
O Gama está a um jogo do sonhado acesso à Série C do Campeonato Brasileiro e aposta na vantagem de atuar no Bezerrão para despachar o São José e, enfim, subir o Distrito Federal de prateleira no futebol nacional. No duelo de ida, as duas equipes empataram por 1 x 1. Assim, qualquer vitória simples em casa serve para o alviverde cumprir o objetivo. Com campanha melhor e elenco mais qualificado, o time gamense ostenta favoritismo e deve propor o jogo. No entanto, o cenário não costuma deixar o adversário gaúcho tão desconforável assim.
Treinado pelo experiente Argel Fuchs, o São José fez caminho alternativo ao do Gama para se credenciar a disputar o acesso à terceira divisão nacional. Enquanto a equipe do Distrito Federal apresentou consistência ao logo de toda a temporada da Série D, o time gaúcho enfrentou percalços e, em muitas oportunidades, avançou sob o lema de "saber sofrer". Na primeira fase da competição, o Zequinha avançou na bacia das almas, no quarto lugar. Em três duelos eliminatórios, precisou passar pela agonia dos pênaltis para carimbar o passaporte e seguir adiante.
Os números dos duelos de mata-mata demonstram com o São José não vê incômodo de assumir o papel de azarão e jogar a responsabilidade ao adversário. Acostumado a decidir fora de casa, a equipe de Porto Alegre abriu as eliminatórias diante do Santa Catarina. Os dois jogos terminaram empatados por 1 x 1 e a vaga veio nos pênaltis. No compromisso em Florianópolis, os comandados de Argel Fuchs tiveram a bola somente 39% do tempo e chegaram a sair em vantagem. O gol de Tiago Pedra saiu com o rival organizado defensivamente, mas incapaz de parar um sem-pulo da entrada da área.
Diante da Portuguesa-RJ, o clube gaúcho fez a eliminatória mais segura, mas abdicando da posse de bola. Na vitória por 1 x 0, o São José terminou o jogo com 36% de índice no quesito e menos finalizações: cinco contra sete dos cariocas. O cenário se repetiu na partida de volta. O tempo com a pelota no pé foi o mesmo. Precisando vencer, o time do Rio de Janeiro foi ainda mais propositivo. No entanto, nenhum dos 15 chutes encontrou a rede do goleiro Fábio Rampi, autor de três defesas no duelo.
Novamente com a responsabilidade de construir vantagem em casa, o São José teve mais tempo de ação na vitória por 2 x 1 contra o Treze: 53% de posse de bola e 10 finalizações. Fora de casa, o modelo de entregar a responsabilidade de construção voltou a ser adotado. Os paraibanos tiveram 58% do tempo de jogo com a pelota no pé e concluíram 15 jogadas para ganhar por 1 x 0. Nos pênaltis, os gaúchos levaram a melhor, por 3 x 0, e carimbaram o passaporte para enfrentar o Gama.
Na partida diante dos alviverdes em Porto Alegre, o Zequinha não conseguiu construir uma vantagem. No entanto, as experiências anteriores na Série D servem como inspiração para Argel Fuchs. "Não é uma situação nova para nós; já vivenciamos algo semelhante contra o Santa Catarina, quando decidimos a classificação fora de casa. Sabemos que o adversário terá de propor o jogo em Brasília, o que nos dará espaços para transições rápidas, algo que caracteriza bem o nosso time", pontou o treinador, dando pistas de como o São José deve se comportar no domingo (16/8), às 16h, no Bezerrão.
Fuchs enumerou, ainda, quais jogos a comissão técnica do Gama deve avaliar cautelosamente para entender o estilo gaúcho. "Nossas melhores atuações sob meu comando foram longe de casa, como contra o Blumenau, Portuguesa-RJ, Treze e Santa Catarina. Portanto, iremos a Brasília para competir e jogar, mantendo nossa identidade. Nada está decidido. Estamos muito vivos na competição e trabalharemos estrategicamente durante a semana para buscar a classificação. Esperamos um grande confronto e que vença o melhor", prospectou.
Quando avaliada campanha geral e desempenho, o São José pode até não ser premiado com o status do favoritismo. Porém, a situação, como pontuou Argel Fuchs, não é inédita para os gaúchos. Ao longo da Série D do Brasileirão, o Zequinha habituou-se a assumiu o papel de azarão e tentar se aproveitar da necessidade de postura ofesiva dos adversários para seguir adiante. O Gama parece ostentar o antídoto para a fórmula do rival. Nesta temporada, o alviverde venceu todos os jogos de mata-mata como mandante e, ciente do estilo do rival, deseja ganhar mais uma para carimbar, de vez, o acesso.

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