Nova Jersey — A experiência é um diferencial, mas não imuniza. Marquinhos, Danilo, Casemiro e Alisson que o digam. A Copa do Mundo costuma expor até mesmo os jogadores mais acostumados a decisões. Veteranos das campanhas brasileiras em 2018 e 2022, eles chegaram aos Estados Unidos como a espinha dorsal da Seleção de Carlo Ancelotti. Curiosamente, também protagonizaram alguns dos erros individuais mais marcantes da caminhada rumo às oitavas de final.
Os deslizes apareceram em momentos distintos. No último amistoso antes da estreia na Copa do Mundo, Marquinhos comprometeu a saída de bola que originou o gol do Egito. Não fosse o brasiliense Endrick, o empate teria aumentado a pressão na véspera do torneio.
Bancado por Carlo Ancelotti após ficar fora de todas as convocações de Dorival Júnior, Casemiro também oscilou. Esteve abaixo do esperado contra Marrocos e Japão, acumulou perdas de posse e, em alguns momentos, pareceu jogar em ritmo inferior ao da partida. Bastou, porém, uma bola parada para justificar a confiança do treinador. O volante marcou de cabeça o gol do empate diante dos japoneses e manteve uma escrita: com ele em campo, o Brasil jamais perdeu no tempo regulamentar sob o comando do italiano, agora em 12 partidas.
"Casemiro é um líder, ninguém no campo pode jogar na posição dele, é realmente importante. Ele atuou muito bem e, no gol de empate, foi chave para o jogo", destacou Ancelotti.
A trajetória de Danilo na Copa ilustra bem esse paradoxo. Primeiro jogador assegurado na convocação, o defensor ganhou a vaga após a atuação insegura de Ibañez na estreia contra Marrocos e rapidamente devolveu estabilidade ao setor. Foi um dos destaques defensivos nas vitórias sobre Haiti e Escócia e fazia outra partida segura diante do Japão. Bastou, porém, um excesso de confiança para mudar a percepção. Ao tentar forçar um passe na saída de bola, iniciou o contra-ataque que culminou no gol japonês e recolocou o veterano na lista de jogadores experientes castigados por um erro individual. Dá sinais de que não é mais um lateral-direito de fato. Está mais para zagueiro.
"É um jogador muito importante. Não só no campo, mas também fora. Danilo é seguro de estar na lista final, porque eu gosto dele como caráter, como personalidade, como jogador. Pode fazer todas as posições atrás. Então, entre os nove defensores, estará Danilo", revelou Ancelotti, em 30 de março.
Altos e baixos
Titular da Seleção pela terceira Copa do Mundo consecutiva, repetindo um feito alcançado apenas por Gilmar e Taffarel, o goleiro estreou na Copa dando sinais de que faria o torneio da vida. Foi decisivo na vitória sobre o Haiti, com pelo menos três defesas providenciais, e transmitiu a segurança esperada de um dos líderes do elenco. Até que o Japão resgatou um trauma. O chute rasteiro no canto direito, sem chances de defesa, lembrou o gol marcado por Kevin De Bruyne nas quartas de final de 2018, na Rússia. A imagem reforçou como, em Copas do Mundo, um único lance é capaz de reabrir lembranças que pareciam enterradas.
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A partir de agora, a margem para erros desaparece. É natural que jovens como Rayan e Endrick convivam com oscilações em uma primeira Copa do Mundo. Dos veteranos, espera-se justamente o contrário: serenidade para impedir que um erro individual comprometa o coletivo. Contra a Noruega, qualquer vacilo tende a custar caro.
Do outro lado estará um dos ataques mais letais do torneio, liderado pela força de Erling Haaland, pelo oportunismo de Alexander Sørloth e pela capacidade de Martin Odegaard transformar um simples passe na assistência decisiva. Em mata-mata de Copa, a experiência deixa de ser currículo e passa a ser responsabilidade.
