Nova Jersey — A Espanha está a três jogos da final da Copa do Mundo e de um título com honra ao mérito. Depois de quatro vitórias e um empate, a seleção comandada por Luis de la Fuente soma nove gols marcados e nenhum sofrido. O feito vai muito além da consistência defensiva. Desde a criação do Mundial, em 1930, nenhuma equipe levantou a taça sem ser vazada ao longo da campanha.
Ao vencer Portugal por 1 x 0 nesta segunda-feira (6/7), a Espanha deu mais um passo para quebrar uma escrita de quase um século. Agora, é a única seleção que segue sem sofrer gols na Copa do Mundo e alimenta o sonho de conquistar um feito inédito. Os espanhóis sabem como é chegar de zerar o quesito defensivo. No título de 2010, na África do Sul, passou ilesa por todo o mata-mata, eliminando Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda sem ser vazada. O obstáculo daquela campanha esteve na fase de grupos, quando sofreu dois gols, um contra a Suíça e outro diante do Chile.
Se mantiver a meta intacta até a decisão, a Espanha não apenas conquistará um feito inédito, como também estabelecerá a melhor campanha defensiva de um campeão mundial. Até hoje, o recorde pertence à França (1998), à Itália (2006) e à própria Fúria, campeã de 2010, todas vazadas apenas duas vezes ao longo do torneio. A única seleção que terminou uma Copa sem sofrer gols foi a Suíça, em 2006, mas os europeus caíram nas oitavas de final para a Ucrânia na disputa por pênaltis depois de quatro empates e sequer balançaram as redes no mata-mata.
O segredo da melhor defesa do Mundial não começa com os zagueiros. Começa no meio-campo. Dona da maior média de posse de bola da Copa entre os classificados às oitavas de final, com 65,4%, a Espanha transformou o controle do jogo em mecanismo de proteção. Quem dita o ritmo, ocupa o campo adversário e troca passes durante a maior parte do tempo também reduz drasticamente o número de ataques sofridos.
O contraste ajuda a dimensionar o domínio espanhol. Enquanto a equipe de Luis de la Fuente sustenta média de 65,4%, o Brasil terminou a campanha com 53% e a França, outra classificada às quartas de final, registra 60,6%.
Não bastasse perseguir um título sem sofrer gols, a equipe de Luis de la Fuente também igualou uma das marcas mais emblemáticas do futebol espanhol. A vitória sobre Portugal levou a Fúria a 35 partidas consecutivas sem derrota, repetindo a maior invencibilidade da história da seleção, registrada entre 2007 e 2009. Caso avance às semifinais, a Espanha estabelecerá um novo recorde e seguirá na perseguição à marca mundial da Itália, dona de uma série de 37 jogos de invencibilidade.
Se a defesa impressiona, o ataque também chama atenção pela variedade de soluções. Os nove gols da Espanha na Copa do Mundo foram distribuídos entre cinco jogadores diferentes, além de um gol contra. Mikel Oyarzabal é o principal artilheiro da equipe, com quatro. Lamine Yamal, Pedro Porro, Álex Baena e Mikel Merino também assinaram vitórias. A diversidade de protagonistas reforça a principal característica da equipe de Luis de la Fuente: o coletivo prevalece sobre a dependência de um único craque.
É a primeira vez que a Espanha passa das oitavas de final da Copa do Mundo desde a campanha vitoriosa em 2010. Na próxima fase, terá pela frente a Bélgica, na sexta-feira (10/7), às 16h, em Los Angeles. Há possibilidade de uma semifinal contra a França, em caso de vitória sobre Marrocos.