Nova York — Goleiro com mais partidas em Copas do Mundo pela Argentina, com 14 jogos, Emiliano Martínez leva para o gramado muito mais do que reflexos. Dibu atua como um torcedor de luvas: vibra, provoca, faz cera quando necessário e exibe, sem constrangimento, o orgulho de defender um país de mais de 46 milhões de habitantes.
O sentimento ficou evidente na entrevista coletiva às vésperas da decisão contra a Espanha, domingo, às 16h, no MetLife Stadium. “Durante anos construímos algo difícil de descrever em palavras. Às vezes, choro só de pensar no que conquistamos. Precisamos aproveitar este momento. Como jogador profissional, muitas vezes você não percebe onde está. Esta final ficará para sempre na nossa memória”, afirmou.
A entrega também cobra um preço. Durante a preparação para a Copa, Dibu sofreu uma lesão na mão, foi poupado de amistosos e adiou uma cirurgia para não comprometer a participação no Mundial. Ainda convive com dores, mas garante estar pronto para a decisão.
“Minha mão dói todos os dias. Todos os especialistas disseram que eu precisava operar ou não conseguiria jogar. Não pude treinar normalmente durante a fase de grupos, e isso me afetou porque adoro estar em campo. Desde o jogo contra o Egito, porém, voltei a treinar normalmente e me sinto muito melhor”, compartilhou.
A mente blindada também foi decisiva fora das quatro linhas. “Minha cabeça se encheu de dúvidas. Tive uma preparação completamente diferente, treinava e mergulhava como se tivesse apenas um braço. Nunca quero ser o protagonista da seleção. Só quero ajudar a equipe”, resumiu.
Dibu também atribuiu a força da Argentina à identidade construída por um grupo que, segundo ele, nunca perdeu as origens. Para o goleiro, o espírito competitivo da equipe nasce da trajetória de jogadores criados em famílias trabalhadoras e acostumados a superar dificuldades.
“Não sei como as pessoas vão se lembrar de nós, mas espero que seja como qualquer outro argentino: trabalhadores. Deixamos nosso futebol falar em campo, não nossas ações fora dele. Crescemos ano após ano e, mesmo quando as coisas ficam difíceis, sempre encontramos uma maneira de dar a volta por cima”, exaltou.
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Apesar da confiança, Dibu evitou qualquer excesso de otimismo. Fez questão de enaltecer a Espanha, destacou o trabalho de Luis de la Fuente e lembrou que a Roja vai muito além de Lamine Yamal.
“É uma grande equipe. Conheço muitos jogadores da Premier League e acompanho La Liga de perto. Não é só o Lamine. Eles têm um grupo muito forte e um treinador excelente. Há um motivo para terem chegado à final. Eles têm as qualidades deles, mas nós também. Espero que seja uma partida de que os torcedores se lembrem por muito tempo”, concluiu.
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