o feito de eliminar a França de Didier Deschamps e Kylian Mbappé na Euro 2020, torneio em que acabou derrotada pela Espanha nas quartas de final, nos pênaltis.
Petkovic, de 62 anos, tem laços com a Suíça que remontam a tempos ainda mais remotos. Em 1987, o então meio-campista iugoslavo chegou ao país para ganhar a vida jogando futebol. Mais tarde, formou-se como treinador, obteve a cidadania suíça e, após uma passagem pela Lazio, na Itália, assumiu o comando da seleção nacional, substituindo o alemão Ottmar Hitzfeld depois da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Com sete anos no cargo e 78 partidas comandadas, Petkovic é o técnico com mais tempo de serviço na história da seleção suíça. Mais tarde, teve uma passagem breve e malsucedida pelo Bordeaux, da França. Em fevereiro de 2024, assumiu o comando da seleção da Argélia, conduzindo a equipe de volta à Copa do Mundo após as ausências nos torneios de 2018 e 2022.
Essa conquista ajudou a amenizar a frustração pela eliminação nas quartas de final da Copa Africana de Nações diante da Nigéria, e a Federação Argelina de Futebol prorrogou o contrato do treinador até julho de 2028 em reconhecimento aos "resultados notáveis desde que assumiu o cargo".