CONTAGEM REGRESSIVA

A dois anos de LA-2028, Brasil mira a medalha 500 na Paralimpíada

País soma 462 pódios na história dos Jogos Paralímpicos e precisa de mais 38 em busca da marca expressiva

O esporte paralímpico brasileiro está diante de duas contagens. Uma marca o tempo: faltam dois anos para os Jogos de Los Angeles-2028. A outra marca a história: faltam 38 medalhas para o país alcançar 500 pódios desde a primeira participação, em 1972.

Se considerarmos as últimas participações do Brasil, a distância é pequena. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) não celebra conquista inferior a 38 medalhas em uma edição desde Atenas-2004, quando terminou com 33 pódios. De lá para cá, o país só cresceu em produção até chegar à marca de 89 em Paris-2024.

Ou seja, alcançar a marca de 500 medalhas não depende de uma campanha extraordinária, e sim de manter o padrão de excelência que caracteriza o esporte paralímpico brasileiro.

No centro do processo de evolução está uma estrutura que completou uma década em maio: o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, reúne instalações para 20 modalidades e equipes de fisioterapia, biomecânica, nutrição, psicologia e medicina esportiva. Mais do que concentrar treinamentos, o espaço criou uma cultura de convivência entre atletas consagrados e jovens que ainda buscam um lugar no alto rendimento.

É justamente nessa engrenagem que o próximo ciclo precisa mexer sem interromper o funcionamento. Vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Yohansson Nascimento resume o desafio com uma imagem: “É meio que fazer com que a roda seja trocada com o carro já em movimento”. 

O CPB não pode esperar Petrúcio Ferreira (atletismo), Carol Santiago ou Gabriel Araújo (ambos da natação) encerrarem as carreiras para começar a procurar substitutos. A renovação precisa acontecer enquanto os campeões ainda disputam medalhas: “Uma coisa não exclui a outra”, reforça Yohansson.

O dirigente cita Petrúcio, tricampeão paralímpico, como exemplo de atleta consolidado que divide o mesmo ciclo com nomes que começam a aparecer. A ideia é fazer os dois movimentos simultaneamente: preservar quem já entrega resultados e preparar quem poderá assumir o lugar deles no futuro.

Ainda sem uma delegação definida para Los Angeles, o principal indicador usado pelo CPB para identificar quem pode chegar aos Jogos em condições de disputar medalhas é o desempenho internacional. Em modalidades como atletismo e natação, a posição no ranking mundial pesa na avaliação. Em outras, como tênis em cadeira de rodas, tênis de mesa e parabadminton, a pontuação acumulada determina a posição.

A preparação, porém, não começa quando a lista paralímpica é fechada. Para Yohansson, ela precisa oferecer ao atleta a experiência de enfrentar os melhores do mundo antes de chegar aos Jogos. “Sempre a melhor condição em todos os aspectos: melhores condições financeiras, com mais recursos para esses atletas; melhores condições esportivas, para que tenham as melhores instalações de treinamento; e uma melhor preparação pensando em competições”, afirma.

A lógica é evitar que Los Angeles seja o momento de descobrir se algo faltou no caminho. “Para que esses atletas estejam competindo no mais alto nível com os melhores competidores do mundo, para que não tenham nenhuma surpresa quando chegarem aos Jogos Paralímpicos”, completa.

O desafio ganha contornos diferentes entre as modalidades. Algumas equipes conquistaram a vaga para Los Angeles, como o vôlei sentado feminino. Atletismo e natação ainda terão Mundiais no próximo ano, enquanto a paracanoagem se prepara para estrear no programa paralímpico. O Brasil, portanto, ainda não sabe quem disputará as provas em Los Angeles, mas já sabe o que precisa oferecer para que eles cheguem lá.

É essa preparação que preocupa Yohansson mais do que qualquer projeção de medalhas. “A principal preocupação, sem sombra de dúvida, é que, quando chegarem aos Jogos, esses atletas e todas as equipes não tenham dúvida de que tiveram a melhor preparação.”

Dois anos antes de Los Angeles, a contagem permanece aberta. Faltam 38 medalhas para o Brasil chegar às 500. Para o CPB, porém, o número será consequência de um processo que precisa começar muito antes do pódio.

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