Eu, Estudante

VOLTA ÀS AULAS

Pais reclamam da falta de uniformes escolares nas malharias credenciadas

Mais de 448 mil alunos retornaram ontem às salas de aula da rede pública com calendário ajustado e promessa de mais tecnologia. Muitos não estavam com a roupa padrão da escola por causa do atraso nas entregas pelas malharias credenciadas ao governo

O despertador tocou mais cedo na casa de mais de 448 mil estudantes da rede pública do Distrito Federal, que iniciaram ontem (12/2) o ano letivo de 2026. O retorno ocorre em um calendário desafiador, com feriados prolongados e Copa do Mundo, mas, segundo a Secretaria de Educação, os 200 dias letivos obrigatórios estão garantidos.

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No Centro de Ensino Fundamental (CEF) Mangueiral, o clima era de emoção. A estudante de Ciências Contábeis Márcia Macêdo, 30 anos, acompanhou o filho Paulo Renato, de 8, agora no 3º ano do ensino fundamental. "Estamos super felizes. A estrutura da escola é maravilhosa, os professores trabalham com muito carinho. Ver essa escola pronta, com essa estrutura para as crianças, não tem agradecimento. Eu estava chorando, muito orgulhosa", contou.

A professora Laír de Carvalho, 43, também acompanhou o primeiro dia de aula do filho, Murilo, de 11 anos. Cadeirante, ele encontrou na nova unidade uma estrutura adaptada às suas necessidades. "A expectativa é de bastante aprendizado. Meu filho tem tetraplegia, mas me senti superacolhida. Adaptaram a sala de música para ele, a turma é reduzida, ele tem monitora e o educador social já está chegando. Estou super confiante de deixá-lo aqui", relatou.

Apesar da satisfação com a estrutura, Laír ainda aguarda a chegada do novo uniforme. "Ainda não conseguimos receber. Disseram que estavam aguardando o tecido por causa da alta demanda. Ele veio com o uniforme antigo, mas falaram que na próxima semana será resolvido", afirmou.

Ana Carolina Alves/CB -
Ana Carolina Alves/CB -
Ana Carolina Alves/CB -

A oficial de Justiça Paula Fernanda Pereira, 42, também não conseguiu comprar os uniformes para a filha Ananda, de 12. "Está bem emperrado. Disseram que o sistema está em atualização e não há previsão de normalização. Por enquanto, orientaram vir de calça jeans e camiseta", afirmou. 

Embora cerca de 200 malharias estejam habilitadas para a entrega dos uniformes escolares por meio do cartão uniforme escolar, segundo a secretária, 50 mil cartões ainda não foram retirados.  "Tem pai que não tirou o cartão. A gente está pedindo para que procurem os pontos de entrega. É um direito do estudante", alertou a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá. 

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O cartão é emitido pelo Banco de Brasília (BRB) no nome do responsável cadastrado na matrícula e pode ser retirado em um dos locais designados pelo banco, a ser consultado pelo site GDF Social. Cada estudante recebe R$ 282,99 por ano, que será recarregado automaticamente todos os anos. O crédito do cartão corresponde ao CNJ padrão que dá direito à três camisetas de manga curta, duas bermudas, uma calça e um casaco. 

Para o último ano da atual gestão, a Secretaria de Educação aposta na ampliação de programas pedagógicos e no uso de tecnologia em sala de aula. Estão previstas a aquisição de telas interativas e a utilização de plataformas digitais como apoio ao ensino. "A educação está sempre em movimento. O aluno pode, por exemplo, visitar o Museu do Louvre e ver como é lá dentro", exemplificou a secretária.

Em março, deve ser lançado um programa de educação socioemocional, com material voltado a estudantes, profissionais e famílias. A iniciativa se soma ao programa NaMoral, desenvolvido em parceria com o Ministério Público, que aborda temas ligados à integridade e à cidadania. "Vem muita coisa ao longo do ano. Estamos sempre pensando em agregar valor à prática pedagógica", concluiu.

Por meio de nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) disse que acompanha de perto a falta de uniformes em algumas malharias credenciadas e que o problema ocorre "em virtude do novo formato" das camisetas. A Sedes recomenda, caso o uniforme não esteja disponível no momento da compra, a empresa deve providenciá-lo, sob encomenda do pai ou responsável, em 10 dias úteis. É importante que a população denuncie à fiscalização o descumprimento deste prazo, por meio da Ouvidoria, no 162, ou pelo e-mail credencia.malharias@sedes.df.gov.br.