Nova Jersey — Houve uma época em que os adversários se preocupavam com o camisa 10 do Brasil. Perguntavam-se: como anular Pelé, Rivellino, Zico, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Neymar? A ordem está invertida. A contar de 2006, a Seleção acumula cinco eliminações consecutivas, nas quais foi destruída por um maestro identificado quatro vezes com a dezena nas costas. O francês Zidane (2006), o holandês Sneijder (2010), o belga De Bruyne (2018) e o croata Modric (2022) fizeram picadinho do projeto do hexa. Kroos também, mas o alemão usava a 18 em 2014. No domingo, Carlo Ancelotti precisa aniquilar Martin Odegaard contra a Noruega, às 17h, no MetLife Stadium, pelas oitavas de final.
Aos 27 anos, Odegaard é o cara do bumbo nas comemorações temáticas da Noruega na Copa, em uma sincronia cinematográfica dos jogadores escandinavos com a torcida. A liturgia vai muito além de um mantra cultural: o meia do Arsenal funciona como metrônomo da Noruega. Dá ritmo, cadência, andamento ao time do técnico Stale Sollbakken.
Odegaard tem três assistências na Copa do Mundo. Uma para Haaland, uma para Nusa e outra para Patrick Berg. As conexões dele são variadas e desafiam o Brasil a interceptá-las sob pena de a Seleção receber as punições sofridas contra França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Croácia. Casemiro é o candidato a deter quem treinou com ele no Real Madrid. O dono do meio de campo norueguês foi reserva do trio histórico Casemiro, Kroos e Modric.
Com a contusão de Lucas Paquetá, o meio de campo do Brasil terá uma configuração diferente para combater Odegaard. Casemiro e Bruno Guimarães podem ter a companhia de Danilo Santos na marcação. Há outras possibilidades, como o recuo de Matheus Cunha para o papel de Paquetá e a entrada de Endrick no papel de referência no ataque. A força física conta a favor do brasiliense. A boa partida contra o Japão, também.
"Acho que será uma partida muito difícil para as duas equipes. Vamos enfrentar o Brasil e, em termos de seleção, não existe adversário muito maior do que esse. Enfrentar o Brasil é o maior desafio que se pode ter", avaliou Odegaard, depois de eliminar a Costa do Marfim.
Odegaard nasceu em 17 de dezembro de 1998. Portanto, seis meses depois de a Noruega derrotar o Brasil por 2 x 1 na última rodada da fase de grupos na Copa da França. "É uma oportunidade fantástica disputar um jogo como esse. Nós crescemos ouvindo a história e tudo o que aconteceu. Agora chegou a nossa oportunidade. Estamos ansiosos e muito animados. Vamos ver se conseguimos repetir os feitos das gerações anteriores", salientou.
Repetir o feito da geração norueguesa de 1998 não é o único desafio de Odegaard. Carlo Ancelotti o lançou a contragosto no Real Madrid. O técnico desabafa em um trecho do livro Liderança Tranquila. "Quando o Florentino (Pérez) compra um jogador norueguês, você simplesmente tem de aceitar. Além disso, o presidente decidiu que ele disputaria três jogos pelo time principal como uma ação de marketing. Ele pode vir a ser o melhor jogador do mundo, mas isso não me importa, porque não era um jogador que eu havia pedido. Aquela contratação teve a ver com relações públicas", compartilha na publicação.
Odegaard evitou o tema depois do passe decisivo para a classificação da Noruega contra a Bélgica. Escolheu respeitar a única seleção pentacampeã. "Vamos nos preparar para o Brasil, será um jogo difícil. No futebol, tudo é possível, vamos tentar. Veremos o quanto podemos nos manter sonhando. Vamos nos preparar bem e aproveitar o momento", disse.
Campeão inglês na temporada passada, Odegaard joga no Arsenal com dois convocados de Carlo Ancelotti. "Eles têm um grande time, vários grandes jogadores. Será um teste duro para nós. Eu os conheço do Arsenal (Gabriel Martinelli e Gabriel Magalhães), são jogadores tops e espero que possamos fazer uma grande batalha", projeta o camisa 10.