BANCO DE TALENTOS

Gol de Martinelli é o primeiro de um reserva pelo Brasil na Copa

Até decidir contra o Japão, somente os titulares Vinicius Junior, Matheus Cunha e Casemiro haviam balançado as redes na caça ao hexa em 2026

Nova Jersey — É natural que se espere de Vinicius Junior o papel de protagonista da Seleção Brasileira. Afinal, entre os convocados por Carlo Ancelotti, é o único jogador extraclasse em pleno vigor técnico e físico. O camisa 7 evitou a derrota contra Marrocos, esteve inspirado diante do Haiti e colocou o jogo debaixo do braço na vitória sobre a Escócia. Eram quatro gols e uma assistência em três jogos. Também era previsível que, com a chegada do mata-mata, passasse a conviver com marcações cada vez mais sufocantes. Contra o Japão, foi cercado por dois, às vezes três adversários. É justamente aí que o elenco precisa aparecer. Se quiser voltar a ser campeão do mundo, o Brasil terá de aprender a dividir protagonismos e aliviar o peso sobre o principal craque da companhia.

A classificação por 2 x 1 sobre o Japão encontrou justamente no banco de reservas a resposta para um problema que tende a se repetir no mata-mata. Gabriel Martinelli entrou aos 21 minutos do segundo tempo e insistiu até os 51, quando recebeu passe na medida de Bruno Guimarães para evitar o drama da prorrogação. Foi o primeiro gol da Seleção nesta Copa, marcado por um jogador acionado durante a partida. Um sinal animador para Carlo Ancelotti, pois Vinicius Junior, Matheus Cunha e Casemiro já haviam comemorado. 

O oportunismo do camisa 22 e a convicção do treinador na substituição reforçam a importância de um elenco capaz de dividir responsabilidades. Martinelli mostrou o caminho. Agora, outros reservas, como Endrick, Igor Thiago, Luiz Henrique e Neymar, também podem ser chamados a decidir quando os titulares encontrarem menos espaços.

A confiança de Carlo Ancelotti em Martinelli nunca pareceu vacilar. A tendência indicava a entrada do atacante na vaga de Rayan, mas o treinador surpreendeu ao retirar Matheus Cunha. Martinelli passou a atuar mais por dentro, sem abrir mão da intensidade característica. A missão era clara: reforçar a recomposição para acompanhar a velocidade dos japoneses nos contra-ataques e, ao mesmo tempo, atacar os espaços deixados pela defesa rival. O plano funcionou. 

Autor de 11 gols pelo Arsenal na última temporada, o camisa 22 apareceu exatamente onde um atacante precisa estar: no lugar certo, na hora certa. A finalização ainda contou com um leve toque na trave antes de balançar a rede. “Era para ter um jogador mais descansado. Ele tem muita intensidade. Ele ajudou muito a equipe marcando gol. Com ele, o Vini jogou mais apertado e foi muito perigoso”, destacou Ancelotti na coletiva pós-jogo sobre Martinelli. 

“Não tenho palavras para descrever a alegria que está no meu coração ao ver todo o povo brasileiro feliz com a classificação. Ver a minha família, minha esposa, meu pai e minha mãe. Meus amigos... Não tenho como explicar o que sinto, a ficha não caiu, só vai cair daqui a um tempo. Falei outro dia com a minha família, que tinha acertado bola na trave e teria outra oportunidade. Graças a Deus, hoje eu consegui fazer o gol”, celebrou Martinelli. 

Outro personagem silencioso da campanha atende por Bruno Guimarães. Escalado por Ancelotti como um camisa 8 com liberdade de criação, o meio-campista chegou à quarta assistência em quatro partidas e participou diretamente de quatro dos nove gols do Brasil na Copa. Na última temporada pelo Newcastle, distribuiu sete passes para gol em 41 jogos. A evolução do articulador e a resposta do banco de reservas ajudam a explicar por que o Brasil chega ao mata-mata mais coletivo do que dependente de um único protagonista.

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