Com Ian Vieira e Victor Rogério*
Com os olhos fixos nos papéis, Evellyn Brandão, 18 anos, levou alguns minutos para localizar o próprio nome entre os milhares divulgados no listão de aprovados no vestibular tradicional da Universidade de Brasília (UnB). A aprovação no curso de farmácia veio depois de seis meses de estudos intensos atrelado à renúncia temporária do trabalho de confeiteira.
Assim como Evellyn, centenas de jovens se reuniram para conferir, em tempo real, a divulgação dos futuros alunos da instituição pública. Pontualmente às 17h, saiu o resultado e o ICC Norte da UnB transformou-se em festa: alunos tocavam instrumentos musicais, cantavam, gritavam, jogavam tinta e farinha de trigo uns aos outros.
Evellyn era uma das sujas de farinha. Com sorriso largo, ela declarou ser o dia mais feliz da vida. A moradora de Planaltina de Goiás escolheu o curso de farmácia no começo do ensino médio, em uma escola pública do município goiano. O foco é ser perita criminal. "É um dos cursos mais aceitos para prestar esse concurso. Entrar na UnB era minha única opção", contou.
A dedicação aos estudos estreitou no segundo semestre de 2025, quando decidiu abdicar do trabalho de confeiteira para focar na aprovação do vestibular. A empresa onde trabalhava é gerenciada pela própria irmã. "Fiz um cursinho on-line gratuito e estudei de duas a três horas por dia. Sentia que não estudava o suficiente, mas vi que valeu a pena", disse.
As irmãs Ananda, 18, e Isadora de Castro, 20, estudaram juntas para cursos diferentes: engenharia de software e ciências contábeis. As irmãs contam que extraiam conhecimentos por meio de vídeos do Youtube e respondiam caderno de questões. Resultado? As duas foram aprovadas para as formações dos sonhos.
Isadora vai se formar em análise e desenvolvimento de sistemas este ano e está ansiosa com o novo curso. Já Ananda diz ter se encontrado no mundo das engenharias. "Já fazia parte de um projeto de ciência para meninas na UnB e sempre me familiarizei com o mundo digital e de jogos. Além disso, o mercado de trabalho para essa área é rica", defendeu.
Enquanto alguns mantinham viva a esperança de aprovação, Luan Marcelo não esperava ser aprovado no curso mais concorrido da UnB: medicina. Aos 25 anos, foi à UnB para ver se encontrava o nome na lista, mas sem expectativa. O desânimo é resultado de um longo período de estudos e portas fechadas. Nessa tentativa de aprovação, resolveu abdicar do trabalho de garçom.
"Eu entrava às 11h no serviço e saía às 23h. Estudava nas três horas de intervalo e pela manhã, antes do expediente. Confesso que ainda estou sem acreditar.", explicou Luan, que é casado e tem uma filha de 5 anos.
No topo do pódio
Aos 17 anos, Santiago Ghesti Galvão, natural de Brasília, foi aprovado em 1º lugar em medicina pela UnB, por meio do vestibular tradicional. Morador da Asa Sul e filho de pais psicólogos, o jovem descobriu a vocação pela saúde no 8º ano do ensino fundamental, quando começou a gostar das aulas de biologia. Sua preparação para o vestibular ocorreu durante o 3º ano do ensino médio, em 2025.
Sua rotina começava às 7h15, no Colégio Pódion, onde contou com a ajuda de um cursinho preparatório e terminava a jornada às 20h. Ao descobrir que foi aprovado, o jovem diz que "pulou de felicidade".
Segundo Santiago, realizar questões e provas anteriores foi fundamental para conseguir a aprovação. "O mais importante é fazer muitas questões e priorizar conteúdos que você mais tem dificuldade", aconselha.
Além dos estudos, o estudante destacou o apoio emocional que recebeu de amigos e familiares. "Quero agradecer a meus amigos, pais e professores. Sem isso eu não teria conseguido", conta.
A estudante Ana Clara Bruzzeguez, 17, é moradora de Águas Claras, filha de professora e técnico de segurança cibernética, foi aprovada ao sair do ensino médio em terceiro lugar para o curso de medicina no câmpus Darcy Ribeiro (Plano Piloto). O sonho de Ana Clara começou a ser trilhado desde o 9° ano do ensino fundamental, quando despertou o desejo de ser médica. "Meu foco era o Programa de Avaliação Seriada (PAS), mas faço a prova do vestibular tradicional desde o primeiro ano do ensino médio".
A caloura afirma que começou a focar na preparação ao estudar para provas de bolsa, para escolas particulares: "Eu queria muito mudar para o Leonardo Da Vinci, e quando passei na prova para entrar, comecei estudando para a escola no 1º ano do ensino médio. No ano seguinte, mudei para o Olimpo e entrei no Guia do PAS, que me ajudou muito". De acordo com Ana Clara, a expectativa é alta para o ingresso na universidade: "Estou muito feliz, espero que a UnB tenha a qualidade que todos falam, professores especializados, e também que tenha muitas festas!"
Atenção ao cronograma
O listão representa a etapa final de um processo que, para muitos estudantes, é resultado de meses ou anos de esforço. A publicação dos aprovados define o começo em uma das principais universidades públicas do país. Após a confirmação dos resultados, os estudantes aprovados passam a aguardar as próximas etapas do cronograma acadêmico, como matrícula e início das aulas, previstas no calendário oficial da universidade.
Os calouros que vão ingressar no primeiro semestre letivo de 2026 terão nesta quinta-feira (5/2) e sexta-feira (6/2) para enviar a documentação necessária através do Registro Acadêmico, no site do Cebraspe. Candidatos que não realizarem essa etapa serão automaticamente desclassificados. Os resultados do envio dos documentos sairão em 20/2, com um período de dois dias para reenviar documentos não homologados devidamente.
O resultado definitivo está previsto para sair em 9 de março, com início do período letivo para 16 do mesmo mês. Com a aprovação definitiva, o calouro pode acessar o Checklist oficial de boas-vindas da UnB e a Agenda do Calouro, documentos com o passo a passo detalhado das etapas entre o início da convocação no processo seletivo (independentemente da chamada) e o início das aulas.
Neste ano, foram registradas 16.823 inscrições e disponibilizadas 2.102 vagas, distribuídas entre os câmpi Darcy Ribeiro, Ceilândia, Gama e Planaltina. Segundo a universidade, também foram registrados 719 inscritos como treineiros — esses realizam as provas com o propósito de avaliar conhecimentos e não podem utilizar a nota para ingressar na UnB.
No câmpus Darcy Ribeiro, o curso mais concorrido é medicina (bacharelado) com 208,95 pessoas candidatas por vaga. Em seguida, fica o curso de direito (bacharelado) como a graduação mais procurada, registrando 41,40 pessoas candidatas por vaga. Na terceira posição, aparece o curso de psicologia (bacharelado/licenciatura/psicólogo) com 40,56 pessoas candidatas por vaga.
O curso com maior concorrência no câmpus de Ceilândia é fisioterapia (bacharelado) com 9,88 pessoas candidatas por vaga. Já no câmpus do Gama, o curso de engenharias –aeroespacial/automotiva/eletrônica/energia/software (bacharelados) conta com 4,55 pessoas candidatas por vaga. Enquanto isso, no campus de Planaltina, o curso de gestão do agronegócio (bacharelado) é o mais concorrido, com 0,68 pessoa candidata por vaga.
*Estagiários sob a supervisão de Ana Sá e Patrick Selvatti
Vestibular e PAS
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