O Brasil começa a jogar, neste sábado (13/6), às 19h, contra Marrocos, no MetLife Stadium, uma Copa do Mundo com tradições vitoriosas fortemente ligadas a Mário Jorge Lobo Zagallo. E as crenças do ídolo prometem acompanhar a luta pelo hexacampeonato em dois palcos nos quais ele se consagrou: nos Estados Unidos, terra do tetracampeonato como auxliar, em 1994, e no México, palco do tri como técnico, em 1970. E, nas partidas da Seleção, um mantra fiel estará presente nas arquibancadas: nos jogos da Amarelinha, o Movimento Verde Amarelo (MVA) promete levar a imagem de Santo Antônio.
Falecido em janeiro de 2024, Zagallo construiu relação sólida com Santo Antônio. A proximidade começou por influência da esposa Alcina de Castro, devota fervorosa, e também reforçou a proximidade do Velho Lobo com o número 13, considerado da sorte por ele. O casamento do casal ocorreu em 13 de janeiro de 1955. A data litúrgica do santo é comemorada em 13 de junho, justamente na data da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, realizada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.
Zagallo entendia de esquemas táticos, mas também compreendia aquilo que nunca coube nas pranchetas. Sabia que o futebol brasileiro é feito de coincidências, rituais e crenças que atravessam gerações. O tetracampeão transformou o número 13 em símbolo pessoal, como um escudo invisível longe de superstição, mas convicção. "Brasil campeão” tem 13 letras. "Zagallo eterno", também. Nada seria mais brasileiro e a cara do alagoano que esse encontro entre Santo Antônio, o dia 13 e a lembrança do Velho Lobo em uma estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
“Desde que comecei minha vida de técnico de juvenil, carrego uma imagem do santo. Mas nunca fui de fazer oração pedindo para ganhar jogo. Nunca fiz. Era mais um pensamento positivo, mesmo: se eu ficasse com o santinho comigo, a coisa funcionava”, contou Zagallo, ao jornal O Globo. Santo Antônio sempre foi escalado como titular nos times do ex-comandante brasileiro. Durante toda as Copas de 1970, no México, e de 1994, nos Estados Unidos, uma imagem do santinho o acompanhou. Ele a deixava no bolso e revelou que a segurava nos momentos de pressão.
Na primeira oportunidade, o Brasil faturou o tricampeonato em solo mexicano. Vinte e quatro anos depois, o tetra veio nos Estados Unidos, em final contra a Itália. No tempo regulamentar, a partida ficou 0 x 0, a decisão partiu para as penalidades máximas. Estava 3 x 2 e um drama pairava sobre o estádio Rose Bowl em Pasadena, Califórnia. Roberto Baggio foi para a cobrança decisiva. Em entrevistas, o Velho Lobo revelou ter apertado a mão de Parreira e pensou no Santo Antônio no bolso, enquanto dizia: "Ele vai perder agora". A bola do italiano foi isolada e o Brasil pôde gritar “é tetra”.
Guiados pela fé de Zagallo, nos jogos do Brasil durante a Copa do Mundo de 2026, o Movimento Verde Amarelo (MVA) carregará a imagem de Santo Antônio nas arquibancadas. Se existe alguém capaz de representar essa mistura tão brasileira entre razão, esperança, estratégia e superstição, esse alguém é Márcio Jorge Lobo Zagallo. Neste ano, a Seleção pisará em dois palcos onde ele se consagrou: México, em 1970, o tricampeonato como técnico e em 1994, nos Estados Unidos, o tetra como auxiliar.
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