
A corrida pelo Governo do Distrito Federal (GDF) está se aproximando da reta final. No domingo, os mais de 2,2 milhões de eleitores aptos a votar na capital vão às urnas para escolher qual plano será colocado em prática no ciclo de 2027-2030.
Dada a importância da definição, o amplo processo eleitoral se debruça na discussão das mais diversas áreas da sociedade. Educação, saúde, mobilidade urbana, segurança, habitação, gestão, economia e planejamento estratégico costumam preencher o epicentro do debate.
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Dentro desse cenário, porém, o esporte tem presença em diferentes áreas da administração pública e pode desempenhar papel preponderante no futuro da cidade. Com isso, o Correio analisou como os principais candidatos da disputa ao Palácio do Buriti pensam o setor.
Para isso, a reportagem estabeleceu a quinta rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política como recorte para selecionar os seis candidatos mais bem colocados: Celina Leão (PP); Leandro Grass (PT); Paula Belmonte (PSDB); Ricardo Cappelli (PSB); Kiko Caputo (Novo); e Professora Samara Mineiro (UP).
O levantamento foi realizado entre 26 e 28 de setembro e ouviu 1.225 eleitores em 31 das 33 regiões administrativas. A análise se concentrou nas propostas apresentados pelos candidatos nos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento tem a missão de nortear como as candidaturas pretendem gerir a capital.
O planejamento dos candidatos ao Palácio do Buriti mostram diferentes maneiras de tratar o futuro do setor esportivo no DF: há propostas concentradas na expansão dos Centros Olímpicos e Paralímpicos (COPs) e na democratização do acesso aos espaços; programas ligados à educação;
Planos voltados à realização de grandes eventos e iniciativas direcionadas ao futebol de várzea e ao esporte comunitário. Em comum, os nomes na disputa pelo posto de governador apresentam o esporte como política transversal, ligados a setores como turismo, educação e saúde.
Diante das diferentes visões para o setor, o eleitor tem mais uma ferramenta para conhecer, comparar e refletir sobre os projetos. No domingo, na hora de escolher quem comandará a cidade pelos próximos quatro anos, o futuro do esporte também estará em jogo.
Celina Leão (PP)
Gancho central: consolidar o DF como capital do esporte
Candidata à reeleição, Celina Leão cita o esporte como uma política com conexão entre formação e grandes eventos. Norteada por nove ações estruturantes, a representante do PP na corrida eleitoral propõe ampliar o calendário, atrair competições nacionais e internacionais, qualificar os equipamentos públicos e integrar escolas, COPs, clubes, federações, universidades e projetos na formação de atletas.
O plano também prevê ampliar o Futuro Campeão — projeto multiesportivo com meta de identificar, desenvolver e preparar talentos —, resgatar o Esporte à Meia-Noite, fortalecer o paradesporto e modernizar a gestão, além de consolidar a cidade como capital nacional do esporte.
Leandro Grass (PT)
Gancho central: universalizar o acesso ao esporte
Leandro Grass coloca a expansão territorial como um dos principais eixos da campanha. O plano prevê levar os COPs a todas as Regiões Administrativas, priorizando áreas mais vulneráveis. Hoje, há unidades em São Sebastião, Ceilândia, Sobradinho, Santa Maria, Brazlândia, Estrutural, Gama, Planaltina, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e Samambaia. O candidato do PT manifesta a intenção de criar núcleos esportivos comunitários, recuperar quadras e campos e ampliar ginásios regionais.
O esporte também aparece integrado à educação em tempo integral — com meta de universalização —, aos Jogos Escolares, ao paradesporto e ao apoio a atletas por meio do Bolsa-Atleta distrital.]
Paula Belmonte (PSDB)
Gancho central: esporte aliado à educação
Entre os planos de governo, o de Paula Belmonte traz uma abordagem direta mais tímida ao esporte e o apresenta majoritariamente ligado a outras áreas. Não há, por exemplo, um capítulo dedicado às ideias e programas pensados para a pasta. As referências aparecem, principalmente, dentro das propostas voltadas para educação e espaços públicos. O documento apresenta previsão de ampliar o Ensino Integral, aproximar escolas de equipamentos esportivos, parques e recuperar quadras das unidades da rede pública do Distrito Federal. O planejamento da candidata do PSDB também relaciona espaços com áreas verdes ao uso para práticas espotivas, lazer, convivência e qualidade de vida
Ricardo Cappelli (PSB)
Gancho central: prioridade ao esporte educacional, comunitário e inclusivo
No plano de Ricardo Cappelli, o esporte é apresentado como política pública permanente e distribuída pelo território. A proposta prevê recuperação e programação de COPs, quadras, campos, ginásios e parques, além da ampliação do esporte educacional, feminino, para idosos e pessoas com deficiência.
O documento fala em critérios públicos para apoio a atletas e paratletas, integração com políticas de saúde e prevenção da violência e exigência de legado social e econômico para grandes eventos. Em agosto, durante a campanha de acesso do Gama à Série C do Campeonato Brasileiro, o candidato do GDF manifestou o interesse de expor “patrocínio do governo ou do BRB” na camisa alviverde.
Kiko Caputo (Novo)
Gancho central: Brasília como referência de eventos
Kiko Caputo associa a política esportiva principalmente à capacidade de receber competições e movimentar o turismo e a economia, integrando as cadeiras de hotelaria, gastronomia e serviços. O plano propõe transformar o DF em destino de eventos esportivos, criar um calendário permanente de competições, fortalecer o ecossistema de formação de atletas e paratletas, modernizar equipamentos e ampliar a utilização de escolas, parques e espaços públicos, inclusive no contraturno e fins de semana. O documento registrado pelo candidato do Novo no TSE também prevê articulação entre fundos, programas de incentivo e instrumentos como o Bolsa-Atleta para fortalecer programas de formação.
Samara Mineiro (UP)
Gancho central: fortalecimento do esporte comunitário
Professora Samara Mineiro concentra as propostas em uma escala comunitária. O plano da candidata da Unidade Popular ao Palácio do Buriti reserva um eixo próprio para apresentar ideias envolvendo cultura, esporte e lazer. Seguindo a ideia central da legenda de defender maior presença do estado na oferta de serviços públicos, a candidatura destaca o futebol de várzea e amador. Para o setor, há a oferta de apoio financeiro e infraestrutura para ligas de bairro e campeonatos estudantis. Também aparecem a inclusão de esporte e lazer na educação integral e a ampliação do modelo do Eixão do Lazer para outras Regiões Administrativas, com fechamento de vias públicas aos domingos e feriados. Entre grandes eventos, futebol de várzea, formação e ocupação de espaços públicos, as propostas colocam o esporte diante de diferentes caminhos na idealização do futuro do DF.
As ideias apresentadas pelos candidatos da corrida ao Palácio do Buriti percorrem áreas como educação, saúde, turismo, desenvolvimento econômico e inclusão social, mostrando como a política esportiva pode ir muito além das quatro linhas. Diante das diferentes visões para o setor, o eleitor tem mais uma ferramenta para conhecer, comparar e refletir sobre os projetos. No domingo, na hora de escolher quem comandará a cidade pelos próximos quatro anos, o futuro do esporte também estará em jogo.
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