"O CAMISA 10"
A história por trás da camisa 10 após Pelé brilhar na Copa de 1958
O número até continua o mesmo, mas desde 1958, por conta de Pelé e da Seleção Brasileira, a camisa nunca mais foi a mesma
"O CAMISA 10"
O número até continua o mesmo, mas desde 1958, por conta de Pelé e da Seleção Brasileira, a camisa nunca mais foi a mesma

Maradona, Messi, Mbappé, Zidane possuem talentos diferentes dentro de campo, mas carregam algo em comum, a famosa camisa 10. No futebol, a numeração carrega um peso grande, e tudo isso começou com o Rei Pelé e a Seleção Brasileira.
Antes da camisa ser símbolo de liderança e ser disponibilizada ao “craque” do time, o 10 era apenas mais um número entre os onze jogadores em campo. Não havia qualquer peso histórico ou expectativa depositada no jogador que utilizasse o número. Até que, por um erro administrativo da Seleção Brasileira, a peça se tornou a mais famosa no futebol.
Para entendermos como a simbologia surgiu em torno da camisa 10, precisamos entender sobre o começo da numeração em camisas de futebol, que começaram muito antes de Pelé. Nos primeiros anos do esporte, no início do século XX, os jogadores atuavam com roupas pesadas de algodão, golas fechadas e até chapéus.
Não existiam números nas costas e a identificação dos atletas era um desafio para árbitros, torcedores e a imprensa. Procurando uma solução para a dificuldade, em 1911, foi realizado o primeiro teste. Na Austrália em Sydney, uma partida local entre os times Sydney Leichardt e HMS Powerful, os jogadores passaram a receber a numeração.
Inicialmente, os números serviam apenas para indicar a posição de cada atleta em campo. No esquema tático da época, a camisa 10 pertencia ao meia-esquerda, responsável por organizar as jogadas ofensivas.
Em 1928, os números chegaram às camisas da Europa. Mas, somente em 1939, a Federação Inglesa tornou o uso de números nas camisas obrigatório para todas as divisões profissionais do país.
Até que em 1950, a ideia chega ao Mundo. A Fédération Internationale de Football Association (FIFA) tornou obrigatória a numeração das camisas na Copa do Mundo. Nessa época, os números eram distribuídos de 1 a 11 de acordo com a posição de quem começava jogando a partida.
A transformação aconteceu na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Às vésperas do torneio, na época a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que hoje é a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), enviou à FIFA a lista de convocados sem definir qual número caberia a cada jogador.
Diante da falha, a FIFA distribuiu as camisas de forma aleatória. O goleiro titular Gilmar recebeu a camisa 3, o zagueiro Zózimo ficou com a 9, o centroavante Vavá jogou com a 20, Garrincha recebeu a 11, e um garoto de apenas 17 anos, ainda reserva, ganhou a camisa 10.
Pelé estreou apenas na terceira partida do Brasil na competição. Mas bastaram alguns jogos para que o mundo descobrisse um fenômeno. Nas quartas de final, marcou o gol da vitória contra o País de Gales. Na semifinal, fez três gols sobre a França. Na decisão, diante da Suécia, marcou duas vezes e ajudou a Seleção Brasileira a conquistar o primeiro título mundial de sua história.
Após isso, o Réi passou a representar um tipo de jogador. O número tornou-se sinônimo de criatividade, talento, visão de jogo e capacidade de decidir partidas. A partir dali, todo time sonhava em ter seu camisa 10, e todo garoto que começava a jogar futebol queria vestir aquele número.
O curioso é que o próprio Pelé reconheceu que tudo aconteceu por acaso. Anos depois, o Rei do Futebol afirmou que antes da Copa ninguém dava importância especial ao número. Foi a conquista do Mundial e suas atuações históricas que transformaram a camisa em um símbolo universal.
O impacto foi tão grande que gerações inteiras passaram a querer herdar esse número. De Zico a Maradona, de Rivaldo a Ronaldinho Gaúcho, de Neymar a Messi, vestir a camisa 10 passou a significar carregar expectativas que vão muito além do futebol, como Turma do Pagode, exemplifica em sua música “Camisa 10”.
Mais de seis décadas depois, a Seleção Brasileira continua sendo a principal guardiã desse legado. Afinal, foi com a camisa amarela e o número 10 nas costas de Pelé, que esse detalhe burocrático foi transformado em uma das maiores lendas da história do esporte.
*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares
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